TRADIÇÃO

Corridas hípicas ameaçadas? 9 de Julho fecha as portas

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Competidor do 9 de Julho em imagem de 2006
Competidor do 9 de Julho em imagem de 2006

A pandemia atingiu em cheio também os clubes hípicos de Franca e região. A tradição das corridas hípicas está ameaçada depois da paralisação da modalidade nos dois últimos anos. Apesar do desmanche de várias tropas, as equipes sobreviventes apostam na retomada da modalidade no próximo ano. 

Diferente dos que acreditam na volta dos campeonatos, o 9 de Julho, segundo maior vencedor ao longo da história das corridas, fechou as portas definitivamente. Fundado em 1967, o time do Paiolzinho detém 9 títulos. O maior recordista de títulos é o Cristais Paulista, com 12.

As corridas hípicas foram criadas em 1953 pelos padres do Mosteiro Cisterciense de Claraval para promover a união e lazer entre as pessoas. As competições chegaram a contar com 18 equipes, mas atualmente são apenas seis em atividade. O 9 de Julho seguiu o mesmo caminho de clubes que foram extintos ao longo do tempo, como Cruz Santa, Borda da Mata, União de Cristais, Restinga, São José da Bela Vista, Patrocínio Paulista, Capetinga, 3 Colinas, União e São Bernardo.

“Em 2017, antes da pandemia, o Gaeta (ex-presidente) já havia fechado o clube. Vendeu todos os cavalos e também o campo. No ano seguinte, outra diretoria tentou manter a equipe em atividade começando do zero, pagando aluguel de campo, mas não conseguiu parceiros. O gasto é muito grande. Com isso, o clube fechou as portas no ano passado ao sentir também os efeitos da pandemia”, lamentou Carmen Lucia Moreira Rodrigues de Castro, 60, ex-diretora da agremiação do Paiolzinho.

Carmem disse que o clube se manteve em atividade até onde pôde. “É difícil fechar um time, envolve muito sentimento e precisa ter muita coragem. Fomos até onde conseguimos porque é um esporte muito caro e também ficamos muito tristes de saber que um time de raízes na roça, tradicional, não conseguiu continuar. Esse esporte é caro e acredito que podem surgir mais times nessa condição de fechar as portas”. 

A modalidade tem um alto custo de manutenção dos cavalos, com ração, medicamentos, trato especial, pasto, transporte. A média de investimento para formar uma equipe competitiva gira em torno de R$ 30 mil a R$ 50 mil/mês.

Apesar das dificuldades e dos desmanches de tropas, Edgar Junqueira, 57, envolvido na modalidade há mais de 30 anos, acredita que a crise imposta pela pandemia vai passar e a tradição das Corridas será mantida. “Os clubes estão tentando se reestruturar. A pandemia vai fazer esse esporte ressurgir muito mais forte. São muitos anos de tradição passada de pai para filho. Este ano seriam comemoradom os 68 anos das Corridas Hípicas desde o primeiro campeonato em Claraval, onde tudo começou”, disse Edgar, diretor da Liga Regional de Corridas Hípicas e fiscal de provas. “Meu filho é fiscal como eu e têm muitas famílias com cavaleiros que estão na quarta geração”.

Edgar lamenta que o 9 de Julho não vai mais competir. “É triste, pois é um time tradicional com nove títulos e muito importante na história das Corridas. Não sei o que aconteceu. O clube mudou de campo, passando a mandar suas provas no “Speed Park” e depois foi para o campo do 3 Colinas. Agora resolveram encerrar as atividades. Lamentamos muito”, concluiu Edgar.   

As Corridas Hípicas viveram seu auge na década de 1990, com as provas nos campos da região reunindo até 10 mil pessoas na fase final com cobrança de ingressos nas arenas. Nessa época, cavalos de ponta chegaram a ser avaliados em R$ 100 mil. A raça que predomina na modalidade é o Quarto de Milha. 

Há dois anos com a modalidade parada devido a Pandemia, os Clubes Hípicos que devem seguir competindo são o 6 de abril (Ibiraci – último campeão), Areia, Cristais Paulista, Ribeirão Corrente, Claraval, Cássia e Franca. “O público é muito apaixonado. Assim que o campeonato voltar, essa crise também vai embora”, finaliza Carmem.

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