Há 25 anos, Douglas Aparecido Miquelino, de 36 anos, morava na região próxima de onde foi morto durante a madrugada deste sábado, 28, no Parque Universitário. O caseiro trabalhava em uma das chácaras há dois anos, mas de acordo com o pai, Ilson de Souza Miquelino, que também é caseiro, o filho vivia nas fazendas vizinhas desde os 11 anos de idade. Ao contrário da versão dos policiais, Ilson garante que não houve tentativa de assalto.
Foi por volta das 2h40 que Douglas saiu de casa e desceu para a avenida. Ele portava um facão e teria abordado um casal que estava do lado de fora de um carro estacionado na avenida. O veículo, no entanto, era de um policial militar que estava de folga e, depois de ameaçado, reagiu com tiros em direção ao caseiro. Segundo o boletim de ocorrência, Douglas teria anunciado um assalto e tentou agredir o casal com o facão.
O pai, por sua vez, nega a versão. “Meu filho costumava mesmo descer para pedir que o pessoal abaixasse o som. Sempre fazia isso, porque essa avenida é um pouco bagunçada, mas estão falando nas redes sociais que ele era um bandido e isso ele não era”, afrimou.
Ilson também cuida da fazenda, mas morava em uma casa diferente da de Douglas, que vivia com a mulher e uma filha de apenas 4 anos. Quando aconteceu os disparos, ele ouviu ao menos sete tiros e correu para saber o que havia acontecido. No boletim de ocorrência, os disparos de 13 cartuchos de uma pistola foram registrados.
“Ele foi morto dentro da propriedade, porque quem atirou nele, atirou pelas costas. De onde eu moro, lá em cima, levei 15 minutos para chegar e a polícia já estava toda lá no local, tanto é que não me deixaram chegar perto do corpo. Tive que fazer o reconhecimento de longe mesmo. Até falaram que podia não ser meu filho, mas eu vi que era ele pelo que descreveram e também porque tudo aconteceu do lado da casa dele.”
De acordo com o pai, a avenida costumava ter algum movimento, mas no momento em que desceu para ver o que havia acontecido não tinha ninguém no local, a não ser a polícia. Ilson ainda disse que desconhecia se o filho abordava as pessoas de forma agressiva, mas garante que de forma alguma ele teria planejado um assalto.
“Falaram que foi uma tentativa de assalto, mas não foi. Isso eu garanto e vou provar que não foi tentativa de assalto. Podem falar o que for, mas isso não foi. Ele é funcionário, trabalhador, não tem passagem com polícia e é de família”, disse Ilson.
O delegado da Polícia Civil David Abmael David, que estava de plantão quando a ocorrência foi registrada, confirma a afirmação do pai da vítima: Douglas não possuía passagens pela polícia.
O corpo de Douglas Miquelino será velado neste domingo, 29, na sala 4 do velório São Vicente, a partir das 6 horas. Até a publicação deste texto, não havia informações sobre o sepultamento.
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