FEBRE

'Efeito Fadinha': conquista de Rayssa contagia e skate vira mania nas pistas de Franca

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Dirceu Garcia/GCN
Gerônimo Karlos, 16, manobra na pista de skate do Bueno: esporte ganhou impulso depois dos Jogos de Tóquio
Gerônimo Karlos, 16, manobra na pista de skate do Bueno: esporte ganhou impulso depois dos Jogos de Tóquio

O efeito “Fadinha” já provoca impacto no skate em Franca. O interesse das pessoas pela modalidade cresceu muito na cidade após Rayssa Leal encantar o mundo com suas manobras radicais nas Olimpíadas de Tóquio, no Japão. A brasileira de 13 anos tem despertado o interesse de crianças e adultos para a modalidade que ainda tem pouco incentivo por parte das autoridades, mas virou mania nas praças e pistas existentes em Franca.

Miguel Carrijo Bassi, de 11 anos, é um dos tantos garotos da cidade que passaram a frequentar áreas de lazer tentando se equilibrar sobre a pequena prancha de madeira com rodinhas. A ‘arena’ escolhida foi a pista do Jardim Bueno. O garoto disse que ficou com vontade de “ficar bom” ao ver a “Fadinha” ganhar a medalha de prata em Tóquio. “Sempre gostei muito de skate. Vendo os caras na TV, quis praticar. Vi a “Fadinha” nas Olimpíadas e me deu vontade de ficar bom também. Ainda tenho que aprender as manobras pra ficar bom igual a ela”, sonha o garoto.

Luís Gabriel Bassi, que acompanhava as manobras do filho do lado de fora da pista, disse que incentiva Miguel a praticar todos os tipos de esportes, mas que agora, o garoto não larga do skate. “Eu acho bacana. Eu também andava de skate quando menino, mas não foi meu ponto forte. Incentivo meu filho a praticar todos os esportes, mas a onda do momento é o skate. Ele vem gostando muito. Sempre que posso trago ele aqui (na pista do Bueno)”, contou Luís Gabriel, que mora no Bairro São José.

Os skatistas mais experientes dividem o mesmo espaço nas pistas de Franca com os recém-chegados, naturalmente mostrando mais habilidade sobre o equipamento. Mizael Silva Lima, 24, disse que o feito de Rayssa do outro lado do mundo serviu para abrir a mente de pais e crianças para o skate. “Essa conquista da ‘Fadinha’ está podendo mostrar mais sobre o skate para a galera, a união que é sempre um tentando ajudar o próximo. Vai despertar muita criança para começar a andar”, disse Mizael, cobrando melhor estrutura para o esporte na cidade. “Acho que precisa arrumar as pistas e a iluminação. A galera também precisa se conscientizar e cuidar mais dos espaços públicos”, pediu o skatista, que mora no Parque Progresso e pratica o esporte há oito anos.

O skate também vem superando tabus ao logo da história. O esporte, predominantemente masculino nas suas origens, já não é mais ‘coisa de menino’. ‘Culpa’ da Fadinha. “Esse resultado nas Olímpiadas foi importante para a cultura do skate. Vai ajudar a abrir a mente das pessoas em relação a esse esporte. Ainda há preconceito com relação às meninas que gostam de skate, mas a procura das “minas” aumentou. Todo mundo está andando agora. Estou aprendendo aos poucos e sempre busco um lugar para andar”, disse Tainá Cristina Neves, de 25 anos, que mora no bairro Mundo Novo, zona oeste, e também frequenta a pista do Jardim Bueno.

Tainá disse que se ‘arrepiou’ com a conquista da brasileira no Japão. “Ela foi sensacional. Me emocionei muito com as meninas representando bonito... Foi emocionante. Foi de arrepiar. Com certeza elas vão ajudar as crianças a despertarem para esse esporte”, disse. As outras brasileiras que representaram o Brasil no skate street em Tóquio foram Letícia Bufoni e Pâmela Rosa.

A ‘febre’ do skate também mexe com aqueles que não acompanharam as provas tarde da noite pela TV, mas estão tocados pelo momento olímpico. É o caso de Otávio Lago, de 10 anos. “Não conheço a “Fadinha”, mas pedi para meu pai comprar um skate. Acho legal”, disse o garoto.

O pai de Otávio, Luís Lago Júnior, disse que a febre deflagrada pelo fenômeno Rayssa Leal contagiou seu filho, ainda que indiretamente.  “Meu filho gostava um pouco, mas como todo mundo agora tem um skate, ele pediu pra eu comprar um pra ele também. Ficou insistindo e compramos. Isso é muito bacana porque traz a criança para o esporte, para alguma atividade, principalmente depois de um tempo sem sair de casa por conta dessa pandemia”, disse Luís Lago, que mora na Santa Rita.

Franca conta com apenas três pistas de skate. Uma na Praça da Cultura, no Parque Leporace; outra na Praça “Lazaro Alves de Oliveira”, no Jardim Bueno; e a última no complexo Poliesportivo. A prefeitura informou que deverá implantar novos espaços para atender a demanda dos praticantes de skate. “Fomos contemplados com uma nova praça de skate e, brevemente, a Praça da Juventude, do Jardim Redentor, também será revitalizada. A Prefeitura sempre fomentou a prática de todos os esportes e acredita que o efeito das Olimpíadas irá aumentar a procura por locais para praticar a modalidade”, disse Matheus Caetano, presidente da Feac (Fundação de Esportes, Arte e Cultura).

Apresentação
O skate estreou nas Olimpíadas de Tóquio nas categorias street e park e está confirmado na próxima edição das Olimpíadas, que acontecerá em Paris, França, em 2024. Há estudos para implantar o esporte nas próximas edições dos Jogos Regionais e Abertos, promovidos pela Secretaria de Esportes do estado de São Paulo.

A modalidade rendeu três medalhas para o Brasil no Japão: Além de Rayssa Leal, Kelvin Hoefler conquistou a medalha de prata no street. Na categoria park, Pedro Barros também trouxe uma medalha de prata. No total, o Brasil conquistou 21 medalhas no Japão: sete ouros, seis pratas e oito bronzes, o melhor resultado da história.

 

 

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