O anúncio, há mais de um ano, de que as operações da polícia civil em Franca, inclusive dos vários distritos até então distribuídos por várias regiões da cidade, seriam centralizadas num único endereço, provocou doses razoáveis de apreensão. A criação da CPJ (Central de Polícia Judiciária) enfrentaria dois desafios: uma possível insatisfação da população ao retirar os Distritos Policiais dos bairros e o local onde tudo iria ser instalado, o antigo prédio do Fórum da cidade, que sofria com constantes enchentes quando chovia forte – o que levou, inclusive, o Poder Judiciário a transferir suas operações dali para um outro endereço, na avenida Presidente Vargas.
O delegado titular da Delegacia Seccional de Franca, Wanir José da Silveira Júnior, disse que após os primeiros seis meses de funcionamento, o balanço é bastante positivo. Com a CPJ, a Polícia Civil conseguiu avançar em 30% o volume de casos esclarecidos, além de garantir economia para os cofres públicos. “Foi um acerto da Polícia Civil, dessa administração, uma vez que havia cinco distritos instalados na cidade (um 6º estava perto de ser inaugurado). Nós precisávamos fazer uma adequação devido à falta de funcionários, policiais... Tivemos que fazer uma unificação, um agrupamento das unidades. Então, pegamos todas as delegacias e colocamos em um local só. Um local amplo, adequado, onde a população é tratada com educação e respeito. Tem um conforto tanto para quem vai lá utilizar os serviços, quanto dos policiais que ali atuam. Houve uma otimização dos serviços e equipamentos da Polícia Civil”, afirma.
Wanir disse que entende a sensação de insegurança que o fechamento de uma delegacia traz à população, e considera válidas as críticas, mas garante que a realidade não podia ser mais diferente. “Eu até entendo a posição das pessoas sobre essas críticas, mas a Polícia Civil não traz a segurança física. Quem faz esse trabalho é a Polícia Militar e faz bem-feito, 24 horas por dia. As delegacias fechavam às 18 horas e os atendimentos já eram centralizados em um plantão. Prédios das delegacias foram até invadidos, era uma falsa sensação de segurança. Antes as pessoas precisavam se deslocar de um lado da cidade para outro para ir a uma delegacia, porque, às vezes, trabalha em um local, onde teria acontecido a ocorrência, e morava em outro. Hoje, o cidadão vai em um (único) local, com atendimento de 24 horas”. A praticidade é um fator que, segundo delegado, não pode ser desprezado.
O delegado disse que a economia chega a R$ 70 mil mensais ao Governo do Estado. “Essa economia não é só de aluguel. Foi economizado com desgaste de viatura, combustível, mecânica das viaturas, água, luz. Essa economia a gente calcula em torno de R$ 70 mil mensais”, explica o comandante da Polícia Civil na região.
Os ganhos de eficiência e resolutividade também podem ser explicados, em boa parte, pelas operações mais bem coordenadas a partir de uma única central. “Nós unificamos o setor de investigação. Colocamos um delegado para tomar conta, um investigador classe especial para coordenar as investigações. Com isso, aumentou 30% o número de esclarecimentos. Só no mês de junho foram elucidados mais de 100 crimes aqui em Franca, em diversas modalidades. Hoje, nós buscamos a excelência no atendimento às pessoas”, comemora.
O seccional diz que a tendência é que a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) também sejam unificadas, transferindo suas operações para o prédio que abriga a CPJ. “A tendência é que essas delegacias sejam fundidas em uma só unidade. Hoje, elas já funcionam em um prédio só no centro de Franca. Os dois profissionais, que comandam essas delegacias, conversam entre si. Os investigadores conversam entre si, e isso tem dado muito resultado no combate ao crime. A produtividade aumentou”.
Falta de Pessoal
Não é de hoje que a Polícia Civil apresenta um quadro de funcionários e policiais muito abaixo da necessidade da cidade. Apesar de ter otimizado os serviços com a CPJ, Wanir espera que o governador possa abrir novos concursos o mais rápido possível. “A Polícia Civil está com uma defasagem no Estado inteiro. Alguns novos policiais vão tomar posse nos próximos dias, mas é um número muito aquém daquilo que a gente gostaria. Há um concurso já aprovado pelo governador, que deverá ser liberado já nos próximos meses, com muitas vagas. Em contrapartida, há um número grande de aposentadorias, que colaboram com a defasagem do quadro de policiais e a reposição é lenta”, lamenta.
Sobre a preocupação com o histórico de inundações na época das chuvas, o delegado lembrou que o prédio passou por uma reforma, construindo barreiras de contenção de enchentes e que, em janeiro, a sede da CPJ venceu o primeiro teste após forte chuvas na cidade. “Por incrível que pareça, em janeiro, enquanto era feito a reforma, houve uma chuva muito forte e a contenção foi perfeita”.
Crimes misteriosos
A Polícia Civil de Franca vem trabalhando para solucionar dois crimes que chamaram muita atenção neste ano e a população cobra uma resposta. São dois homicídios que vêm sendo investigados com especial atenção pela DIG.
Um é o que envolve a funcionária pública do Estado, Janaína de Oliveira Carrijo, 48 anos, executada dia 15 de abril com dois disparos enquanto dirigia de Itirapuã para Franca. Ela morreu na hora. Sua filha, que estava no carro, não sofreu ferimentos graves.
O outro é o caso do contador Alexsander Terêncio, 45 anos, assassinado dentro de um escritório de contabilidade, no Jardim Redentor, em 11 de maio. Durante a ação, os criminosos soltaram fogos de artifícios para amenizar o barulho dos tiros. A ação foi rápida e nada foi roubado.
“Esses casos estão com a DIG, com o delegado Márcio Murari, um delegado muito competente que tem esclarecido muitos casos graves. Esses casos estão praticamente esclarecidos. Não vamos adiantar detalhes até mesmo por estratégia de investigação”, garante Wanir. “O caso da Janaina já tem muita coisa apurada e estão sendo feitas as diligências. Quanto ao contador, estão um pouco menos avançadas, mas também já está direcionada e com uma vertente muito forte para o esclarecimento do crime”, disse.
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