Abandonado há décadas e servindo de abrigo para moradores de rua, o prédio da antiga Estação Mogiana deverá ser transformado em galeria comercial com aproximadamente 12 salas. O local deverá ganhar também uma cafeteria com boulevard. Parte do prédio deverá ser reservado para a construção de um espaço cultural, com a instalação de um mini museu do café, além da manutenção da biblioteca municipal, que ainda funciona no antigo imóvel inaugurado em 1887.
O projeto ainda está em fase de conclusão, mas o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) adiantou, no início deste mês, durante coletiva de imprensa para lançar o programa ‘Dignidade’, que a revitalização irá sair do papel, com um orçamento de R$ 2,2 milhões.
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Local está abandonado e depedrado por vândalos
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Local está abandonado e depedrado por vândalos
O prédio, que até pouco tempo abrigava o cartório eleitoral da Estação, um guichê de uma empresa de ônibus (Viação Cometa) e outros departamentos públicos, vem sendo alvo de promessas de políticos há anos. Na administração passada, o discurso era transformar o imóvel em uma subprefeitura, mas nada foi feito.
A prefeitura não deu detalhes de como será a transformação do prédio que é tombado pelo Comdephaat (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Turístico). As informações sobre a transformação do local em um centro comercial foram colhidas através do grupo "Amigos da Estação”, que há décadas luta por melhorias no alto da cidade.
José Baltazar Taveira, 66, comerciante na Estação há 36 anos, espera que o projeto saia do papel dessa vez. “Não só quem mora ou tem comércio na Estação será beneficiado e sim toda a cidade. Eu tenho uma vida na Estação de 36 anos com meu comércio e o sonho não é só dos comerciantes, mas também da população de Franca. Nosso sonho é fazer esse prédio funcionar pra alguma coisa, podendo ser um corredor cultural, uma galeria comercial ou até um mercadão como foi discutido com o prefeito em encontro recente”, revelou Baltazar.
O comerciante lamenta a situação que se encontra o imóvel histórico. “Nós já estávamos ansiosos para entrar um prefeito que olhasse para a Estação, que resolvesse também esse problema de moradores de rua. Eu que fico lá no meu comércio até à noite vejo o abandono total. A presença desses moradores de rua também assusta os clientes, às vezes eles nem param o carro com receio e com a falta de segurança. Isso tem que mudar. Vamos acreditar que essa reforma realmente vire realidade”, concluiu.
Durvalino Moreira, 72 anos, que possui um ponto de taxi em frente ao prédio da Mogiana há 47 anos, conhece como poucos a Estação. Ele acredita que além da revitalização, o local precisa de mais segurança, com a implantação de uma unidade da Guarda Civil ou de uma base da Polícia Militar. “Será importante essa obra para a Estação. A praça (Sabino Loureiro) também precisa de um banheiro público. Foram tantas promessas até agora, mas ninguém fez nada. Será uma boa, mas precisa colocar vigilante dia e noite. Caso contrário a depredação e os furtos continuarão”.
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Durvalino Moreira, taxista na Estação há 47 anos: "Será uma boa"
O taxista acredita que a implantação dos cômodos comerciais poderá aquecer a economia no local e sugeriu até a instalação de uma unidade do Bom Prato naquele prédio. “Seria bom também uma unidade do Bom Prato aqui na Estação, como chegou a ser comentado. Mas o que vir será importante. Mas tem que ter segurança. Quando passa das 10h da noite, isso aqui vira um deserto, fica perigoso”.
A prefeitura informou que o processo de licitação deverá ser concluído até dezembro.
Programa amplo
A revitalização do prédio da antiga Mogiana faz parte de uma mega ação da Prefeitura para sanar o problema de moradores de rua na cidade. Além dessas pessoas que se alojam no prédio da Mogiana, outro grupo de pessoas nessa condição de rua fixou moradia no canteiro da avenida Willan Azzuz, na Vila Gosuen, em frente à Casa de Passagem, morando em várias barracas improvisadas. Para aquele local, a prefeitura tem projeto de construir um centro esportivo, com pista de skate, quadra de basquete, quadra de areia e outros equipamentos. Segundo o próprio prefeito, a obra deverá começar ainda neste mês e está orçada em torno de R$ 700 mil.
Segundo um levantamento recente da secretaria de Ação Social, Franca conta atualmente com 514 moradores de rua. 88 pessoas já estão sendo atendidas através dos serviços criados pela prefeitura. Outras 14 pessoas já foram acolhidas pelo programa “Moradia Primeiro”, em que a Prefeitura paga o aluguel e faz o acompanhamento social do indivíduo ou do casal. Os aluguéis variam de R$ 400 a R$ 500 reais por um tempo indeterminado, até que eles voltem ao mercado de trabalho, com o suporte do poder público, através de cursos profissionalizantes e oficinas.
Diovana Aparecida é uma dessas 14 pessoas que estão sendo assistidas pelo programa Dignidade “Moradia Primeiro”. “Minha experiência de quando eu morava na rua é ruim. Eu sofria muita violência. Agora, na minha casa, eu me sinto bem, livre e protegida, ao lado de meu marido. Estou feliz”, disse a catadora de reciclado.
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