INDEFINIÇÃO

Falta de definição coloca em risco desfile do Carnaval francano em 2022

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
Apresentação da Ases do Ritmo, pentacampeã do Carnaval Franca, durante edição do evento em 2020, na Passarela do Samba, em frente ao Parque 'Fernando Costa'
Apresentação da Ases do Ritmo, pentacampeã do Carnaval Franca, durante edição do evento em 2020, na Passarela do Samba, em frente ao Parque 'Fernando Costa'
Sambas-enredo definidos, costureiras preparando as roupas das apresentações e escolas de samba treinando para o desfile. Tudo está encaminhado para o Carnaval 2022 de Franca. Só falta o principal: a definição da Prefeitura. O município ainda não sabe se poderá colorir a Passarela do Samba, na avenida Chico Júlio, e apreciar a apresentação das escolas de samba francanas.
 
A fim de definir e iniciar o processo, reuniões entre o gabinete do executivo e representantes das escolas já até aconteceram. Mas, a exigência do comprovante de vacinação em eventos culturais e esportivos atrapalha e coloca em xeque a definição do Carnaval em Franca.
 
“Nós tivemos uma reunião segunda-feira, lá no gabinete, onde queríamos tratar sobre, já que as documentações precisam ser entregues até novembro. Mas, nos disseram que aguardavam um novo decreto do governador, já que o atual exige carteira de vacinação. Mas, no nosso Carnaval, se formos exigir isso, não tem como realizar, já que o evento é aberto e fica impossível controlar”, explicou o presidente da Liga das Escolas de Samba de Franca, José Policarpo Soares.
 
A exigência, que parte do Governo do Estado de São Paulo, vale até esta segunda-feira, 1º de novembro. A expectativa, então, é de que o governador João Doria (PSDB), altere a determinação e possibilite a realização.
 
“O governador deve anunciar novas medidas para os eventos. Nossa expectativa é alta pela possibilidade de realização. Ainda mais que São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador já confirmaram os desfiles.” Mas, o prazo é curto. “Precisamos de uma definição até o dia 15 de novembro. Já que organização exige processo licitatório, que demora em torno de 90 dias. Fora que as escolas precisam organizar as documentações”, completou Policarpo.

E a exigência ou não da carteira de vacinação não é único empecilho para a realização da Festa de Momo. Caso o governo libere a presença de pessoas sem a confirmação da imunização contra a covid-19, é necessário que a Prefeitura esteja disposta a financiar a folia.

Para isso, o prefeito deve encaminhar projeto para a Câmara, onde os vereadores devem aprovar a liberação da verba. E no Legislativo francano, com muitos vereadores conservadores ligados a grupos religiosos, o tema é sempre sensível.
 
A Prefeitura de Franca, através da Assessoria de Comunicação, se limitou a dizer que ainda “está avaliando a realização do evento”.

Preparativos
Enquanto não acontece a confirmação, as escolas de samba se preparam na expectativa da apresentação no próximo ano. Muitas definiram os samba-enredo. Algumas já até contrataram as costureiras para confecção das roupas que serão utilizadas na passarela. E praticamente todas já estão realizando os ensaios para conquistar o Carnaval francano.
 
A pentacampeã Ases do Ritmo, visando o hexa, iniciou as preparações há dois meses. Durante todos os últimos sábados, os 20 integrantes da escola se reúnem para fazer bonito em 2022. “Assim que o pessoal da escola recebeu a 2ª dose da vacina, nós voltamos com os ensaios. Mas, antes mesmo desse retorno, nós definimos as questões de enredo, de forma virtual. Agora, todo sábado, estamos ensaiando na expectativa do próximo Carnaval”, disse o presidente da Ases do Ritmo, Regis Augusto Rosa. 
 
A escola Filhos de Gandhi também não ficou atrás nas preparações. Visando interromper a sequência vitoriosa da Ases do Ritmo, a agremiação está há dois meses treinando para o desfile. “Esse ano nós começamos um pouco mais cedo os trabalhos. Já corremos atrás das fantasias, estruturas, além de treinamos três vezes na semana. Agora, só falta mesmo nós termos a definição”, contou o presidente da escola, José Pedro Alves Jr.
 
Caso o Carnaval não aconteça no ano que vem, Policarpo promete que os treinamentos não serão em vão. A ideia é realizar um evento fechado no Parque "Fernando Costa", para que as escolas possam se apresentar. “Se não pudermos desfilar para a população, vamos realizar uma apresentação fechada no Parque. Além disso, vamos definir quem fará parte da Corte Momo”, finalizou o presidente da Liga.

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