As peças no tabuleiro da política de Franca já começaram a se movimentar para as eleições de 2022. O número de candidatos para o ano que vem ainda é uma incógnita, mesmo porque ainda há tempo para filiação e registro de candidatos pelos partidos – ou para mudanças de legenda. Na disputa anterior para deputado federal e estadual, havia 21 candidatos pela região: 12 queriam uma vaga na Câmara Federal e nove sonhavam com um assento na Assembleia Legislativa. Ninguém conseguiu se eleger para deputado federal. Dois nomes conquistaram vaga na Assembleia, Roberto Engler (PSB) e Graciela Ambrosio (PL).
João Rocha (PSB), Adérmis Marini (PSDB), Rafael Bruxellas (PT), Flávia Lancha (PSD) e Marília Martins (Psol), que disputaram as eleições municipais do ano passado, são nomes naturalmente cotados para concorrer às eleições do ano que vem.
As articulações são intensas nos bastidores e um nome já foi oficializado como pré-candidato. Sem polêmicas ou maiores disputas internas, o PT indicou Rafael Bruxellas como postulante a uma vaga para deputado federal. “Política não se faz de quatro em quatro anos. Quem me conhece sabe que desde o dia em que eu decidi atuar na vida pública, nunca tirei férias, mesmo não dependendo da política para viver. O fato de sermos o primeiro a lançar essa pré-candidatura é um compromisso que estamos firmando com nossa população, de mais uma vez construir o melhor e mais elaborado programa de políticas públicas pra Franca e também para nossa região”, disse.
Mais discreto, João Rocha diz que ainda é cedo, mas confirma que o PSL/Franca vai participar do processo eleitoral de 2022. “Não é hora de falar em candidatura nesse momento. Estamos estruturando o partido em Franca e região, mas pelo tamanho do partido, não tem como ficarmos sem candidatos de Franca ou da região para estadual e federal. Meu nome está à disposição. Saímos bem maiores da eleição (municipal) do que entramos. Não desativamos nosso escritório e vamos participar, sim, do processo, mas vamos analisar todas as possibilidades”, disse Rocha.
Fábio Meirelles Neto (PSL), que compôs como vice de Rocha na eleição passada, segue na mesma linha. Apesar de evitar confirmar, admite nas entrelinhas que novamente deve caminhar junto com João Rocha. “Um partido grande como o PSL provavelmente deve soltar um federal e um estadual. É natural, numa cidade de 250 mil eleitores, e principalmente pelo vazio de nomes em Franca e na região. Pessoas têm nos procurado e estamos escutando todas as pessoas. Precisamos fortalecer o voto nosso, voto nos candidatos de Franca. Só assim teremos voz na Assembleia e na Câmara”.
O vereador Daniel Bassi (PSDB) busca nos bastidores se viabilizar na disputa para deputado estadual, principalmente caso Roberto Engler resolva se aposentar. “Sinto-me preparado para o que der e vier e gosto de trabalhar pela população, porém, no momento, estou focado em fazer o meu trabalho como vereador e não tenho o que dizer sobre uma eventual candidatura a deputado”, diz. O discurso oficial contrasta com as movimentações de Bassi, que tem marcado seu mandato mais pelas viagens e fotos junto de lideranças estaduais do partido do que pela atuação comunitária propriamente dita. Apesar de estarem em legendas diferentes, muitos identificam no perfil de Engler e Bassi o mesmo eleitorado, o que poderia favorecer o novato se o veterano decidir sair de cena – o que, muitos avaliam, é improvável.
O ex-vereador e radialista Tony Hill, que disputou uma vaga de deputado em 2014, disse que ainda está estudando o cenário político. “Estou analisando a possibilidade de ser candidato a estadual”, confirma. O radialista, que foi eleito vereador pelo PSDB à época, filiou-se ao DEM, legenda pela qual disputou, sem sucesso, uma vaga na Câmara Municipal, e de certa forma depende das movimentações do ex-prefeito Gilson de Souza para poder se viabilizar.
Mulheres na disputa
Marília Martins (PSOL) é outro nome da nova geração ventilado para buscar uma cadeira como deputada. “Nós, do PSOL, ainda não oficializamos pré-candidatura. Neste momento estamos focados em construir o programa, mas claro que após a boa experiência em 2020 estamos considerando lançar candidatura própria para deputados”, admite. Na estratégia de Marília, uma das opções pode ser sair como candidata a estadual numa dobrada com Sâmia Bonfim, eleita deputada federal pelo Psol na última disputa e com base eleitoral na capital paulista. Formada em Letras pela USP, Sâmia conseguiu quase 250 mil votos na disputa de 2018 e acabou eleita com uma das dez maiores votações de São Paulo.
Flávia Lancha (PSD), derrotada em duas disputas municipais sucessivas, deve tentar agora uma vaga de deputada, ainda sem definição oficial se parte para a disputa como federal ou estadual. “Cheguei à conclusão de que posso contribuir mais com as pessoas estando na política. Então eu pensei: por que não?”, disse Flávia, onipresente nas redes sociais, onde tem baseado sua estratégia eleitoral.
Cynthia Milhim Ferreira, primeira-dama de Franca, também é citada pelos articuladores políticos como possível candidata a deputada federal. Sabe-se que no entorno de seu marido, o prefeito Alexandre Ferreira, há opiniões divergentes. Parte considera o momento adequado, parte teme o desgaste que pode ser creditado ao governo Alexandre se a votação ficar abaixo das expectativas. Se decidir concorrer, Cynthia sai candidata pelo MDB, mesma legenda do prefeito.
Dúvidas e mudanças
Adérmis Marini (PSDB), ex-vereador, que chegou a ocupar uma cadeira de deputado federal brevemente em Brasília, por seis meses, quando era suplente em 2017, deve mudar de partido, mas disse que ainda está indeciso sobre uma candidatura para deputado. “Fui procurado por dois partidos e um grupo político me oferecendo a legenda para ser candidato no ano que vem. Minha resposta a ambos foi que não penso em candidatura no momento. Estou muito focado na minha empresa, trabalhando com empreendimentos imobiliários”, disse Marini. Uma das dificuldades enfrentadas por Marini no ninho tucano são as duas derrotas nas disputas para deputado federal (2018) e prefeitura (2020), apesar de ter recebido recursos financeiros significativos do partido. A chance de que receba o mesmo apoio numa próxima tentativa é remota.
O ex-prefeito Gilson de Souza (DEM), que já foi deputado estadual por vários mandatos, desapareceu do cenário político após perder a eleição para prefeito em 2020. Apesar do seu sumiço e da desgastante acusação que enfrenta pelo recebimento de valores indevidos pela empresa que faz a limpeza urbana, caso denunciado pelo Ministério Público e que ainda não foi julgado pela Justiça, Gilson de Souza é reconhecido como hábil articulador até por seus adversários e seu nome é dado como certo na disputa de 2022. Deve tentar reconquistar a vaga de deputado estadual que ocupou por vários mandatos.
Reeleição
Franca conta com dois deputados estaduais que são candidatos naturais à reeleição no próximo ano, Roberto Engler (PSB) e Delegada Graciela (PL). Graciela deverá repetir a dobradinha com seu irmão, o delegado David Abimael David, que concorreu a federal na eleição passada. Ele não foi eleito.
“Nunca se trabalhou tanto por Franca e região. Vou disputar a reeleição para dar sequência a este resultado positivo”, confirma Graciela Ambrosio. “Estamos construindo um projeto político para Franca e região de compromisso com as cidades. Quero poder ajudar mais os municípios, pois tenho objetivos comuns, junto com o delegado David, que buscará uma vaga na Câmara Federal. Será muito importante para Franca e região implementar seu desenvolvimento”, afirma.
Na cidade, muitos apostam na aposentadoria de Roberto Engler, que há 32 anos ocupa uma cadeira na Assembleia Legislativa. Sua assessoria disse que uma série de situações estão em avaliação, sejam variáveis políticas - assuntos internos do PSB, convites de outras siglas, alinhamento diante dos candidatos aos cargos majoritários -, sejam aspectos pessoais. "Não é, ainda, o momento de pensar em eleições. Estamos buscando fazer o melhor possível diante de todas as dificuldades adicionais que enfrentamos ao longo do atual mandato. Na hora certa, essa decisão de buscar um nono mandato ou não será tomada", disse Engler.
As eleições nacionais de 2022 devem ser realizadas em outubro. O último dia para filiação partidária e registro de partidos é 7 de abril.
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