PREÇO ALTO

Francanos trocam carro por moto ou até bicicleta para driblar aumento da gasolina

Por N. Fradique e Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
GCN
Danilo Luís de Oliveira trocou o carro pela moto
Danilo Luís de Oliveira trocou o carro pela moto
Se não bastasse o aumento geral dos outros produtos que vem impactando no bolso do consumidor, a alta nos preços dos combustíveis está obrigando as pessoas a mudarem seus hábitos e buscar alternativas para não sentir tanto no bolso na hora de abastecer o tanque do veículo.
 
Durante apenas uma semana de outubro, o preço dos combustíveis subiu duas vezes. Os valores praticados em média são entre R$ 6,59 a R$ 6,79 da gasolina. O etanol e o diesel apresentam um preço mais estabilizado em R$ 5,29 e 5,24, respectivamente. Neste ano, a gasolina aumentou 50%, o etanol 67% e o diesel 40%.
 
Grande parte das pessoas está deixando o carro na garagem usando outros meios para irem ganhar o pão de cada dia. Aparecido Paulinho dos Santos, 50, que trabalha em uma fábrica de calçados na cidade, deixa seu Palio Weekend em casa, indo para o serviço de bicicleta. “A bike se transformou no meio de transporte mais barato nos últimos anos, para nós assalariados. Ainda mais, o meu carro é motor a gasolina”, disse o sapateiro.
 
Morador no bairro Santa Terezinha, zona norte da cidade, Aparecido, conhecido como Cidinho, percorre diariamente cerca de 15 km até a empresa, que fica no Jardim Paulistano, zona Leste. “Gastar uma média de R$ 350 por mês com combustível faz diferença no sustento da minha família. Não está nada fácil, por isso, o jeito é andar de bike”, disse.
 
Danilo Luís de Oliveira, 39, é motorista profissional e sabe muito bem cortar caminhos para se chegar a um determinado local, mas para driblar o impacto na hora de abastecer o carro não encontra muita solução. Para economizar, ele encostou o carro na garagem, passando a usar a moto para ir ao trabalho.

Danilo percorre 260 km por mês de sua casa, no Bairro Santa Mônica, zona Leste, até seu trabalho, na parte central da cidade. Segundo seus cálculos, ele gastaria pouco mais de R$ 200 indo no seu Vectra Chevrolet; e apenas R$ 70 com a sua Honda CB300.

“São um absurdo esses aumentos seguidos dos preços dos combustíveis. É um verdadeiro roubo e desrespeito com o cidadão, que já paga muitos outros impostos”, disse o motorista, que no caso, seus dois veículos são movidos a gasolina. 
 
Além de retirar muitos carros da rua, o preço do combustível impactou diretamente naqueles que dependem dos motoristas de aplicativo para poder trabalhar ou estudar. A auxiliar administrativa Silza Helena não tem carro e sempre está pedindo por um motorista, mas, recentemente, notou uma queda no número de carros disponíveis, além de uma variação nos preços.

“Diminuiu muito a oferta de carros e, com isso, aumenta a dinâmica (preços mais altos). Creio que isso seja em razão do aumento dos combustíveis, já que muitos motoristas tinham carros alugados ou pagavam uma parcela maior e acabaram desistindo de trabalhar com o aplicativo.”
 
Há também aqueles que não conseguiram escapar dos gastos com abastecimento. O empresário Daniel Moscardini vive circulando pela cidade com seu carro, por conta da sua empresa. A alternativa, então, foi parar de encher o tanque, como fazia antes, e começar a abastecer conforme o necessário.

“Infelizmente, uso o carro para trabalho, então, não tenho como terceirizar. Antes, com R$ 100 enchia meu tanque. Hoje, gasto entre R$ 235 a R$ 240, mas fica difícil, já que está tudo caro. Então, coloco R$ 50 ou R$ 60 e, quando entra na reserva, eu abasteço de novo”, disse ele.
 
Quem também não conseguiu fugir foi o entregador por aplicativo Murilo Belanciere. Por depender da sua moto para poder trabalhar, o combustível para abastecê-la não pode faltar. A medida encontrada pelo jovem é sempre estar buscando os postos mais baratos.

“Nós que somos entregadores não temos outros meios de transporte. Poderíamos usar bicicleta, mas é complicado, porque seria mais cansativo e o lucro é bem menor. Por isso, não tem como aposentar a moto. Então, a gente tenta fechar convênio com alguns postos, que oferecem algumas ajudas de custo por litro. Isso ajuda a driblar um pouco. Mas, mesmo assim, somos reféns do combustível.”

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