A fase dos 40 anos hoje é marcada por energia, vivacidade e muitos sonhos. É isso que a idade significa para Tassiana Araújo, que trabalha na área técnica de uma indústria de chocolates e, aos 40, descobriu um câncer na mama. Mesmo com a notícia, decidiu levar o tratamento com alegria e otimismo, mas percebeu que a vida social ficou abalada – e não por opção dela.
O diagnóstico veio em novembro, quando Tassiana fez a troca de um anticoncepcional e percebeu que seu ciclo menstrual já durava mais de 30 dias. Foi quando procurou o hospital e, após uma série de exames, descobriu o tumor na mama, que já media aproximadamente dois centímetros.
“No começo, a gente fica um pouco assustada, mas não me desesperei. Eu agi de uma forma até muito serena. Quando avisei minha família, eles ficaram em choque e eu que pedi para que se acalmassem”, disse Tassiana. Assim, deu início ao tratamento. Em dezembro realizou os exames, em janeiro fez a cirurgia de retirada, em fevereiro começou a quimioterapia e perdeu os pelos do corpo e cabelo. “Foi um marco para mim. Exatamente uma semana antes do meu aniversário de 41.”
Tassiana diz que quando descobriu a doença, morava junto com seu ex-companheiro. “Depois que raspei a cabeça, ele foi embora, me deixou sozinha com meus dois cachorros”, disse. Apesar de ter sido uma fase difícil, não deixou que isso abalasse o otimismo que tinha no enfrentamento ao câncer.
“Eu tinha dois caminhos, passar isso com felicidade ou com tristeza. Decidi passar isso com muita leveza e esperança. Às vezes, nem todos os dias são bons. Nem todos os dias você vai estar feliz, porque a sociedade ainda enxerga o câncer como uma sentença de morte. A pessoa vê você careca e te olha diferente.”
Além das oscilações na autoestima, Tassiana percebeu afastamento de pessoas próximas e por vários momentos sentiu-se sozinha em um dos momentos mais importantes de sua vida. “Muita gente se afastou, tanto por conta da pandemia, mas por conta da doença também. Ninguém te convida mais para ir a lugar algum. Parece que não me encaixam mais em nenhum ambiente”, falou. “É tão ruim ser julgada... um olhar de dó. A gente não precisa que as pessoas tenham dó. Queremos nos sentir acolhidos, mas não com esse sentimento de dó, de pena.”
Há mais de cinco meses, Tassiana passa a maioria dos finais de semana somente na companhia de seus cachorros e ela, que sempre foi uma pessoa animada e social, sente falta de conversar, sair e se divertir. “A solidão dói mais que a doença. Muitas pessoas acham que o câncer nos impede de ir aos lugares. Acham que estamos frágeis, mas não. Não é a doença que impede, são as pessoas que não nos querem ali”, desabafou.
Todas as dificuldades motivaram Tassiana a seguir seus sonhos e aquilo que deseja conquistar. Pessoas saíram de sua vida, mas muitas outras chegaram e, com o câncer, redescobriu diversas atividades. Hoje ela corre cerca de cinco quilômetros todos os dias – coisa que não fazia antes da doença. Além disso, está próxima de tirar uma meta do papel que é iniciar na patinação.
“Vou começar a patinar também, que é uma coisa que sempre quis. Quando estamos em tratamento, queremos fazer tudo. A vida é agora, não depois. Com o câncer, em coloquei em prática tudo o que estava engavetado e que eu sempre tive vontade de fazer. É incrível como a doença traz esse pensamento, mas também depende muito de como você a encara. É isso que eu deixo de mensagem: leveza e esperança para todas as mulheres que passam por isso.”
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