“Mais rápido, mais alto, mais forte - juntos.” Assim como o lema das Olímpiadas, o sentimento olímpico é dividido, não apenas entre os atletas, mas entre todos que fazem parte da caminhada ou se sentem representados pela chegada do esportista entre os melhores do mundo. Alguns francanos tiveram a oportunidade de participar ou aprender com quem participou dos Jogos. Adrianinha, Fransérgio, Carlão e Helinho descrevem este sentimento pela ótica do atleta, comissão técnica e família.
Adrianinha do Basquete
Não foram uma ou duas, mas cinco edições. Adriana Moisés Pinto, conhecida como Adrianinha do Basquete, participou das Olimpíadas de Sidney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008), Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016). Em Sidney, na Austrália, a brasileira tinha apenas 20 anos. Além da experiência adquirida, o retorno ao Brasil veio com a medalha de bronze, melhor resultado da Seleção Brasileira Feminina de Basquetebol em Olimpíadas.
“Sidney foi a que tivemos a medalha de bronze. Apesar de muito nova me senti parte, porque tínhamos a equipe muito unida. O segundo melhor resultado foi em Atenas, quando ficamos em quarto lugar. A gente perdeu o bronze para a Rússia (71 a 62)”, conta Adrianinha.
A francana descreve como “um sonho realizado” disputar as Olimpíadas e defender a camisa verde e amarela. “Você pensa em seu país, em Deus, em sua família, nas coisas boas que temos na vida. A gente aprende a amar com todas as dificuldades que temos aqui. A gente ama ser brasileiro.”
Fundadora de uma escolinha de basquete no Nordeste, Adrianinha busca outras medalhas. “Hoje como formadora, a minha medalha é ver uma criança se apaixonar pelo basquete. Uma criança ver no esporte uma oportunidade de mudar de vida, de estudar. O esporte transformou nossas vidas, a gente tem a obrigação de passar isso adiante.”
A escolinha AADB (Adrianinha Basketball) atende mais de 300 alunos, entre 8 e 18 anos, sendo cerca de 120 através do projeto social. Além da escolinha, tem os times de alto rendimento do sub-14 ao sub-19. O atendimento é realizado na Grande Recife (PE). Adrianinha escolheu o Nordeste brasileiro, devido à falta de projetos sociais na região. “Vi que aqui poderia fazer mais diferença do que em Franca.”
Fransérgio
Os Jogos Olímpicos de Munique (1972) foram marcados pelo maior atentado terrorista em uma competição esportista. O grupo palestino Setembro Negro aproveitou o frágil esquema de segurança e sequestrou 11 atletas judeus, da comissão israelense. O objetivo era negociar a soltura de mais de 200 presos palestinos, que estavam em prisões de Israel. O Atentado de Munique, ou Massacre de Munique, como ficou conhecido o episódio, culminou na morte de 17 pessoas – sendo cinco atletas e seis treinadores israelenses; um policial alemão e cinco membros do Setembro Negro.
Francisco Sérgio Garcia, irmão de Hélio Rubens Garcia, participou das Olimpíadas de Munique. O atleta da Seleção Brasileira Masculina de Basquete, ao lado das demais equipes e delegações, viveram momentos de terror durante o atentado. “Todo mundo ficou assustado naquele momento. Ninguém esperava. Não existia até então um atentado em um lugar festivo. O primeiro ato terrorista em um momento de alegria aconteceu lá em Munique.”
Carlão
“Primeiro, um sonho realizado. Segundo, uma sensação que extrapola qualquer definição normal. É sensacional, é isso. É uma sensação de êxtase o tempo todo. Todo o movimento que você faz dentro daquele contexto é inesquecível. É mágico.”
Carlos Alberto Rodrigues trabalhou na comissão técnica da Seleção Brasileira Masculina de Basquete nas Olimpíadas de Atlanta (1996). Carlão, como é conhecido, relembra os momentos que ficaram eternizados em sua memória. “De repente, você está no restaurante da Vila Olímpica que comporta 10 mil pessoas. Você encontra com ídolos de outros esportes.”
Durante os Jogos de Atlanta, Carlão conheceu Joaquim Cruz, medalha de ouro nos 800 m nas Olimpíadas de Los Angeles (1984). “Um dia sai para pegar o carrinho para ir ao restaurante eu me sentei ao lado de Joaquim Cruz, que para mim era um ídolo. Uma pessoa super simples”, contou.
As Olimpíadas de Atlanta marcaram a despedida de Oscar Schmidt da seleção. O Brasil perdeu a disputa de 5° para a Grécia, por 91 a 72. Os jogares presentes e todos aqueles que acompanhavam a partida prestaram suas homenagens ao "Mão Santa". “Depois que o jogo terminou, todos os jogadores, os jogadores da NBA (National Basketball Association), fizeram reverência a ele como ícone, foi legal. Isso valoriza o atleta brasileiro.”
Helinho sobre Hélio Rubens
Helinho Garcia cresceu acompanhando o pai nas quadras, além de escutando suas histórias. Em uma delas, Hélio Rubens Garcia conta histórias dos bastidores dos Jogos Olímpicos do México (1968) e Munique. “Ele, por exemplo, conta que na época em que jogava, os russos tentavam negociar para ter camisetas e shorts, porque eles viviam em um mundo socialista. Os cubanos tentavam vender os charutos para as outras delegações.”
Assim como Fransérgio, Helinho cita o drama do atentado em Munique, que Hélio Rubens viveu junto com a seleção brasileira e as demais delegações. “O meu pai foi em Munique, quando teve o atentado terrorista, eles estavam perto. Foi um clima muito delicado. Eles vivenciaram muito de perto essa angústia e tensão, que foi o atentado terrorista nas Olimpíadas.”
Apesar da responsabilidade, Helinho ressaltou a alegria do pai quando era chamado para a seleção. “O meu pai sempre teve muito prazer de trabalhar com o esporte e a partir do momento que ele conquistou espaço para disputar uma Olimpíadas, buscando disputar o Mundial, ele sempre deixou muito claro essa alegria, esse prazer que tinha de estar disputando e defendendo as cores de seu país”, disse.
Atual técnico do Franca Basquete, Helinho tem no elenco o ala-pivô Lucas Dias, além dos recém-contratados Georginho (armador) e Lucas Marino (pivô). Os três disputaram o pré-olímpico pela Seleção Brasileira de Basquete, que acabou não se classificando para os Jogos após perder a final da classificatória para Alemanha, por 75 a 64. Helinho disse ter conversado com os atletas depois do resultado negativo.
“Enxergo, que assim como na Europa, as Américas precisam se acostumar, porque tem um ano que a Itália faz, por exemplo, terceiro lugar em uma Olimpíadas e fica fora do Mundial. Ou é medalha de prata no Mundial e fica fora das Olimpíadas, porque todos os países hoje têm uma qualidade muito grande (...) Disse para os atletas e acredito que tem de ser dessa forma. É levantar a cabeça e nos prepararmos para o próximo ciclo olímpico”, finalizou.
Os Jogos de Paris estão logo ali, em 2024. E que mais francanos se destaquem no esporte para defenderem as cores do Brasil na França.
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