MÁRIO EUGÊNIO SATURNO

600 mil mortes evitáveis

Por Mário Eugênio Saturno | especial para o GCN
| Tempo de leitura: 3 min

Estamos atingindo mais um número inacreditável de mortes nesta pandemia, são 600 mil mortes por Covid-19. É preciso ser frisado: mortes evitáveis! Evitáveis como foi feito por China, Itália, Espanha, Alemanha, Israel, Nova Zelândia... Através de "lockdown", distanciamento, medidas de higiene, como uso do álcool em gel.

Em janeiro, a vacinação começou mesmo no Brasil, com a CoronaVac e, a partir de abril, com a AstraZeneca. O pico de mortes aconteceu em 12 de abril, com 3.124 mortes na média de sete dias, a partir daí, o número começou a cair até 10 de setembro último com 454 mortes na média. Neste período, a cepa dominante era a de Manaus, chamada de P1 e, posteriormente, gama.

Há pouco mais de dois meses, a mutante Delta chegou ao Brasil, dominando no Rio de Janeiro e invertendo a queda de mortes ali no dia 17 de agosto. Agora precisamos interpretar os dados: as vacinas protegem contra a variante Gama e já sabemos que a Pfizer e a AstraZeneca tem menor eficiência contra a mutante delta. O que provavelmente está acontecendo é que as vacinas estão vencendo a Gama, mas perdendo da Delta. No Estado de São Paulo, a inversão aconteceu no dia 8 de setembro.

No dia 23 de setembro último, foi divulgado que a variante delta já causou 95,2% dos casos de covid-19 na cidade de São Paulo. 4,06% são devidos à variante Gama, segundo estudo feito pelo Instituto de Medicina Tropical e pelo Instituto Adolfo Lutz. A análise foi feita a partir do sequenciamento do vírus em novos casos, durante a última semana de setembro, quando foram detectados 573 infectados com a delta.

No estado de São Paulo, são 5.438 casos do coronavírus, sendo que 55,6% (3.027 casos confirmados) são da variante delta, 43,4% (2.362 casos) são da variante gama, restando ainda as variantes Beta (3 casos) e Alfa (46 casos).

Vemos nos EUA que a Delta mata os que não estão completamente vacinados, ou seja, apenas uma dose de Pfizer não protege adequadamente. Tem a mesma proteção que a CoronaVac observada no Brasil (é um grave erro comparar CoronaVac com AstraZeneca no Brasil, pois esta só começou a vacinar mesmo em abril, assim devemos comparar vacinas no mesmo efeito temporal).

Os senadores da CPI da Covid-19 receberam o documento “Orientações do Ministério da Saúde para manuseio medicamentoso precoce de pacientes com diagnóstico da Covid-19”, que revela o uso de cloroquina e outras drogas ineficazes no tratamento de infectados pela Covid-19, incluindo crianças.

Além deste absurdo, a passagem do general Pazuello pelo Ministério da Saúde ainda foi marcada por desperdício de medicamentos. Foram mais de 25 toneladas de vacina pentavalente e quase 4 toneladas de vacina tríplice vencidas, ou R$ 21 milhões desperdiçados. E ainda 66 doses de um medicamento de alto custo, que custam mais de R$ 12 mil a dose, desapareceram. Não acabou, também sumiram 336 respiradores, que custaram mais de R$ 18 milhões.

Esses são os exemplos da lisura do governo autodeclarado honestíssimo e da negligência por mortes evitáveis deste governo antipatriota e homicida.

 

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