ESPERA ANGUSTIANTE

Mãe teme que bebê de 3 meses perca visão: 'É desesperador'

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo de Família
 Miguel Lucca Ferreira Vieira nasceu com problema na visão
Miguel Lucca Ferreira Vieira nasceu com problema na visão

O pequeno Miguel Lucca Ferreira Vieira tem apenas 3 meses e já enfrenta seu primeiro desafio contra um problema grave de saúde. Logo quando nasceu, foi diagnosticado com catarata congênita – doença causada por infecções intrauterinas, como rubéola, sarampo ou sífilis – que atingiu seus dois olhos. Agora, sem condições de pagar o tratamento ou até mesmo a cirurgia, sua mãe luta para encontrar uma solução para que ele não perca a visão.

Fernanda Ferreira de Souza conta que logo quando Miguel nasceu, percebeu que o olho dele não era normal. Duas “bolinhas” brancas chamavam sua atenção. Ela, então, chamou a pediatra que realizou o teste do olhinho. 

“As bolinhas nos olhos dele chamam a atenção. As médicas fizeram o teste do olhinho e diagnosticaram a catarata congênita. A médica que fez o exame me disse: ‘O seu filho não enxerga, ele vai precisar fazer uma cirurgia. E vai ter que fazer tratamento para o resto da vida’”, contou a mãe.

Após a confirmação do diagnóstico na Santa Casa, Fernanda procurou a Secretaria de Saúde de Franca. Mas, quando chegou lá, descobriu que o papel que a médica lhe entregou não era o encaminhamento para um especialista.

“Ela só me falou o que ele tinha e ponto. Não explicou a gravidade nem nada. Cheguei na secretaria e descobri que precisava fazer o exame de novo. Foi até rápido o exame, mas depois que entreguei o encaminhamento, não tive mais respostas. O encaminhamento fala que ele tem que ir para o HC (Hospital das Clínicas) de Ribeirão, mas o rapaz que me atendeu disse que, por causa da pandemia, eles não estavam chamando há quase um ano. E Franca não tem a estrutura para o caso dele”, continuou Fernanda.

Depois que procurou a secretaria, em junho, quando Miguel nasceu, apenas nesta semana Fernanda obteve uma resposta da Prefeitura. Apesar da resposta, a solução não veio.

“Eles não me explicam a gravidade do problema dele. Agora, uma consulta foi marcada para novembro, mas já se passaram três meses. Eu só quero um tratamento para meu filho ou a cirurgia, se ele for precisar fazer. É muito desesperador, ninguém me dá uma resposta. Eu só quero que meu filho tenha a oportunidade de enxergar”, implorou a mãe.

Fernanda até procurou um hospital particular, mas o alto valor dos convênios e o tempo de carência para uma cirurgia impossibilitaram a contratação.

A resposta, de que Miguel vai passar por atendimento no dia 4 de novembro, só veio depois que a reportagem entrou em contato com a Prefeitura e com a Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde). A família de Miguel teme que, até lá, seu quadro se agrave.

Em nota, a Prefeitura informou que “a Secretaria de Saúde já oficiou a DRS VIII (Divisão Regional de Saúde do Estado), solicitando prioridade no agendamento, uma vez que o tratamento é realizado fora do município”.

A Secretária de Saúde do Estado de São Paulo diz que os casos eletivos são regulados por municípios e regiões e que, por conta da pandemia, os casos urgentes são priorizados. Leia a nota enviada ao GCN:

“O caso do paciente M.L.F.V. está sendo monitorado e será encaminhado para serviço de referência. Os procedimentos especializados, bem como consultas e exames, são ofertados por serviços de referência, sendo competência de cada município a priorização e agendamento dos pacientes via Cross (Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde).

Em virtude da necessidade de salvar vidas e priorizar atendimento aos casos de urgência e emergência em meio a pandemia do novo coronavírus, os casos eletivos podem ser agendados ou reprogramados com base em avaliação caso a caso, dependendo da orientação médica e do quadro do paciente.

Os pacientes que tiverem dúvidas podem entrar em contato com as unidades onde fazem acompanhamento para orientações.

A
 demanda de consultas, cirurgias e procedimentos eletivos (não urgentes) é descentralizada na rede, considerando que há regulações municipais ou regionais, com os respectivos serviços de referência para sua área de abrangência.”

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