MORTO DURANTE SURTO

Tia diz que rapaz em surto estava algemado: 'Matou porque quis'

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Jean Aparecido Santos Silva, de 24 anos, foi sepultado nesta quinta
Jean Aparecido Santos Silva, de 24 anos, foi sepultado nesta quinta

Foi enterrado na tarde desta quinta-feira, 21, o jovem de 24 anos morto a tiros em uma ação policial na rua José de Andrade Filho, no São Domingos, zona Norte de Franca, durante a madrugada de hoje. No sepultamento, familiares questionaram a ação da Polícia Militar, alegando que não havia necessidade dos disparos de arma de fogo.

De acordo com Sônia Pereira dos Santos, 43, que é tia de Jean Aparecido Santos Silva, ele havia saído na semana passada do Hospital Psiquiátrico “Allan Kardec”. Nesta semana, ele estava passando os dias na casa dela e de uma outra irmã, quando durante a noite desta quarta-feira 20, entrou em um surto, que segundo a tia foi diferente dos outros.

“Ele teve uma crise de esquizofrenia... Quebrou a ambulância e saiu para minha casa. Depois, ele voltou para o São Domingos. Meu menino e meu sobrinho foram correndo atrás dele. Quando eles chegaram, já viram os policiais e a ambulância. Ele tomou o tiro de choque e caiu. Ele estava algemado e se levantou. Nisso, os policiais deram cinco tiros nele”, disse a tia, que cuida de mais duas pessoas com problemas psiquiátricos.

A tia contesta a versão de que Jean bateu no policial. “Como que um rapaz em crise, algemado, com pinos de choque no corpo, ia ter condições de agredir o PM”, questionou.

“Eu achei muita covardia dos policiais. Eles mataram o menino porque quiseram, eles sabiam que ele tinha problemas. Eles foram chamados para acudir, não para matar. Foi uma covardia muito grande, um despreparo. Eles não servem nem para cuidar de um animal.”

Sônia disse ainda que seu filho e um outro sobrinho foram agredidos. “Meu filho caçula, que foi atrás do Jean, foi agredido. Meu sobrinho foi agredido. Jogaram spray de pimenta. Eles só não mataram meu outro sobrinho porque a esposa dele, que está grávida, entrou na frente.”

De acordo com o Boletim de Ocorrência, um parente da vítima chegou e tentou soltar Jean dos policiais. Nesse momento, a vítima se desvencilhou de um policial e o agrediu com chutes.

O parente apontado no Boletim de Ocorrência afirmou que não tentou soltar Jean e, sim, acalmá-lo, pois mesmo atingido com a arma de choque, continuava agitado.

“O policial atingiu ele com a arma de choque e ele caiu no chão. Nisso, fui segurar a cabeça dele e falei pra ficar calmo. Eu saí de perto e não sei o que aconteceu, se o Jean ouviu minha voz, não sei. Ele conseguiu se levantar e falou para o policial: ‘O que você está falando para meu primo?’. Aí foi onde o policial se afastou e atirou, deu outro e mais outro. Na maior covardia. Meu primo estava algemado, não precisava ter feito isso”, disse o primo de Jean que preferiu não se identificar.

Após ser atingido pelos disparos de arma de fogo, Jean foi socorrido pela equipe do Samu que estava no local até a Santa Casa de Franca, onde acabou não resistindo aos ferimentos.

O policial foi encaminhado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Anita, com escoriações e fratura no braço.

O corpo de Jean foi velado e sepultado durante a tarde desta quinta-feira, no Cemitério Santo Agostinho. A Polícia Civil investiga o caso.

O que diz a Polícia Militar
A Polícia Militar, em nota, confirmou que Jean estava algemado quando foi baleado e informou que “foi instaurado Inquérito Policial Militar para apurar os fatos e o militar afastado de suas funções operacionais até concluída a apuração”.

Confira a nota na íntegra:

A Polícia Militar esclarece sobre atendimento de ocorrência de “Morte em Decorrência de Intervenção Policial”, que iniciou com a solicitação do SAMU para o apoio no atendimento de uma pessoa em surto psicótico, que já havia danificado a viatura dos socorristas. Uma guarnição chegou ao local e devido à agressividade da pessoa surtada foi utilizado, inicialmente, o dispositivo de incapacitação neuromuscular, propiciando uma diminuição do ímpeto de violência, porém ainda devido a sua agitação foi possível apenas o algemamento pela frente. Enquanto um dos militares chamava por apoio, o indivíduo voltou a ficar agressivo, entrando em luta corporal com o outro policial, causando-lhe lesões e ao investir novamente contra o militar caído, foi realizado uso de arma fogo, vindo a pessoa falecer durante o seu socorro. Foi instaurado Inquérito Policial Militar para apurar os fatos e o militar afastado de suas funções operacionais até concluída a apuração.

A Missão da Polícia Militar do Estado de São Paulo é Proteger as pessoas, Fazer cumprir as Leis, Combater a Criminalidade e Preservar a Ordem Pública e não coaduna com qualquer tipo de violência, pautando-se sempre pela legalidade e agindo dentro de Procedimentos Operacionais Padrão.


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