PERÍODO DE QUEIMADAS

Um incêndio acontece a cada cinco horas em Franca, aponta Corpo de Bombeiros

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Fumaça toma rodovia da região: ocorrências se disparadas no período de estiagem
Fumaça toma rodovia da região: ocorrências se disparadas no período de estiagem

A cada cinco horas o Corpo de Bombeiros atende um chamado de incêndio em vegetação em Franca. Num período de 99 dias – 1° de junho até 8 de setembro – a unidade atendeu 460 ocorrências na cidade. Uma delas em uma área aos fundos do Distrito Industrial, às margens da rodovia Fábio Talarico, no dia 28 de agosto. Estes incêndios são comuns nesta época, em razão do clima seco e da falta de chuva na região.

Comparado com o mesmo período do último ano, o número de ocorrências cresceu 28,48%. Na época, a unidade atendeu 329 incêndios em vegetação na cidade.

Em 2021, as 460 ocorrências aumentam para 478, quando somados aos atendimentos realizados na região. A corporação atende municípios vizinhos como Aramina, Buritizal, Cristais Paulista, Guará, Igarapava, Itirapuã, Ituverava, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente, Rifaina e São José do Rio Preto.

Um incêndio de grande proporção atingiu Batatais
 na última quinta-feira, 9. Grande parte do município foi coberto por uma enorme nuvem de fumaça. Bombeiros civis e caminhões pipas da Prefeitura, com apoio das usinas Batais e Cevasa, trabalharam para controlar o fogo.

Ainda na quinta-feira, um incêndio atingiu o assentamento 17 de abril, conhecido como fazenda Boa Sorte, em Restinga. Centenas de pessoas ficaram desabrigadas, com suas casas destruídas e animais mortos. Para ajudar estas famílias que passam por dificuldades, a comunidade com apoio do Poder Público iniciou uma campanha de arrecadação de lençóis, roupas, toalhas e outros itens. Os restinguenses afetados foram acolhidos no ginásio de esporte da cidade, onde estão alojadas e recebendo o apoio necessário.

De acordo com a capitã do Corpo de Bombeiros de Franca, Sandra Elaine de Andrade, cerca de 90% das queimadas acontecem por culpa do homem. Algumas das práticas mais comuns que resultam nos incêndios são a limpeza de terrenos usando fogo e o descarte de bitucas de cigarro.

Além das ações humanas, Sandra ressalta, obviamente, a falta de chuva como outro agravante. “Notamos a cada ano um período de estiagem mais severo. Temos o período de seca mais severo nos últimos 90 anos”, disse.

A falta de chuva, somada com o clima seco, fumaça e fuligem podem levar o pulmão a desenvolver uma série de problemas de saúde. “Esse tempo muito seco, juntamente com a fumaça e poluição, faz com que aconteçam muitas alterações nas nossas vias aéreas, principalmente naquelas pessoas que têm doenças respiratórias, como asma, rinite, sinusite... Isso tudo piora”, explica o médico pneumologista Paulo Antônio Faleiros.

Para conseguir atender aos chamados, a corporação trabalha com equipes de prontidão. Homens e mulheres do Corpo de Bombeiros operam em turnos de 24 horas e descansam durante 48 horas. Os bombeiros treinam durante os períodos que não estão em atendimento.

“Quando o Corpo de Bombeiros não está em atendimento, tem uma rotina que ele obedece durante as 24 horas de serviço. Então eles têm os períodos de treinamento. Tem as normativas que eles estão estudando, que eles treinam, para quando receberem o chamado, estejam melhor preparados e com condições de realizar o atendimento no menor tempo possível”, explica Sandra.

A capitã orienta a população a redobrar os cuidados nesta época de clima seco. Não colocar fogo em terreno, não soltar balões, descartar corretamente o cigarro e não fazer “gatos” elétricos são as recomendações básicas.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários