VOLTA ÀS AULAS

Não podemos perder mais nenhum minuto, diz dirigente regional de ensino

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
Turma do ensino médio durante aula na escola estadual 'Ângelo Scarabucci'
Turma do ensino médio durante aula na escola estadual 'Ângelo Scarabucci'
Salas de aula vazias, recreios sem contato entre crianças e adolescentes, aulas através de computadores e celulares. Essa foi a realidade da educação nos últimos 18 meses, ainda que tenha havido uma retomada parcial ao longo do ano. Mas, nesta última semana, a situação mudou nas escolas da rede estadual e particular de ensino de São Paulo - e, também, em Franca. Ainda que seja preciso respeitar o distanciamento de um metro e obedecendo todos os protocolos, os jovens estudantes francanos voltaram a preencher as salas de aula.

A retomada obrigatória teve início na última segunda-feira, 18 de outubro, quando o governo do Estado determinou a retomada 100% presencial. Na prática, o distanciamento necessário de um metro manteve algum grau de ensino híbrido ou revezamento. Em Franca, nas 56 escolas da rede, 98% dos alunos já retornaram, com as escolas cumprindo rodízio entre essas turmas.

A dirigente regional de ensino, Silma Rodrigues, disse que o protocolo não permitiu que nenhuma escola recebesse a totalidade dos alunos matriculados. “Temos escolas que tem salas que conseguem cumprir a totalidade, mas, ou porque tem uma quantidade de alunos menor ou porque o tamanho da sala consegue comportar. Tenho escolas que já falaram que tal turma está indo 100%. Agora, escolas que estão todos os alunos (todo o tempo) ainda não temos”, disse.

Mesmo com a necessidade do distanciamento, o ambiente escolar já se mostrou diferente com esse retorno. Na Escola Estadual Ângelo Scarabucci, na Vila Scarabucci, bastava passar próximo do horário de intervalo e já era possível escutar os alunos botando o papo em dia. Nas salas de aula, todos de máscara, alguns levavam um ‘potinho’ de álcool em gel nos bolsos. Mesa funcionam como barreira entre os estudantes. Ainda assim, foi um alívio para os professores, que puderam ver seus alunos cara a cara, sem a necessidade de uma tela para interagir.

“É muito triste ver uma escola vazia. Elas estavam muito silenciosas, sem esse movimento e o contato com as crianças. As vezes eles ficavam em casa e o contato era só por telefone, nós não estávamos vendo. Ontem, fui numa escola e na hora do intervalo, enquanto via todos os meninos sentados e conversando, teve uma mãe, que está nos ajudando nessa retomada, que falou como era bonito ver todas essas crianças (juntas) por lá”, contou Silma. 
 
Protocolos
A respeito dos protocolos, Silma afirmou que todos os alunos têm levado bem, muito por conta do trabalho realizado nos últimos meses. “Nós estamos com esse trabalho desde setembro do ano passado e acho que até criaram um hábito. Os alunos obedecem até mais que os adultos. Teve até um caso de uma professora que foi tirar uma foto e pediu para um aluno abaixar a máscara, mas ele disse que a mãe falou que era pra ele ficar o tempo todo de máscara. São 24h por dia falando e dando muitas informações”.

Até mesmo nos intervalos, que deveriam ser o maior desafio, por conta da merenda escolar, os protocolos têm sido bem cumpridos e os alunos tiram a máscara apenas para comer. “No começo, o intervalo foi um desafio. Mas, agora, eles já criaram um hábito. Nos pátios, tem um ‘x’ onde eles podem sentar. Eles sentam, tiram a máscara e comem. Até achei uma gracinha eles saindo do refeitório e já colocando”.

Com todos os protocolos, a maior dificuldade entre os professores tem sido nas aulas de educação física. No Ângelo Scarabucci, os educadores físicos da escola afirmaram que precisam quebrar a cabeça na hora de planejar uma atividade. O esporte mais praticado, segundo eles, tem sido o vôlei, já que permite um espaçamento pela quadra e evita o contato direto.

Sem medo
Silma diz que não existe medo por parte dos professores, apenas a expectativa de enfim enxergarem as salas completamente cheias. “O medo já passou. Os professores ficaram com medo quando saiu a obrigatoriedade de os servidores voltarem. Mas, foi algo passo a passo. Os profissionais tiveram uma adaptação e só agora os alunos estão voltando obrigatoriamente. Esse frio na barriga já até passou”.

Ainda assim, Silma enxerga um desafio nessa retomada completa: atender as dificuldades individuais de cada aluno. “Cada um (dos alunos) tem a sua dificuldade. A questão da alfabetização, leitura e escrita são as dificuldades mais observadas. Acho que esse é o desafio. Para o resto nós estamos bem preparados”, disse.

Cada sala de aula contará com um professor de apoio, o que tornará mais fácil até mesmo este desafio. “Durante as aulas mesmo, dentro das salas de aula, o professor terá um outro educador atribuído para dar atenção individual para o aluno com dificuldade. Será um professor que se sentará ao lado do aluno com mais dificuldade, para ajuda-lo, durante a aula mesmo”, explica.  “Não podemos perder mais nenhum minuto. Já perdemos muito. Temos agora que correr atrás do que ficou para trás”, finalizou Silma.

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