SERVIDORA EXECUTADA

Gravações revelam brigas e ameaças de fazendeiro contra Janaína Carrijo

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/TV Record SP Interior
Luciano segura Janaína pelo pescoço em seu apartamento: discussão, briga e ameaça
Luciano segura Janaína pelo pescoço em seu apartamento: discussão, briga e ameaça

A servidora pública Janaína de Oliveira Carrijo, 48, foi executada com dois tiros na rodovia Ronan Rocha em seu veículo, enquanto voltava de Itirapuã para Franca, onde morava, no dia 15 de abril deste ano. Para a Polícia Civil o principal suspeito de mandar executar a mulher é seu ex-marido, o médico veterinário e fazendeiro Luciano Berteli Figueiredo, de 42 anos, que está preso. Agora, um antigo processo de agressão, de junho de 2020, foi exposto. Nele, Luciano, há imagens e gravações que mostram Luciano agredindo e ameaçando de morte Janaina Carrijo.

Os documentos foram obtidos pela equipe da TV Record Franca, que exibiu os documentos no telejornal Interior SP desta sexta-feira, 30. A reportagem revela detalhes, até então inéditos, do processo que Luciano responde por ameaça contra sua ex-mulher. Janaína já havia feitos BOs contra o ex-marido e, após inúmeras ameaças, resolveu instalar câmeras escondidas em seu apartamento para tentar se proteger.

O processo, que está sob sigilo, mostra detalhadamente como as agressões aconteciam na casa da servidora. Em junho de 2020, em uma visita ao apartamento de Janaína, Luciano teria descoberto que a ex-companheira havia instalado câmeras. É quando a discussão começa.

Um laudo da Polícia Cientifica, inserido no processo, traz a transcrição dos diálogos:

LucianoTá gravando? Tá gravando aonde essa p*** aqui?
JanaínaVocê tá doido?
LucianoTô. Doido pra te matar. Olha, não tem necessidade disso, não tinha...

O médico veterinário fica nervoso e parte para cima de Janaína, segurando a ex-mulher pelo pescoço:

Luciano –  ...dez minutos eu acho que eu faço uma desgraceira. Ainda bem que tá gravando, não tem muita chance de fazer nada. Mas vai tá gravando. Em algum lugar tá gravado.
JanaínaQue bobeira, Luciano.
LucianoBobeira o que?
JanaínaPorque é, Luciano. Para. Que coisa feia. Você quer tomar um calmante?
LucianoNão quero tomar nada. Para... para de... para de querer ficar fazendo a gracinha de achar que você pode falar que você quer pra mim toda hora.

Janaína procurou a Polícia Civil cerca de seis meses depois da agressão e registrou um Boletim de Ocorrência de ameaça, vias de fato e violência doméstica. Ela levou a mídia das agressões e um inquérito foi instaurado.

Na época, Luciano justificou as agressões, afirmando que Janaína mandava fotos deles, juntos, para sua esposa. Neste processo, Luciano também disse que nunca teve um relacionamento sério com Janaína. Afirmou que tinha saído apenas algumas vezes e a servidora então havia engravidado da filha do casal.

Outros vídeos que foram levados até a polícia não tinham agressões, apenas visitas normais de Luciano. Em alguns eles aparecem trocando carícias. Há, num outro, até o fazendeiro instalando um móvel no apartamento.

Após as perícias das imagens. a Polícia Civil encerrou o inquérito e apresentou uma denúncia de ameaça contra Luciano ao Ministério Público. O MP denunciou Luciano à Justiça. O caso aguardava julgamento, mas Janaína foi morta antes.

Luciano segue preso em Franca. Além dele, uma mulher, suspeita de intermediar a contratação do executor, também está presa. O caso segue investigado pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca.

Relembre o caso:

Mulher morta em rodovia foi atingida com tiro certeiro

Prisão
O ex-marido foi preso no dia 12 de julho. Para a Polícia Civil, ele é o mandante do crime. Evidências reunidas pelos investigadores indicam que os executores receberam R$ 20 mil para praticar o crime.

"Com as provas que levantamos até o momento, foi possível realizar a prisão temporária do ex-companheiro da vítima. As provas indicam que o Luciano é o mandante do crime. Uma moça que teria intermediado o pagamento de valores entre Luciano e o namorado dela, que está foragido, também foi presa", disse o delegado Márcio Murari no dia em que Luciano foi preso.

Murari não descarta a hipótese de Luciano Figueiredo ter encomendado também a morte da própria filha. “Ele poderá responder por tentativa de homicídio em relação à filha. A gente acredita que, desde o primeiro momento que houve um atentado contra a mãe, a filha estando junto no carro, houve aí a possibilidade de atentar contra a filha também", disse o delegado.  

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