Profissão que dá a fama pela qual Franca é reconhecida nacionalmente, o sapateiro é um dos grandes movedores da Capital do Calçado. Por volta de 13 mil pessoas, atualmente, levantam cedo de suas camas para montarem os produtos que levam conforto para milhares de pessoas pelo mundo. A importância da profissão é tamanha que nesta segunda-feira, dia 25, é comemorado o Dia do Sapateiro. Data essa que é motivo de orgulho para toda classe, mas que chega em meio às incertezas causadas pelas grandes dificuldades recentes.
“O sapateiro é a profissão de maior orgulho, pois Franca deve muito de sua história, fama e realizações aos sapateiros dedicados, que com seu trabalho projetaram o município mundo afora. Os sapateiros estão aqui mesmo antes da fundação da cidade e chegam aos dias de hoje carregando a tradição de fazer um dos melhores calçados do mundo”, destacou José Carlos Brigagão, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca).
Apesar da reconhecida importância, a classe tem enfrentado grandes dificuldades nos últimos anos. Desde 2014, são sucessivas crises industriais, que se agravaram ainda mais com a pandemia da covid-19. Os sapateiros antes representavam 50% da classe trabalhadora francana. Agora, se veem atrás das áreas de serviço e comércio.
“O maior problema dos sapateiros hoje é a situação econômica: empresários e trabalhadores estão enfrentando o desafio de fechar os custos e manter seus negócios e, respectivamente, seus empregos”, disse Brigagão.
Devido às dificuldades enfrentadas pelo setor, que culminaram em demissões e contratos modificados durante a pandemia, existe quem não encontra motivos para comemorar a data. “Não tem muito a se comemorar nesta data de hoje. Durante o período da pandemia, houve muito desemprego, muitas férias forjadas e muita suspensão de contrato. Ou seja, durante esse período, praticamente só a categoria ou o trabalhador arcou com as consequências”, lamentou Sebastião Ronaldo de Oliveira, diretor do STICF (Sindicato dos Trabalhadores de Calçados de Franca).
Apesar de um futuro incerto, Ronaldo acredita num crescimento no mercado interno e externo para o setor, mas dependerá de medidas a serem adotadas pelos próximos governos. “Acredito que depende muito da política dos próximos governos que terá para poder investir e crescer mais nossa categoria.”
Em alusão à cura da pandemia, Brigagão disse que sem a "vacina" para as sucessivas crises calçadistas, a classe pode até morrer em Franca. “A ‘vacina’ que os sapateiros esperam agora é a solução para a crise, criação de um plano para estabilizar a economia e trazer investimentos. Sem essa ‘vacina econômica’, o risco de morte ainda existe e é muito grave: a morte de nossas indústrias calçadistas por falta de políticas públicas de desenvolvimento industrial”, finalizou.
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