A longa estiagem nestes últimos meses em Franca não só foi decisiva para a grave crise hídrica que levou a um duro racionamento, como também resultou em baixíssimos índices de umidade relativa do ar. Desde que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) passou a registrar os níveis de qualidade do ar em 2006, o período de julho a setembro de 2021 foi o mais seco. Nestes três meses, a média registrada foi de 39,67%. A OMS (Organização Mundial de Saúde) considera aceitável o indíce médio entre 60% e 80%.
O mês com os índices mais baixos foi setembro, que registrou uma média mensal de 37,8%. Já em julho e agosto as médias foram bem próximas, com 40,63% e 40,6%, respectivamente.
Em comparação com os últimos 15 anos, nenhum outro período entre julho e setembro registrou média de umidade abaixo de 40%. Com exceção de 2021, o período com pior qualidade do ar havia sido 2020, com 42,46%. Já o melhor ano foi 2013, que registrou 56,64% de umidade média, próximo do mínimo aceitável.
Nestes meses de 2021, além deste ‘recorde’ nas médias mensais, os índices mínimos registrados em dias específicos também assustaram. Em um comparativo com o deserto do Saara, onde a umidade relativa do ar varia entre 14% e 20%, Franca teve pelo menos 28 dias com registros de umidade do ar dentro desta faixa. Ou seja, foram 28 dias em que, durante algumas horas, a cidade esteve em condições parecidas com aquelas do deserto do Saara.
Pode parecer absurdo, mas houve dias em que a situação foi ainda mais grave. Em oito ocasiões, Franca teve índices mínimos abaixo da média no deserto. Os piores níveis registrados aconteceram no dia 20 de julho, com mínima de 10%, no dia 11 de agosto, também com 11%, e no dia 30 de julho, com 12%.
Entre julho e setembro deste ano, apenas três dias registraram média acima de 60%, indíce considerado aceitável. Os registros aconteceram nos dias 28 de julho, 28 de agosto e 10 de setembro, com 71,3%, 61,3% e 63,6%, respectivamente.
Saúde
Os baixos índices são bastante prejudiciais para a saúde da população. De acordo com o pneumologista Paulo Antônio Faleiros, a principal complicação é a desidratação. “Aqueles que mais vão sofrer são os bebês (abaixo de 1 ano de idade) e os mais idosos (acima dos 80 anos). Pessoas com doenças cardiorrespiratórias também podem piorar suas condições. Por exemplo, pacientes com asma ou insuficiência cardíaca”.
Os baixos índices são bastante prejudiciais para a saúde da população. De acordo com o pneumologista Paulo Antônio Faleiros, a principal complicação é a desidratação. “Aqueles que mais vão sofrer são os bebês (abaixo de 1 ano de idade) e os mais idosos (acima dos 80 anos). Pessoas com doenças cardiorrespiratórias também podem piorar suas condições. Por exemplo, pacientes com asma ou insuficiência cardíaca”.
No caso das pessoas com doença respiratória, a baixa umidade pode provocar grandes complicações ao quadro de saúde, podendo levar até a necessidade de atendimento hospitalar. “Para a asma, pode ser muito prejudicial, pois pode aumentar a tosse, a falta de ar, a chiadeira e pode até provocar dor no peito. A pessoa, então, pode ter sintomas mais graves, necessitando, inclusive, de internação.”
As únicas soluções que podem ser tomadas para diminuir os impactos são a hidratação frequente e o cuidado de evitar exercícios físicos nas horas mais quentes do dia, além de tentar encontrar maneiras de umidificar o ambiente. “Usar umidificador, ligando no quarto por uma hora antes de dormir. As toalhas molhadas no quarto ou a bacia com água também podem ajudar. As medidas a serem tomadas são as mesmas, em todos os casos. E, claro, faça o tratamento correto de sua doença e, se precisar, procure sempre seu médico”, finalizou Paulo Falleiros.
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