PESOU NO BOLSO

Pão francês segue inflação e ficará mais caro nos próximos dias

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Dirceu Garcia/GCN
Gilson Moreira, proprietário da Panificadora Pérola, retira os pães quentinhos do forno. Após um ano, alimento ficará mais caro a partir de novembro
Gilson Moreira, proprietário da Panificadora Pérola, retira os pães quentinhos do forno. Após um ano, alimento ficará mais caro a partir de novembro
Foi-se o tempo que o pão francês custava algumas moedinhas. Presente na mesa da maioria dos brasileiros todos dias, especialmente no café da manhã, o pãozinho já faz parte do grupo de alimentos que foram atingidos pela inflação. Apesar do reajuste ainda não ter chegado no bolso do consumidor final - o produto mantém o mesmo preço médio há mais de um ano -, proprietários de padarias na cidade admitem que o pão ficará mais caro para os francanos a partir do próximo mês. A tendência é que o alimento fique 15% mais caro. 
 
Gilson Moreira, de 51 anos, proprietário da Panificadora Pérola, disse que segurou o preço do pão por mais de um ano, mas com o aumento do trigo - impactado também pela alta do dólar - não sabe até quando vai conseguir manter o mesmo preço.
 
“A gente depende do preço da farinha e com o aumento, consequentemente sobe todos os outros preços. Não tem como a gente não repassar. Inclusive, eu não repassei o aumento do pão francês, mas não sei até quando vou aguentar segurar. O ticket médio caiu, o poder aquisitivo caiu demais. A gente quer que melhore, mas estamos passando por um momento turbulento.”
 
Além do grande aumento nos alimentos, o poder aquisitivo diminuiu, tendo um grande impacto econômico geral, e na padaria de Gilson não foi diferente. 
 
“A pessoa que comprava dez pães, hoje compra seis, se não comprar menos. Olhava os produtos embutidos e de mercearia e levava, hoje não. É só o pão e uma margarina e, olha lá”, continuou Gilson. 
 
Uma das mais tradicionais padarias francanas, a Estrela, também não escapou do aumento dos produtos. Por isso, seu proprietário, João Batista de Lima, já admite outro preço para o pãozinho agora em novembro. 
 
“Nós estamos sendo zelosos para manter o preço com a freguesia, mas na próxima semana já haverá alguma alteração. Na reposição do trigo, já pagamos o preço novo. E como ele (trigo) é importado e cotado em dólar vamos ter que aumentar”, lamentou João Batista. 
 
João é categórico em falar sobre o impacto da pandemia em seu estabelecimento. De março de 2020 até este mês de outubro, um terço dos funcionários tiveram de ser desligados da empresa. 
 
“O cliente que vinha todos os dias na padaria, não vem mais. Ele vem três, no máximo quatro vezes. O que pegava três leites, agora pega dois e assim sucessivamente. Isso reduziu o ticket médio e com a redução começa um efeito cascata, reduz receita, produção e mão de obra. Tem momentos que é desanimador, pela perda da presença do cliente e da redução do ticket. O que é considerado o normal hoje em todo os quatro cantos do mundo”, continuou João. 
 
Para o dono da Estrela, o fim de ano é a esperança de dias melhores para seu estabelecimento, mas o momento ainda é delicado com a alta de outros produtos, como o combustível. Segundo ele, uma redução no quadro é quase certa, já que a pandemia trouxe um novo normal para a padaria. 
 
“Estou mantendo o número de funcionários por causa das expectativas para dezembro, para as festas natalinas. Se não houver melhora, depois vai haver uma redução de funcionários. Com tudo isso que vivemos - fase vermelha e lockdown -, a proposta é enxugar os custos, reduzir o quadro. Vai ficando difícil economicamente.”
 
Além das padarias, os minimercados e mercearias também sentem a alta dos produtos. Maikon Nait de Melo Pontes, dono do Fazendão da Canastra, na Vila Chico Júlio, afirma que as vendas caíram e que as pessoas só andam comprando o básico. 
 
“Este mês a queda nas vendas foi grande. Além da queda do pão, tive a queda do café. Os clientes se assustam, mas o preço subiu”, disse o proprietário que também aumentará o pão a partir do dia 1º.
 
Alta do Café
O café, companheiro fiel do pãozinho, também subiu. Um dos principais motivos, segundo a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), foram as geadas do fim de agosto na principal região cafeicultura do país, Sul de Minas e região de Franca.
 
O reajuste de preço do café atingiu a média de 15,9%. 
 
População sente no bolso e na boca
Em momentos como esse, o brasileiro se reinventa, mas até mesmo para nós que temos essa “qualidade”, a alta dos preços vem afetando no dia-a-dia. Além de aumentar as pesquisas dos produtos, muitas pessoas substituem os alimentos que estão em alta. E o pãozinho e o café são um deles. 
 
“Cortei gastos com padaria. Agora é só no fim de semana e com restrição. Vou sempre nas promoções. Derivados do leite, pão e café, tive que diminuir”, contou o arquiteto Rafael Moreira.
 
O bancário Adilson Martins de Almeida Junior altera os produtos diariamente, escolhendo sempre os mais em conta. “O que faço é variar as quitandas. Um dia pão, no outro pão de queijo ou uma broa. No outro, uma rosca ou um pão, e por aí vai. O que for mais barato.”
 
O cortador Hadson Cleiton faz o mesmo método. “Estamos trocando um pelo outro, mas sempre no mais barato mesmo. Está muito difícil, cada vez no mercado é um preço diferente. O pão, trocamos por bolacha ou algo mais em conta, como fazer um bolo."
 
Lúcia Antunes precisou mudar toda sua rotina para que todos continuem comendo o pãozinho pela manhã. “Mudei minha rotina devido à alta dos preços. Lá em casa, eu sempre comprava pão a mais, não importando se sobraria. A gente comia à tarde ou no outro dia. Os que endurecia fazia torrada ou dava para as cachorras. Agora eu só compro a quantidade para cada. O café que também subiu bastante, eu estou coando só pela manhã. Antes tinha à tarde também."
 
Já o síndico Jeferson Moreira aumentou as pesquisas, optando pelos locais com os menores preços.
 
"Faço mais pesquisas e sempre compro as promoções do panfleto. Você nota que teve muito aumento, por onde anda. Mas até para fazer pesquisa está difícil, porque a gasolina aumentou. Mas podemos diminuir nos excessos."

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