A frente fria que chegou na última semana e provocou sensações térmicas abaixo de 0°C fez muito além do que obrigar os francanos a tirarem os agasalhos do guarda-roupa. O frio com geada de dias atrás resultou diretamente no bolso da população, que vai pagar mais caro por alimentos, em especial frutas, verduras e legumes. A baixa temperatura queimou muitas plantações e a alta no preço pode chegar a três vezes mais em diversos itens do mercado.
Venice Bernardes de Deus é feirante e viu no último fim de semana uma queda nas vendas que há bastante tempo não sentia. Com a alta nos preços, a tradicional feira livre registrou alto movimento, mas pouco interesse nos produtos. Ela conta que uma caixa de quiabo de 18 a 20 quilos custava em média R$ 90. Depois do frio, a mesma caixa custa R$ 240 – um aumento de quase 270%.
“Esse fim de semana foi péssimo. A gente não acha mais nada para revender e quando acha, o preço está lá em cima. Quiabo, jiló, abobrinha, couve-flor... Tudo subiu muito e o cliente não quer pagar esse preço”, disse.
Além do quiabo, um saco de milho com 100 espigas custava na faixa de R$ 50. Venice paga agora na mesma quantidade algo por volta de R$ 70. Até mesmo itens que não foram tão prejudicados pelo frio sofreram alta nos preços.
Juliano Andrade auxilia na distribuição de alimentos na Ceagesp de Franca. Assim como Venice, ele relata a disparada nos preços e o impacto que isso tem diretamente para o consumidor final. “A regra é essa: faltou no mercado, o preço aumenta. Tem alimento que rende só uma ou duas caixas e aí o ‘cara’ arranca o couro mesmo. Não prejudica tanto a gente, mas o cliente que vai pagar”, disse.
Dentre os mais afetados, Juliano destaca também a beringela, que foi bastante prejudicada. “Não me recordo de nada que não tenha sofrido esse aumento. Tudo aumentou o preço de pouquinho em pouquinho e, agora com a geada, ainda mais. Acredito ainda que daqui uns dias fique até mais caro.”
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