LEGISLATIVO

Câmara reprova Semana LGBT no calendário oficial de Franca

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
N. Fradique/GCN
Público presente se revolta após reprovação do projeto da ‘Semana LGBTQIA+’, em sessão da Câmara Municipal, nesta terça-feira, 10
Público presente se revolta após reprovação do projeto da ‘Semana LGBTQIA+’, em sessão da Câmara Municipal, nesta terça-feira, 10
Dez vereadores votaram contra a comunidade LGBTQIA+ na sessão da Câmara Municipal nesta terça-feira, 10. O projeto de lei que instituía a Semana de Orgulho LGBTQIA+ de Franca no calendário oficial de eventos no município obteve três votos favoráveis - de Lindsay Cardoso (Cidadania), Gilson Pelizaro (PT) e Donizete da Farmácia (MDB). Os dois primeiros são autores do projeto ao lado de Marcelo Tidy (DEM), que curiosamente votou contra.
 
Antes da votação, o vereador Donizete da Farmácia discursou para justificar seu voto. Inicialmente, ele era contrário ao projeto por conta de dois artigos, dizendo que se eles fossem retirados, votaria a favor. O que ocorreu. “Se retirar dois artigos que não obrigue repasse de dinheiro público em organização e cartazes em repartições públicas, eu voto favorável.” 
 
A votação foi acompanhada por várias pessoas da comunidade LGBTQIA+, além de representantes de igrejas evangélicas que normalmente demonstram posicionamento contrário à causa. Após o resultado divulgado no painel, parte dos defensores do movimento começou a gritar e provocar os parlamentares que foram contra a implantação do projeto.
 
Guilherme Cortez, um dos representantes da comunidade, que desde a manhã desta terça-feira acompanhou o processo de votação, inclusive, chegando a discursar na Tribuna em defesa à causa, lamentou o resultado. “A rejeição por ampla maioria dos votos é lamentável e surpreendente. O calendário oficial do município tem várias datas comemorativas dos mais diversos tipos - 14 dizem respeitos apenas à comunidade cristã, fora outras várias datas que a gente não precisa fazer um juízo de mérito: Dia do Jeep, do Observador de Aves e várias outras”, lamentou.
 
Pelizaro, co-autor do projeto, disse que a comunidade LGBT não foi reconhecida. “Tenho certeza que vários vereadores e até o prefeito (Alexandre Ferreira, MDB) receberam votos da comunidade. Até porque ele (prefeito) tinha em seu plano de governo política voltada a esse público. Infelizmente, no âmbito do Legislativo, para criar uma semana de conscientização contra a violência e preconceito ao público LGBT, a Câmara votou contrariamente.”
 
Lindsay Cardoso, primeira signatária do projeto, se mostrou bastante contrariada com a reprovação do projeto. “Não vou comentar nada agora. Estou muito chateada e triste com a reprovação desse projeto considerado importante para a comunidade LGBTQIA+.”
 
A votação foi 10 a 3, porque o vereador Daniel Bassi (PSDB) não esteve presente na sessão devido problemas familiares, e o presidente da Câmara só vota para desempate.

Tidy deixou o plenário assim que a votação foi encerrada. A reportagem tentou contato com o vereador por telefone, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.
 
Diretor
A Câmara Municipal realizou mudança no cargo de diretor geral da Casa de Leis durante a sessão desta terça-feira. Paulo Faria Pereira, que havia sido nomeado pelo ex-presidente Pastor Palamoni (PSD) deixa o cargo, assumindo seu lugar Thales Canzaroli, por indicação do atual presidente da Câmara, Claudinei da Rocha (MDB). Paulo foi homenageado pelos vereadores e funcionários da Câmara com Moção de Aplausos.

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