A combinação de seca e geada neste ano impactou a agricultura da região de Franca, principalmente o setor cafeeiro. Com os prejuízos acentuados pela geada que afetaram algumas lavouras, um grupo de agricultores resolveram pedir ajuda política aos deputados e também ao prefeito Alexandre Ferreira (MDB) para que decretasse calamidade pública no setor. Isso possibilitaria os produtores rurais a buscarem linhas de créditos com o suporte do poder público sobre financiamentos estaduais e federais e também parcelamentos de dívidas.
O grupo de agricultores, liderado por José Henrique Mendonça, presidente do Sindicato Rural de Franca, já se reuniu com alguns vereadores pedindo apoio. “Entramos em contato com a classe política, deputados estaduais, federais. Também pedi ao vereador Daniel Bassi (PSDB) que levasse em mãos ao prefeito Alexandre Ferreira, um pedido do Sindicato Rural de calamidade pública para poder ajudar os agricultores da nossa região”, disse José Henrique, nesta quarta-feira, 28.
José Henrique disse que a geada afetou a agricultura como um todo e teme desabastecimento de vários produtos. “A grande preocupação da agricultura na nossa região é a cafeicultura. Não podemos descartar a cana que foi duramente afetada, as plantações de milho e hortaliças. Nós imaginamos que dentro de poucos dias nós começaremos ter problemas maiores no abastecimento, porque o produto vai faltar”.
O presidente do Sindicato Rural lembra que a safra do café é bianual e com a geada neste ano já projeta uma queda de 35% na produção de 2022. “Neste ano já estávamos na bianualidade negativa, que é a produção baixa. Essa produção já caiu 40% do que era esperado, acrescentada a uma seca maior dos últimos cem anos e duas geadas. Só a seca já havia afetado a safra de 2022, em cerda de 25%. Com o agravante da geada nos estimamos que isso possa chegar a 35% de quebra de safra do ano que vem. O valor agregado à saca de café hoje é em torno de R$ 1.000, R$ 1.050, se multiplicamos isso pela quantidade de saca e pelo déficit que estamos esperando para 2022, nós vamos deixar de colocar na região próximo de meio bilhão de reais”.
José Henrique diz que além dos prejuízos financeiros, a queda na produção desencadeia um problema social. “Nós estamos falando de problemas econômicos para os produtores que vão deixar de honrar seu compromissos, por não ter o produto para entregar, e de um fator social com desemprego grande gerado por essa crise. Franca não é tanto, mas tem um nível de exportação elevadíssimo nas commodities agrícolas. Cristais Paulista, Restinga, Ribeirão Corrente, Pedregulho e Jeriquara, são cidades que dependem 85% da sua produção rural. Então, vai se provocando uma calamidade pública mesmo”, finalizou.
A região da Alta Mogiana é composta por 7 cidades de Minas Gerais e 15 de São Paulo e produz 5 milhões de sacas de café pro ano.
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