CARÍSSIMO

Preço da energia elétrica dispara e coloca francanos em apuros

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução

“Era R$ 220 a R$ 240. A última (fatura) veio R$ 440”. Márcia Helena Palamoni Grace, de 48 anos, sentiu no bolso o reajuste no preço da energia elétrica. Casos como o dela se repetem em toda cidade, devido os constantes reajustes tarifários anunciados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).  

Em uma casa no Jardim Guanabara, Márcia mora com o marido e dois filhos. A família fez cortes, mas não obteve resultado. “Meu marido colocou (lâmpadas) de led, porque são mais econômicas. Nós não estamos usando máquina de limpar quintal, pois dizem que puxa muita energia. Muitas coisas temos tirado e não tenho visto nenhum progresso”.

“Antes eu pagava em torno de R$ 85. Este mês veio R$ 213”. Para Rita de Cassia Oliveira, de 38 anos, o chuveiro é o maior inimigo na hora de pagar o boleto de energia. “Acredito que seja o chuveiro, porque tem duas crianças e retirá-las é meio complicado”, explica.

Economizar no supermercado foi uma das formas encontradas pela moradora do bairro Nova Franca para equilibrar o orçamento. “Tentar não deixar a lâmpada acesa. Cobrar as crianças para desligarem. Diminuímos o tempo de televisão. No mercado tentamos comprar as coisas que estão mais baratas, pegar promoção ou outras marcas”.

Além dos eletrodomésticos, José Goulart Neto, de 39 anos, possui máquinas de pesponto, costura, montagem e compressor em sua casa. Para pagar as contas, o fabricante de calçados aumentou o tempo de trabalho. “Estou aproveitando e trabalhando mais. Estou trabalhando aos sábados também, puxando um pouco mais durante a semana, fazendo hora extra, para conseguir arcar com tudo”.

O fabricante mora com a mulher e os três filhos no Jardim Santa Mônica. José costumava pagar cerca de R$ 300 na conta de energia. Com os últimos reajustes, o preço subiu para R$ 400.

“Não resta outra saída a não ser aproveitar o momento para trabalhar e conseguir pagar tudo isso”, completou.

 

Bandeiras e valores cobrados
O Brasil sofre com a falta de chuvas, resultando em baixos níveis nos reservatórios das hidrelétricas, responsáveis pela produção energética que abastece grande parte do país. Para garantir o fornecimento ao consumidor, as usinas termelétricas são acionadas.

A produção pelas termoelétricas é mais cara, acarretando taxas extras, conhecidas como Bandeiras de Energia. Cada estágio representa um valor adicional, calculado por 100 kWz. Confira:

  • Bandeira Verde – sem cobrança adicional
  • Bandeira Amarela – R$ R$ 1,343
  • Bandeira Vermelha Patamar 1 – R$ 4,169
  • Bandeira Vermelha Patamar 2 –  R$ 9,49
  • Bandeira de Escassez Hídrica – R$ 14,20

Anunciada pela Aneel na última terça-feira, 31, a Bandeira de Escassez Hídrica representa o maior valor cobrado ao consumidor. A nova bandeira está valendo desde a última quarta-feira, 1°, com vigor até abril de 2022.

 

CPFL
A CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) é responsável pelo abastecimento em Franca. A companhia cobrava R$ 83,79 a casa 100 kWh usados, considerando agosto de 2021, quando estava na Bandeira Vermelha Patamar 2.

“Após o atraso na conta, a empresa deve avisar o consumidor da inadimplência na conta de energia. Depois desse aviso, são contados 15 dias. A partir desse prazo, já pode ser feito o corte”, explica a assessoria da companhia.

A reportagem questionou a CPFL sobre a quantidade de inadimplentes em Franca. A companhia afirmou não poder informar a quantidade antes da divulgação de resultados por ser uma empresa de capital aberto.

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