O sargento da Polícia Militar Tiago Morais Lopes, de 37 anos, foi indiciado por homicídio qualificado pela morte do cabeleireiro Mateus Gustavo Silva, 25, em julho de 2020 no cruzamento das avenidas Brasil e Francisco Delfino dos Santos, no Jardim Paulistano. A Polícia Civil chegou a pedir a prisão preventiva do PM, mas ela foi negada. Ainda não há data para o julgamento.
Na madrugada que ocorreu o crime, imagens de um circuito de segurança registraram toda a ação do policial que estava de folga. Nas imagens, Mateus desceu de um Voyage juntamente com o Tiago. Após uma aparente discussão, o PM entrou novamente no veículo e desceu a avenida Francisco Delfino dos Santos, deixando Mateus para trás.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, Mateus chegou a ligar para o 190 pedindo ajuda, afirmando que estava sendo seguido por um Voyage prata e que o motorista estava armado.
Em seguida, o mesmo carro retornou à avenida Brasil e andou em círculos, até o motorista parar e perseguir Mateus, que foi atingido por cerca de dois tiros. Ele morreu na hora. Depois do crime, Tiago foge, mas momentos depois volta, olha o corpo e sai andando ao ver a aproximação de um casal.
“É muito triste. Eu não tive coragem de ver o vídeo até hoje. Mas, pelo que minha família fala, foi proposital. Ele deveria ter deixado o Mateus ir embora, mas ele voltou para matar. Foi uma execução. O que ele fez é uma execução”, disse a mãe do cabeleireiro, Simone da Silva.
Após a morte do rapaz, o policial militar se apresentou na sede da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) onde prestou depoimento. Nele, o militar afirmou que não conhecia a vítima e que o homicídio aconteceu por causa de uma tentativa de roubo.
Uma testemunha que prestou depoimento da sede da DIG afirmou que por volta das 4 horas estava em um posto de combustíveis na avenida Ademar Pereira de Barros com Mateus, quando um veículo de cor prata se aproximou e o cabeleireiro foi até ele.
“Mateus levantou-se e foi até o carro e ouviu Mateus conversar com o rapaz ‘o que você está precisando ai?’ e de imediato o rapaz (Tiago) disse ‘nada’ e então ouviu Mateus dizendo ‘você faz um corre pra mim?’ e o rapaz disse ‘se colocar dez reais de combustível faço’. Momento em que Mateus virou-se e o convidou para irem fazer um corre, que na gíria naquele momento o declarante entendeu ser buscar droga”, disse a testemunha em depoimento à Polícia Civil.
No mesmo depoimento, a testemunha conta que não entendeu o porquê de Mateus ir no banco traseiro do veículo, já que o motorista estava sozinho. Após isso ficou na rua até de manhã, quando ficou sabendo da morte do amigo.
Após a finalização do inquérito policial, foi solicitado um pedido de prisão preventiva do militar, que foi negado pelo Ministério Público. Depois de mais de um ano do dia do crime, Tiago foi indiciado por homicídio qualificado.
“Passou um ano e três meses da morte dele e ainda é difícil. Dói. E do jeito que foi ainda. Eu espero que ele pague por tudo que fez. Ele tem que pagar. Eu não espero nada além disso. Meu filho cuidava da minha avó e da minha tia. Ele era o homem da casa, elas dependiam da renda dele”, continuou a mãe da vítima.
A família contou que Mateus era um jovem normal. Que tinha defeitos, qualidades, acertava e errava, mas não tinha o direito de ter a vida encerrada assim. “A família segue na fé e com a certeza de que o indivíduo pagará pelo crime. Que ele não passe impune, tanto pela justiça da terra, quanto pela justiça divina”, disse a prima da vítima Simone Silva.
Tiago é Policial Militar há 15 anos. Na época do crime ele estava realizando o curso para sargento, que foi concluído e atualmente trabalha na capital de São Paulo.
Agora Tiago aguardará o julgamento em liberdade, que ainda não tem previsão para acontecer.
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