FALTA D’ÁGUA

População promove corrida em busca de água em Franca

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
N. Fradique/GCN
Galo Branco registra aumento grande de pessoas em busca de água
Galo Branco registra aumento grande de pessoas em busca de água

  Para enfrentar o racionamento na distribuição de água, a saída encontrada por muitos em Franca é recorrer a pontos que fornecem água gratuitamente na cidade. Os postos Galo Branco e Travessia, Calçados Ferracini (Distrito Industrial) e Parque de Exposição Fernando Costa possuem poços artesianos, conseguem pegar água direto do lençol freático e, com isso, permitem que as pessoas abasteçam seus galões de água sem nenhum custo. 

A posição topográfica do Galo Branco é privilegiada. O poço artesiano tem apenas 45 metros de profundidade com vazão abundante. Já o posto Travessia, localizado próximo ao trevo do Jardim Alvorada, saída para Patrocínio Paulista, por exemplo, precisou de 180 metros para atingir o lençol freático.

Alexandre Martins Colimo, 45 anos, gerente do Galo Branco, confirmou que a água disponibilizada à população passa por análise de qualidade mensalmente. “A qualidade da água é uma das nossas preocupações. Essa água é testada mensalmente. É a mesma água que atende todo complexo nosso, que bebemos e que usamos nas lojas. Nossa preocupação é com a gente e toda a população. Sempre colaboramos com a população e não seria diferente nesse momento que estamos passando com essa crise hídrica”.

O gerente do posto disse também que a empresa já adota medidas para colaborar com o meio ambiente. “Nossa água do lavador (de carros) é reciclada em 40%. Há um projeto na empresa que possibilitará a reciclagem dessa água em torno de 95%”. 

O vendedor Nixon Cintra Mendes, 50 anos, é uma das pessoas que usam a água do Galo Branco para beber. “Estou guardando água em um galão de 200 litros e outros dois de 100, buscando aqui no Galo Branco. Estamos economizando a água da caixa para banhos rápidos e nos afazeres de casa. Sabemos que essa água do Galo Branco é potável e passa por análise periodicamente”, disse Nixon.

Nascentes
As nascentes de água dentro da cidade, que serviram à população em momentos de falta de água, principalmente quando ocorreu o rompimento da adutora da própria Sabesp, no Rio Canoas, há mais de uma década, hoje também sofrem com a seca. Muitas desapareceram por falta de preservação.

Uma dessas nascentes fica aos fundos do Jardim Tropical, às margens da rodovia Cândido Portinari, zona norte da cidade. Hélio Donizete Barbara, de 62 anos, pescador artesanal profissional, morador naquele bairro, lembra de quando buscava água no local. “Eu já usei muito a água dessa nascente para uso doméstico. Toda população dessa região ia buscar água nessa mina, formavam até filas no local. Hoje ela está abandonada e cercada de lixo. Ainda corre um pouquinho de água ali, mas não sei se dá para beber. Espero que um dia essa nascente volte ao normal como era antes, com a preservação ambiental”.


Nascente nos fundos do jardim Tropical: o que restou foi um fio de água
 

O problema
A cidade vem passando por um rodízio no fornecimento de água desde o dia 2 de setembro. Após uma primeira fase do rodízio, com as residências ficando sem água um dia por semana, a empresa endureceu na medida, alterando o abastecimento para 1 dia sem, e 2 com água.

O rodízio iniciado no começo de setembro iria, a princípio, até o dia 17. Depois a data limite passou para o dia 24, já com as medidas mais duras. Nessa semana, o racionamento foi prorrogado para até o próximo dia 29 deste mês, afetando 140 mil casas da cidade com registros de ligações de água.

O abastecimento de água em Franca é feito através do Rio Canoas. O local está com sua vazão abaixo da sua capacidade em mais de 60%, e já vem operando com as captações emergenciais para suprir a demanda. A Sabesp informa que a obra do novo sistema de captação de água do Rio Sapucaí, orçada em R$ 300 milhões, será entregue no segundo semestre de 2022.

  

  

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