VOLTA AOS ATENDIMENTOS

AME marca 6 mil consultas na primeira semana de retomada

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo/GCN
Prédio do AME no Centro de Franca: consultas em 19 especialidades, além de exames e cirurgias ambulatoriais
Prédio do AME no Centro de Franca: consultas em 19 especialidades, além de exames e cirurgias ambulatoriais

Sem estruturas para atender a alta demanda de internações por covid no início de 2021, transformar o AME (Ambulatório Médico de Especialidades) em um hospital de campanha para atender os pacientes graves foi a única solução em Franca. Se por um lado a mudança salvou centenas de vidas, por outro ampliou a espera de quem já aguardava meses por uma consulta, exame ou cirurgia na rede pública de saúde. Só na primeira semana de retomada dos atendimentos, mais de seis mil consultas foram agendadas.

O hospital de campanha foi aberto em fevereiro deste ano com atendimento exclusivo à covid. Exatos 261 pacientes foram internados ali e, em média, 70,8% deles tiveram alta após recuperação. Desde o dia 1º de setembro o AME voltou a oferecer consultas médicas e não médicas em 19 especialidades, exames e procedimentos de menor complexidade, além das cirurgias ambulatoriais.

Sete dias foram suficientes para o reagendamento das seis mil consultas e 582 exames. De acordo com a Secretaria de Saúde de São Paulo, dentre os principais atendimentos estão as especialidades de consultas de cardiologia, dermatologia, oftalmologia e urologia.

Por conta dos seis meses de suspensão nos atendimentos, os casos eletivos, que são aqueles que não necessitam de urgência, foram reprogramados com base em avaliação individual dos pacientes. Ainda que o ambulatório esteja em contato com as milhares de pessoas na fila, muitas não fazem ideia de como está o procedimento depois que o AME voltou a operar.

É o caso do Roberto Pires de Morais, de 63 anos. O aposentado espera por uma cirurgia de catarata desde março de 2020 e que estava prevista para acontecer nos primeiros meses deste ano. Com a suspensão das atividades por conta da instalação da ala covid, Roberto recebeu uma ligação do ambulatório em fevereiro, onde disseram que a cirurgia teria que ser adiada por conta da pandemia.

“Desde então eu não sei em que pé está essa cirurgia, fora que ainda tenho que passar por uma consulta com anestesista antes. Estou aqui aguardando, mas parece que a situação só piora... Depois que tive a covid em maio, perdi bem mais a visão do meu olho esquerdo”, disse Roberto, que espera pela remarcação.

Simone Aparecida Rosa é costureira de sapato e tem uma filha de dez meses. Segundo ela, a bebê tinha uma cirurgia de frenotomia – um pequeno corte e separação do frênulo da língua – a ser feita ainda neste ano, que foi desmarcada. A costureira também foi avisada da suspensão das atividades no AME, mas ainda não recebeu nenhum retorno sobre quando a cirurgia da filha pode ser marcada.

Vera Lúcia Pereira tenta encaixar a mãe, Zuleica Pereira, de 92 anos, na fila. A idosa a princípio foi atendida na UBS (Unidade Básica de Saúde) do Horto, onde foi diagnosticada com uma ferida no braço que precisa ser operada. Vera Lúcia até tentou realizar o procedimento da mãe na rede privada, mas o custo é de R$ 2 mil e a família não tem condições. No AME, ela ainda não conseguiu agendar a cirurgia.

O número de agendamentos já era alto antes da pandemia e com os seis meses de suspensão dos serviços a espera vai ficar ainda maior. As equipes do ambulatório seguem avaliando o grau de urgência de cada paciente, mas aconselha também que as pessoas entrem em contato com as unidades onde fazem acompanhamento para as demais informações sobre os procedimentos.

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