ADEUS A PATRÍCIA

Luiza Helena: 'Nenhuma cidade teve uma Patrícia como nós tivemos'

Por Heloísa Taveira e Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 9 min
Arquivo/GCN
Patrícia morreu neste sábado, aos 90 anos
Patrícia morreu neste sábado, aos 90 anos

A história recente de Franca se confunde com a de Sônia Menezes Pizzo, a colunista social Patrícia. Em mais de 60 anos de carreira, a dama do colunismo social francano reportou o surgimento, crescimento e consolidação de inúmeras empresas da cidade. Levou o nome de Franca à região, ao Estado, ao País.

Assim, como o sapato, o basquete e o café, Patrícia é um ícone “da Franca” - como ela se referia à cidade que tanto defendeu. Não é à toa que neste sábado, 7, quando se despedem de Sônia Menezes Pizzo, autoridades políticas, lideranças sociais, empresariais e religiosas, além de jornalistas, colegas de profissão, lamentam sua morte e exaltam sua contribuição para Franca.


LUIZA HELENA TRAJANO
presidente do Conselho Consultivo do Magazine Luiza e fundadora do Grupo Mulheres do Brasil
Tenho certeza de que nenhuma cidade teve uma Patrícia como nós tivemos. Com a energia, com paixão pela cidade, com amor a tudo, mesmo com todas as dificuldades. Perdeu dois filhos e continuou firme. Franca teve um grande privilégio de ter uma Patrícia na comunicação e no meio de nós por mais de 60 anos. É uma perda muito grande, mas que bom que ela pôde preparar a Camila para continuar sua trajetória. Eu, que convivi bem de perto com toda a família, tinha um carinho muito grande por ela e ela por mim, sempre com muita liberdade.
Eu acho que o Comércio da Franca e o GCN foram muito importantes no momento de resgate da Patrícia como profissional há dez anos, por ter dado tanto valor no momento que ela precisava. Eu cumprimento pelo carinho que tiveram com ela nesse tempo.
Ela defendia a cidade e noticiava a população com a sua energia. Franca hoje expressa gratidão por ter tido uma comunicadora como a Patrícia.


ALEXANDRE FERREIRA
prefeito de Franca
Hoje nós perdemos um ícone da nossa cidade, uma pessoa que passou por dificuldades lá atrás, quando todos imaginavam que (a imprensa) era um ambiente completamente masculino, ela se impôs e trabalhou. Trabalhou no jornal, virou colunista e por esses anos todos ensinou muita gente. Cresceu e fez a cidade crescer junto com ela. Hoje temos um respeito muito grande com a Patrícia e uma tristeza também de termos perdido essa nossa grande francana. Com pesar, a gente abraça a família e nos solidarizamos com o sofrimento e perda que eles tiveram, além de toda a cidade, que também chora a perda da Patrícia.


DOM PAULO ROBERTO
Bispo da Diocese de Franca
Guardo na memória uma grata lembrança da Patrícia, quando cheguei a Franca para assumir a Diocese. Como vinha de fora, não sabia quem era aquela simpática, alegre e elegante pessoa que me entrevistava. Fui aos poucos sabendo que se tratava de uma excelente colunista, tão querida pela cidade e por tanta gente.
Há um livro na Bíblia conhecido como Eclesiástico (o nome aponta o seu uso na Igreja), ou Sirácida ("Sabedoria de Jesus, filho de Sirac"), que ressalta os grandes feitos dos antepassados: "Façamos o elogio dos homens ilustres" (Eclo 44,1). Que Deus me dê licença para dizer: "Façamos o elogio a uma mulher ilustre", chamada Sônia Menezes Pizzo, a grande colunista Patrícia, "operária das primeiras horas" na comunicação.
Rendemos graças por sua vida, sua história e seu zelo profissional. Que o Pai do céu a tenha no descanso eterno, abençoe e console a sua família. Para nós, fica uma serena saudade e gratidão por ter conhecido e vivido na presença de tão querida pessoa.


GILSON DE SOUZA
ex-prefeito de Franca e ex-deputado estadual
Patrícia, você é patrimônio da Franca. Que Deus te abençoe muito. Descanse em paz. Muito obrigado pelos relevantes serviços prestados ao nosso município e ao país. Que Deus te abençoe muito. Fique com Deus, Patrícia. E obrigado!


MONSENHOR JOSÉ GERALDO SEGANTIN
Pároco da Igreja Santo Antônio
Ao receber, por volta das 3h15, hoje, a notícia do descanso eterno da Patrícia, o pensamento traz a tristeza natural, e a fé me fez oferecer a Deus uma oração de gratidão pela vida dessa guerreira da alegria.
Para mim, a passagem da Patrícia nesse mundo foi estimular a alegria e valorizar o ser humano.
Logo que aqui cheguei, a conheci.
Nas tardes de sábado costumava levar os netos, ainda crianças, na praça central, para brincar.  Certamente trazia belas recordações por saber que ali, seu pai, ganhou o pão de cada dia e lhe deu a formatura de professora, tendo estudado no Colégio do Lourdes.
Mas eu conheci a dona Sônia, como costumava chamá-la: mulher simples, temperamento forte e coração de gelatina. Guerreira, pois, em todos os duros golpes que sofreu (a perda dos filhos), não esmoreceu. Ela era caridosa.
E convivi com a Sônia-Patrícia: quantas entrevistas, inaugurações, seus aniversários, suas festas glamurosas, sua alegria. Enalteceu o ser humano nos diversos setores da sociedade, fazendo-nos acreditar: a tristeza passa, a fé traz a alegria eterna.
A última vez que a encontrei foi um mês antes da sua enfermidade, num jantar que foi preparado para ela. A última vez que conversei, pelo telefone, dois dias antes de adoecer, o assunto era " festa". Patrícia é e sempre será uma festa!
No último domingo, quando a Camila foi visitá-la, colocou pertinho dela, uma das músicas que cantei: Terra dos meus sonhos!
Ela nunca disse "não" aos pedidos que fiz para divulgar os eventos promocionais. Sentirei saudades da garra e da alegria. Guardarei a lição: a tristeza passa, a fé nos faz ser alegres e ter esperança.


ABDALA JAMIL ABDALA
presidente da Francal Feiras
Falar da Patrícia é falar da Francal. Só tenho que agradecer por tudo que ela fez por nós, não só em termos de divulgação, mas também de carinho, de ajuda. Somos todos gratos a ela e ao marido também, que sempre trabalhou na Francal, incentivou a nossa empresa a chegar aonde chegamos. É preciso reconhecer o que a Patrícia fez de apoio e trazendo sempre boas expectativas. Eu lamento muito e que Deus a tenha em um bom lugar. Nossa parceira e incentivadora.


SONIA MACHIAVELLI
editora, jornalista e escritora
Patrícia era várias. De tal forma que ao cumprimentá-la deveríamos perguntar: “Como vão vocês?”, assim mesmo no plural.
Nela conviviam a mulher, a mãe, a esposa, a avó, a sogra, a amiga, a jornalista, a radialista, a colunista social, a cidadã, a francana, a entusiasta pela beleza, a indignada pelas injustiças, a devota de Nossa Senhora “Aparecidinha”, expressão que cunhou. E outras, porque era alma intensa na sua genuína maneira de existir.
Por seis décadas se fez presente na vida de seus ouvintes e leitores, com otimismo, convidando a todos a olhar a Vida com gratidão e enxergar as suas belezas.
Ao longo de 45 anos fez parte da minha vida com discrição, delicadeza e assertividade. Então, escrevo essas palavras com muito sentimento. Embora soubesse, como todos, que seu caso era irreversível, iludia-me pensando em milagre.
A frase que me ocorre é um desses chavões que trazem em si muita verdade. Não posso deixar de recorrer a ele: Patrícia/Sônia vai fazer falta. E Franca perde o brilho das noites às quais ela emprestava sua alegria e fé na vida.
Todos a quem ela alcançou com suas palavras e gestos estamos enlutados.


CLAUDINEI DA ROCHA
presidente da Câmara Municipal de Franca
A cidade perdeu uma grande comunicadora. Sempre trabalhou forte e firme nas questões sociais da cidade e, agora, Franca perde a Patrícia. Meus sentimentos à família. Estamos tristes, através da Câmara Municipal, estaremos providenciando um minuto de silêncio e, também, uma moção de pesar para deixar registrada a história dela, história positiva que escreveu nessa cidade de Franca. Meus sentimentos à família.


ELIAS PIMENTA
empresário - Óticas ParisViu
2009, o ano em que foi nos apresentada a Patrícia, Dona Sônia.  O que era para ser apenas um rosto estampado na fachada das lojas, se tornou algo infinitamente maior, ganhamos um ser humano divino, verdadeiro. Muito além do comercial, do profissional… Uma amiga, conselheira, mãe, avó… Fez parte da família e tenho orgulho quando ela se autointitulava a garota propaganda da ParisViu.
Deixou sua marca na nossa história. Hoje vemos desaparecer uma parte daquilo que somos, mas nos lembraremos da Patrícia com saudades e memórias boas que o tempo nem ninguém apagará.


VALDES RODRIGUES
radialista
Muito triste, como para todos, principalmente, para nós que tivemos uma vida inteira de convivência e amizade com ela. São tantos e tantos eventos que fizemos ou apresentamos juntos e, também, a vivência, do rádio e do jornal. Essa amizade que se perdurou durante esse tempo. Ultimamente, vai completar um ano que ela passou, com seu acidente vascular cerebral, a viver vegetativamente, ou seja, dormindo. Hoje veio a notícia de sua partida. O que podemos dizer? Tristeza dessa separação, mas é até um conforto muito grande, porque sabemos que ela precisava descansar, e Deus a chamou. 


EVERTON LIMA
radialista
Muito triste. Mas desde que a Patrícia se afastou da gente, ficou doente, a saudade já bate forte no peito. A perda é imensurável, todos nós estamos muito tristes, mas também aliviados porque ela partiu para casa do Pai e, finalmente, descansou. Ela não vai morrer nunca em nossos corações, e é o que realmente importa.    


CINTIA FLÁVIA
radialista, diretora artística da Difusora
Nós recebemos (a notícia), com muita tristeza. Sabemos que a situação em que a Patrícia estava vivendo, neste quase um ano, era uma situação difícil. Conhecendo a Patrícia como conhecíamos, sabemos que ela estava sofrendo muito. Agora, ela descansa em paz. Mas, é com muita tristeza que a gente recebe esta notícia, porque os bons momentos, a alegria que ela demonstrava, a vida, a forma que ela conduzia seu trabalho e o carinho recebido pelos ouvintes... Então, tudo isso, é muito inspirador. A Patrícia nos deixa um grande legado. Um legado de um trabalho incansável que ela sempre realizou. Acho que para todas as gerações da comunicação, seja rádio, televisão e escrita, a Patrícia é uma grande referência. Que ela descanse em paz.


WELL
colunista social
Foram dois sentimentos misturados. O sentimento da tristeza, claro, porque a Patrícia era uma presença muito forte em nossas vidas, que jamais gostaríamos de perdê-la. Por outro lado, em contrapartida, foi um sentimento de alívio, porque ela se encontrava em uma situação que nenhum de nós que gostávamos muito dela e sabíamos o quanto amava a vida, gostaríamos de vê-la. Impossibilitada de trabalhar, sem poder se produzir, como sempre gostou – com batom sempre, cabelo arrumado. Então, é uma mistura, de fato, de sentimentos. Tristeza com alegria. Infelizmente, perdemos nossa referência maior, mas por outro lado ela está no descanso merecido.
Conheço a família desde 1986. Trabalhamos juntos 15 anos, lado a lado. Ela me ensinou o amor pelo meu trabalho, o colunismo social. Ela me ensinou, como ela dizia, “o pulo do gato”, como ser colunista social e como me dedicar ao colunismo social. É uma relação de amizade que tenho com a Paty, sempre digo que chegou ao longo dos 35 anos. Então, ela era minha amiga confidente, embora nós tivéssemos depois separados, eu segui carreira solo e ela continuou, mas nossa amizade a partir daí parece que intensificou mais. Criamos um laço muito forte, de família praticamente, porque eu estava presente em sua vida, nas festas de família, réveillons e Natais. Os Natais, eu passava todos na casa da família dela durante anos. Então, criamos uma relação intima, muito forte e muito carinhosa. Minha dor, agora, neste momento, é a dor da família. A dor de quem esteve com ela durante 35 anos, trocando experiências e momentos muitos especiais.

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