Thereza Ricci

Por Minha amiga e a educação | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de algum tempo sem dar notícias, minha amiga professora aposentada apareceu numa bela tarde de quarta -feira.  Assustei-me, pois que andávamos ultimamente bem distantes, cada uma cuidando de suas vidas e de sua saúde, para evitar a contaminação do coronavírus 19, espalhado pelo mundo.   

Ao abrir a porta para atendê-la, ela usando máscara foi logo dizendo que já tinha tomado as duas doses da vacina, daí estava mais ou menos protegida, razão pela qual resolveu matar as saudades e relembrar as tardes quentes em que nos juntávamos para tomar chá.  Disse-lhe que eu também já tinha tomado as duas dozes, por isso era com muita alegria que a recebia.

Como sempre, depois de sentar confortavelmente numa cadeira de braços e servir-se de uma chávena de chá com bolachas, minha amiga resolveu dizer o porquê de sua visita e, apontando o seu dedo em riste para mim, perguntou-me se tenho acompanhado a situação de nossa educação. Dizia ela que fomos educadoras por anos a fio e que embora aposentada se preocupava imensamente com o futuro dos nossos jovens. Disse-me que pelo que vem acompanhando, nossos brasileirinhos ficaram sem aulas regulares e presenciais por mais de ano, prejuízo irreparável, tendo apenas ensino a distância, sendo que para seu entendimento as crianças em idade de frequentar o ensino fundamental, torna-se  imprescindível, para seu bom desenvolvimento, as aulas presenciais. Fora alfabetizadora por muitos anos, e sabia da importância da presença da professora no ensino das primeiras letras. Lembrou-se que o ensino brasileiro já vinha com maus resultados, precisando de reformas e de mais empenho por parte das autoridades responsáveis pela educação, com o futuro dos nossos alunos e o progresso do nosso país. Relatou que tem pensado muito nos alunos pobres, que moram em lugares afastados das cidades, em favelas, nas periferias e que não têm computadores, nem celulares, para acessar as aulas. Como estão se virando?  É uma situação alarmante.

Com esse atual governo tivemos um ministro da educação que em momento algum mostrou-se preocupado em melhorar o ensino brasileiro, tendo ficado como lembrança de sua passagem pelo ministério  frases desconexas, ofensivas, inclusive contra as instituições; isso quando não tínhamos ainda pandemia arrasando o país.

Há poucos meses foi trocado por outro ministro, que não sabemos também o que anda fazendo. Lembrou-se do quanto lutávamos para que tivéssemos um ensino de qualidade e nosso desejo sempre foi enviar para classes mais adiantadas  alunos perfeitamente alfabetizados, garantindo -lhes sucesso no futuro. E conseguíamos. Afirmou que o fracasso da educação de hoje é a falta de uma alfabetização bem feita. Sem estarem bem alfabetizados, não poderão ter sucesso. Hoje nem isso temos. Canso de ler notícias de que adolescentes no ensino médio não sabem escrever, ler corretamente e interpretar textos.  

Minha amiga deixou de falar e ficou por alguns minutos em silêncio como se estivesse refletindo. Depois olhando firmemente para mim, disse-me que só quando as autoridades responsáveis pelo ensino no país entenderem que a educação tem de ser prioridade para todos, o Brasil e os brasileiros vão alcançar o sonho de ter um país de primeiro mundo. É só olhar para os países que colocaram a educação como o alicerce para seu real desenvolvimento. Como é otimista, espera que com o avanço das vacinas, o nosso país volte à vida normal e nossos alunos à escola risonha e franca.                                                           

Aceitou mais uma chávena de chá como despedida. Desejei-lhe saúde e elogiei o seu otimismo. Atravessou a sala e abanando a mão deixou a minha casa.

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