IMÓVEL TOMBADO

Casa de Cariolato fica marrom e reforma do prédio histórico chama atenção

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Fachada da casa Cariolato, localizado na esquina das ruas Campos Sales e Thomaz Gonzaga, no Centro
Fachada da casa Cariolato, localizado na esquina das ruas Campos Sales e Thomaz Gonzaga, no Centro

O azul, que estampava a casa que pertenceu a um dos maiores artistas de Franca, o pintor, fotógrafo e arquiteto Bonaventura Cariolato, está sendo trocado pelo marrom. Algo que seria comum em outras residências chamou a atenção na cidade. 

O imóvel, localizado na esquina das ruas Campos Sales e Thomaz Gonzaga, na região central de Franca, é tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico). Por esta razão, não poderia sofrer mudanças sem antes passar pelo conselho.

“A minha casa foi tombada, desvalorizou bastante o meu patrimônio. Continuo pagando meu IPTU. Esses caras querem falar alguma coisa? Aquela casa é minha. Patrimônio da minha família, meu patrimônio. Adoro lá, vivi lá por mais de 40 anos e voltarei para lá”, conta Cassio Pascoal Toscano, de 75 anos.

O imóvel foi alugado pela Prefeitura durante anos, enquanto abrigava o Museu de Cariolato. Mas, quando venceu, em setembro de 2017, foi devolvida à família. Na época, o problema discutido pela administração era qual pasta seria responsável pelo contrato de aluguel que custava cerca de R$ 77 mil aos cofres públicos ao ano. Ou seja, cerca de R$ 6,4 mil ao mês. 

O contrato em vigor era responsabilidade da Secretaria de Educação que, na época, passou a entender que o encargo deveria ser da Feac (Fundação de Esportes, Artes e Cultura). O debate não chegou a um consenso e, por isso a casa foi devolvida. Sem os cuidados da administração, a casa acabou por ficar abandonada até agora, quando o neto do artista decidiu reformá-la.

Apesar de disposto a recuperar a casa, Cassio precisaria encaminhar uma solicitação ao conselho para pintura da casa. “A Condephaat iria analisar e verificar as adequações corretas para fazer esta pintura por ser um prédio tombado”, explica Elson Francisco Bonifácio, ex-secretário de Esporte, Arte, Cultura e Lazer – durante a gestão Gilson de Souza (União Brasil).

Boni, como é conhecido, explica que os imóveis tombados “têm que ser conservados sem comprometer o seu padrão arquitetônico”.

Único neto de Cariolato, Cassio foi contra o tombamento do imóvel em 2006 – durante o governo Sidney Rocha. “Pedi para eles não tombarem. Para que fazer o tombamento? É bonita? Compra. Até iria pedir hoje ao Donizete (da Farmácia, vereador) para fazer um projeto para quem tem imóvel tombado não pagasse IPTU. É o mínimo que poderiam fazer”.

O imóvel foi construído no século de XIX. Cariolato morou na casa até sua morte, em 1989. A família permaneceu no local até 1998 – quando se tornou uma Casa de Cultura. 

Com a entrega da casa à família em 2017, coube à obra do artista (telas, utensílios de pintura, fotografias e projetos arquitetônicos) um pequeno espaço na Casa do Artista Francano. Cariolato foi uma das maiores personalidades da cidade. São deles projetos que marcam a região, como o antigo Cine São Luiz, a Capelinha e o icônico Mosteiro de Claraval. 

Leia mais:
Casa de Bonaventura Cariolato é tombada pelo Condephat
Museu: Futuro de Casa de Cariolato é incerto

Cassio disse que o marrom era usado na época em que seu avô morou na casa, sendo um dos motivos pela escolha da cor na hora da pintura. “Não tinha porque perguntar para eles a cor, porque ninguém sabe qual era a cor original desta casa. Ela já teve várias cores (...) Aquela cor (azul) era indecente”, disse. 

O Condephaat se reúne na terceira quarta-feira de todos os meses. O preside??nte do conselho, Pedro Tozi, afirmou que passará o caso aos conselheiros para avaliação. “(Passando) aos conselheiros e eles acharem por bem fazerem uma extraordinária, nós fazemos”, disse.

A reportagem questionou a Prefeitura sobre o caso, mas até o fechamento deste texto não obteve resposta.

 

   

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários