Mesmo sendo a maior cidade da região, quando o assunto é o monitoramento através de câmeras de segurança, Franca ainda está longe de ser exemplo para os municípios menores. Com mais de 355 mil habitantes, Franca tem apenas 15 câmeras em funcionamento em toda sua área. Enquanto isso, a pequena Rifaina, com pouco mais de 3,6 mil habitantes, é modelo no assunto: são 76 câmeras em funcionamento espalhadas pela cidade.
Inaugurada em 2012, a central de monitoramento de Franca, instalada no Terminal "Ayrton Senna da Silva", custou aos cofres públicos R$ 1,2 milhão e inicialmente contava com 20 câmeras. No ano seguinte, o sistema recebeu uma ampliação nos equipamentos, passando a contar com mais 31 novas câmeras. À época, o novo investimento foi R$ 600 mil.
O objetivo principal com a conclusão do projeto era que o monitoramento ajudaria no controle de veículos na via, garantiria a segurança da população e até ajudaria a polícia a solucionar possíveis crimes em áreas estratégicas, como o Terminal de Ônibus, a praça Nossa Senhora da Conceição, a avenida Presidente Vargas, Estação e em vias como a Santos Dumont, Chico Júlio, Orlando Dompieri e Doutor Abrahão Brickmann.
Com o passar dos anos, o sistema de monitoramento da cidade foi ficando de lado e atualmente, das 48 câmeras, apenas 15 funcionam.
O não funcionamento da totalidade das câmeras na cidade resulta em um prejuízo aos moradores, já que com o monitoramento a prevenção de crimes é mais eficaz.
Segundo a Polícia Militar, que auxilia no monitoramento de Rifaina, o 15º BPM/I (Batalhão da Polícia Militar do Interior) já está em tratativas para uma parceria de compartilhamento das imagens das câmeras de monitoramento de todos os municípios da região pertencente ao Batalhão.
“A Instituição entende como uma ferramenta muito eficaz para prevenção e repressão imediata de delitos, infrações de trânsito e até mesmo de atendimento de pronto-socorrismo, considerando também as análises criminais setorizadas”, disse a PM, em nota.
É difícil precisar, mas, segundo especialistas, se o sistema de monitoramento da cidade estivesse com o funcionamento em dia, muitos acidentes, desaparecimentos e crimes poderiam ser esclarecidos e auxiliariam no trabalho de Segurança Pública.
Um dos exemplos é a execução do contador Alexsander Terêncio em maio deste ano, na avenida Moacir Viera Coelho, no Jardim Redentor. Em frente ao local do crime, existe uma câmera da Prefeitura, mas ela não funciona. Com as imagens, provavelmente, seria possível saber para onde os criminosos fugiram.
Outro exemplo é o do desaparecimento do adolescente Wesley Alves Pires Filho, de 14 anos, em agosto do ano passado. O jovem anda por avenidas da cidade, uma delas é a principal avenida do Jardim Aeroporto I. Seu desaparecimento aconteceu em uma sexta-feira, dia 28 de agosto, mas somente na segunda-feira, 31, os pais conseguiram encontrar imagens de estabelecimentos comerciais indicando por onde o jovem havia passado.
O GCN tentou entrevistar o secretário da Segurança e Cidadania, Coronel Araújo, mas as respostas vieram via assessoria de comunicação da Prefeitura. Segundo o departamento, o secretário está com um projeto de ampliação do programa que funciona no Terminal “Ayrton Senna” e conta com Guardas Civis Municipais para monitorar a cidade.
Hoje, as câmeras em funcionamento da cidade estão em áreas da região Central e Leporace. A reportagem também perguntou sobre o valor que ficaria para o conserto das 35 câmeras e o local exato onde as câmeras estão funcionando, mas não obteve a resposta.
Região monitorada
Bem menor que Franca, a cidade que fica às margens do Rio Grande, mostra que com o CCIMo (Centro de Comunicação de Inteligência e Monitoramento), que conta com o acompanhamento realizado por quatro Guardas Civis sem interrupções, pode proporcionar boas condições de segurança pública aos moradores e turistas de Rifaina.

Câmera monitora praia em Rifaina
Segundo o Capitão da Reserva Marco Antônio Posterari, que é diretor de segurança de Rifaina, a central de monitoramento funciona desde 2015 e tinha como objetivo principal “vigiar” a orla da praia artificial e das principais vias de acesso à cidade.
“Com o transcorrer do tempo e com a clara certeza de que o monitoramento por meio de câmeras se traduz em uma ferramenta de suma importância na prevenção de infrações criminais e de auxílio na identificação de seus autores, quando do cometimento de atos ilegais, o sistema passou a contar com 66 e, atualmente, conta com 76”, contou o capitão.
Destas 76 câmeras, nove são especiais – speed dome, com capacidade de 25 vezes de aproximação. Mesmo com o número bem maior que o de Franca, o diretor afirmou que mais dez pontos de monitoramento serão implantados.
“O sistema de monitoramento está integrado ao projeto estadual Detecta, por meio de pareceria com a Secretaria de Segurança Pública, capacitando as câmeras colocadas nas vias de entrada da cidade a fazerem a leitura óptica das placas dos veículos, e, em caso de haver qualquer problema de ordem administrativa ou criminal relacionada ao veículo, a Polícia Militar recebe um alerta, para providências quanto à abordagem e demais providências legais que forem necessárias”, continuou o diretor.
O sistema de videomonitoramento é controlado pelos Guardas Civis e o 15º BPM/I possui acesso às imagens de determinadas câmeras da cidade.
“Cabe destacar a prisão em flagrante delito de um autor de roubo a farmácia, ocorrido em 23 de março de 2021, por volta das 16h20, quando uma equipe de serviço da GCM, após ser notificada do fato e com as características do criminoso, repassadas pelo GCM de serviço no CCIMo, localizou e prendeu o mencionado indivíduo”, disse Posterari.
Pedregulho é outra cidade que, segundo seu secretário de Segurança e Defesa Civil, Romildo Batista, já colhe os frutos do monitoramento eficiente.
“Já pegamos vários furtos, acidentes de trânsito e pequenos delitos. Todos os guardas da cidade sabem operar o sistema. Todos estão qualificados a monitorar a cidade. É muito útil para a população e também para o trabalho da polícia”, afirmou.
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