A vida da coladeira Nadir de Oliveira Alves é uma daquelas que parece mais um dramático filme de Hollywood. Mas, ao contrário das histórias fictícias que movimentam milhões, a história dela é real. Em pouquíssimo tempo, viu sua vida mudar, quando seu filho Luan Henrique de Oliveira Alves, de 27 anos, teve uma parada cardiorrespiratória. Uma mãe trabalhadora começou a conviver com enormes dificuldades e o filho está há mais de um mês inconsciente numa cama de hospital.
“Meu psicológico está muito abalado. Penso daqui alguns meses ou até anos, mas não dá pra ter certeza se ele vai se recuperar. Às vezes estou na minha moto e até desligo de tanto pensar nisso. Estou sem serviço e meu filho nessa situação”, diz a mãe de Luan, Nadir de Oliveira.
O drama de Nadir começou na tarde do dia 2 de julho de 2021. Luan estava na cozinha da casa de um amigo, ajudando a consertar um notebook. De repente, em um milésimo de segundo, sofreu uma parada cardiorrespiratória. Os amigos ligaram para dona Nadir, mas ela por conta do trabalho não pôde atender. Só foi ficar sabendo horas depois, com o filho já na Santa Casa de Franca.
“Eu estava trabalhando e eles tinham me ligado. Mas como as normas da fábrica são para que a gente não atenda, eu não atendi. Aí cheguei em casa, numa sexta-feira, e vi várias chamadas. Foi a conta de eu arrumar as coisas para lavar, o celular tocou de novo e a sogra do amigo dele disse que o Luan estava passando mal e eles foram com ele para Santa Casa. Já pensei que tinha sido algum acidente. Fiquei louca. Até passei mal na hora”, relembrou.

Luan (à direita), antes de sofrer a parada cardiorrespiratória (Arquivo pessoal)
De início, foram 24 dias que o jovem ficou internado no hospital. No dia 28 de julho, foi autorizado o retorno para casa. Sua mãe Nadir o recebeu na casa da avó e lá ele recebeu os cuidados de uma prima e da mãe. Só por 4 dias. Luan sofreu com uma pneumonia e teve que retornar ao hospital. “Eu nunca mexi com isso de traqueo e meu psicológico já não ajudava. Então, tinha que estar tudo bem limpo e eu não estava conseguindo. Aí ele pegou essa pneumonia e teve que voltar”.
Desde então, a vida de Luan se resume a uma cama de hospital, onde se alimenta por meio de sonda e respira com a ajuda de traqueostomia. “A cada antibiótico que ele toma eu sinto que fica pior. Ele emagreceu demais. O joelho dele esquerdo está muito inchado. A mão dele esquerda também está sempre muito inchada. Nem corresponde quando a gente mexe com ele”.
Dona Nadir mal imagina o que deixou o filho nestas condições. Principalmente pelas características que o descreve com orgulho, de um jovem bastante brincalhão, trabalhador e responsável, que não se envolvia com nada perigoso. “Ele nunca teve nenhum problema de saúde. Nunca. Ele não bebia, não fumava. Até hoje não entendo o que aconteceu. Se tivesse sido um acidente, por exemplo, pelo menos eu saberia o motivo. As vezes quero aceitar, mas não consigo. Fico imaginando que ele está lá e que foi do nada”.
Além do sentimento da mãe, outra dor difícil de explicar é a da pequena Eloá, filha de Luan. Mesmo com quatro anos, ela sente a distância do pai e tenta sempre se mostrar positiva na recuperação do rapaz, nas poucas ligações que faz a ele. “A Eloá é muito apegada com ele. Às vezes, eles ligam na Santa Casa e ela divide chamada e começa a falar: ‘papai, você vai melhorar. Papai, levanta dessa cama. Você está lindo’”
Com toda essa luta, que abalou o psicológico da sapateira, ela ainda ficou desempregada e batalha contra uma outra dificuldade: o financeiro. Vivendo na casa da mãe desde que o filho teve a parada cardíaca, Nadir ainda compartilha o espaço com um irmão PCD (Pessoa Com Deficiência). “Eu estou sem emprego, com um filho desse jeito, sem condições nenhuma. E, agora, estou vivendo com a minha mãe que é aposentada e meu irmão também é. A água e luz estão vindo caríssimas, coisa de R$ 600. Tudo complicou para piorar ainda mais meu psicológico. Estou sem chão”.
Outro problema é a dificuldade em conseguir um auxílio aposentadoria para ela e para o filho. “Meu advogado disse que para conseguir os benefícios dele e o meu será bem difícil, já que eu conto com a ajuda da minha mãe. Ele disse que eu precisaria estar sozinha numa casa com ele. Mas não tem como eu viver com ele sozinha numa casa, com ele desse jeito”.
Como ajuda, vários amigos da época de trabalho de Luan têm auxiliado Nadir, principalmente com a compra de fraldas para o rapaz. “Os amigos de quando ele fez Tiro de Guerra têm ajuda muito. O pessoal da época que ele trabalhava também está ajudando. Nunca imaginei que meu filho fosse tão querido assim, mas muitos apareceram depois que souberam da situação dele”.
Mesmo com essas colaborações, ela ainda tem passado por bastante dificuldade e disponibiliza uma chave pix (16 99252-4908) para quem se disponibilizar a enviar qualquer valor.
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