MEDALHISTA OLÍMPICO

'Não sei nem explicar a minha emoção. Eu sabia que ele conseguiria', diz mãe de Alison dos Santos

Por Higor Goulart | enviado especial a São Joaquim da Barra
| Tempo de leitura: 2 min
Dirceu Garcia/GCN
A mãe do medalhista olímpico Alison dos Santos, Sueli Alves Pereira, com uma imagem do filho ao fundo
A mãe do medalhista olímpico Alison dos Santos, Sueli Alves Pereira, com uma imagem do filho ao fundo
Há sete anos, o então adolescente Alison dos Santos, conhecido como "Piu", iniciava sua trajetória como corredor dos 400 m com barreira na cidade de São Joaquim da Barra, a 60 km de Franca. Na época, bastante tímido, o garoto mal imaginava que dominaria as pistas de atletismo. Anos depois, após bastante treino, Piu se tornou medalhista olímpico, conquistando o bronze na categoria. A conquista aconteceu no início da madrugada desta terça-feira, 3, nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão.
 
Em uma casa humilde, onde Alison viveu toda a vida até se mudar para São Paulo, a mãe dele, Sueli Alves Pereira, reuniu vários familiares. Até um mural foi montado para aguardar a prova do jovem. Tudo valeu a pena. Alison cruzou a linha em terceiro, com uma marca incrível de 46s72, causando um sentido eufórico na mãe. "Meu coração estava apertado, nossa. Eu ficava gritando 'Meu filho, vai'. Aí, ele foi passando. Não sei nem explicar a minha emoção. Eu sabia que ele conseguiria. Foi uma festa", afirmou Sueli.

O ouro ficou com o fenômeno norueguês Karsten Warholm, que marcou 45s94 e pulverizou o recorde mundial. O medalhista de prata foi o norte-americano Raj Benjamin (46s17).
 
A conquista de Alison levou a sua cidade natal, São Joaquim da Barra, de poucos mais de 50 mil habitantes, a um ambiente super festivo. Nas ruas, o assunto da população era a conquista do joaquinense em Tóquio. Mas, de todos, a mais orgulhosa era a mãe Sueli Alves Pereira. “Ontem, passaram várias pessoas muito emocionadas e felizes por ele estar ganhando e indo bem. Pessoas que estudavam e treinavam com ele, mas a sorte era dele. Estão todos felizes por ele”, contou a mãe.
 
Com um semblante cansado, de quem não dormiu de tamanha emoção, Sueli contou todo o sacrifício para que o filho chegasse até a conquista. “Nós sempre vivemos com coisas muito simples e uma chuteira era mais de R$ 500. Então, a gente passava cartão, pagava em 10 vezes, só para ele realizar o sonho dele”, relatou. 
 
O sacrifício da mãe e esforço de Alison foram recompensados. O garoto tímido, que custava sair do quarto para conversar com a própria família, teve sua vida completamente mudada pelo esporte. “Era difícil ele vir ficar com a gente na sala. Mas, quando ele entrou no atletismo, parece que ele foi se soltando e hoje é esse brincalhão. O dia a dia dele é assim”, disse.
 
Agora, dona Sueli aguarda o tão esperado encontro com o filho. Mesmo sem previsão de quando o aguardado abraço chegará, ela já prepara a recepção para o seu caçula. “Eu estou doidinha para ver quando ele virá para cá. Ele adora um estrogonofe e, com certeza, vou preparar para ele”. Em troca, Sueli brinca que quer ficar com a medalha de bronze. "Eu não tenho nenhuma, então, essa é minha", finalizou.

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