Apesar da reabertura da cidade, até que 70% da população francana esteja completamente vacinada, o risco de uma nova piora nos dados da pandemia é alto. Após dias de tranquilidade, o Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” voltou a registrar um movimento intenso e o aumento de casos da covid já é previsto para toda a região. Segundo dados do Vacinômetro do Estado de São Paulo, até agora, apenas 45.267 francanos já tomaram duas doses da vacina e outros 7.272 tomaram o imunizante de dose única. Número ainda pequeno para a população que ultrapassa os 350 mil habitantes. O alento é o avanço da vacinação. Até este momento, 159.821 primeiras doses já foram aplicadas.
Os dados epidemiológicos do município ainda não são claros para afirmar quando uma nova onda pode acontecer, mas com apenas 15% dos moradores vacinados com as duas doses ou dose única, o alerta é maior para as próximas semanas. Cerca de 193 mil pessoas ainda teriam que ser totalmente imunizadas para o controle da pandemia em Franca.
O Observatório de Desigualdades de Franca é um grupo de pesquisa e extensão vinculado à Unesp e composto por estudantes de graduação, pós-graduação e professores universitários de diferentes instituições que, com a chegada da pandemia, passou a analisar os dados da cidade. Danilo Malta é professor e um dos integrantes e já trabalha com a possibilidade de uma nova crescente no gráfico da média móvel de casos.
“Tem uma previsão de aumento de casos para o país como um todo e a gente não vê motivos para que Franca fique fora disso. É certo que vai haver esse aumento, mas é provável que isso não reflita da mesma forma no número de mortes, justamente por conta da vacinação”, disse Malta.
“Ainda assim, é preciso que a população totalmente vacinada chegue a 70% ou 80% para que se tenha uma tranquilidade quanto a novos riscos. Por enquanto, ainda teremos que continuar com o distanciamento e uso de máscaras por um longo período.”
A flexibilização das medidas restritivas no enfrentamento à covid tem relação direta com a possibilidade de um aumento de casos na cidade. De acordo com o professor, qualquer reabertura vai influenciar na transmissão da doença.
“Fechamos a cidade por 15 dias e, de lá para cá, vemos a cada semana uma nova etapa de flexibilização. Isso tudo é um processo gradual de abertura e que reflete no isolamento e no contágio.”
Jacques Iatchuk também faz parte do grupo que coleta e analisa os dados de Franca. Ele reforça a ideia de que deve haver uma manutenção nas medidas de proteção contra o vírus, enquanto os moradores não estiverem imunizados.
“É importante que isso seja ampliado ainda por um período, porque temos uma população suscetível a pegar a doença e, consequentemente, uma nova explosão de casos. Isso pode impactar na aparição de novas variantes, inclusive na sobrecarga do sistema de saúde também.”
Papel do Executivo
Entre as ações da Prefeitura no combate ao vírus, segundo os especialistas, ainda é preciso um planejamento mais efetivo no processo de retomada das atividades.
“A gente terminou um lockdown e abriu tudo, sem ter um diálogo adequado com a população, sem essa previsão de como seriam os próximos passos do enfrentamento à covid na cidade e na região”, observa Iatchuk, ressaltando que Franca tem um grande movimento de moradores de municípios vizinhos, que vêm e voltam todos os dias para trabalhar.
“A gente colheu e vem colhendo ainda, aos poucos, o resultado do lockdown, que poderia ser melhor se tivesse tido um isolamento maior. Mas a queda na taxa de contaminados no período pós-lockdown comprova a eficácia do fechamento”, afirma o professor.
Mas, segundo ele, a reabertura deve ser acompanhada de um processo claro de manutenção do isolamento social, com um papel mais ativo da Prefeitura, dialogando com a população e organizando políticas públicas. “Não fazer com que as medidas sejam apenas pontuais, quando o sistema de saúde já estiver sobrecarregado.”
A Secretaria de Saúde também prevê uma possível onda de novos casos na cidade. Mas, de acordo com o secretário Lucas Souza, hoje a cidade tem mais condições de atendimento. “É possível afirmar que Franca está mais preparada para um eventual aumento de casos de covid. Até por um conjunto de fatores, como o aumento do número de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) na semana passada, ampliação da estrutura da rede hospitalar, principalmente do Pronto-socorro ‘Álvaro Azzuz’ e as Upas do Aeroporto e Anita, que receberam uma quantidade significativa de equipamentos profissionais”, listou.
O secretário ainda destacou que o andamento da vacinação favorece o cenário epidemiológico e que, de qualquer forma, a pasta continua atenta aos dados, como média móvel de casos e óbitos, que são os que direcionam a Prefeitura nas ações do enfrentamento à pandemia.
Apesar da maior preparação do município, o Observatório não entende que a estrutura seja o ponto principal a se analisar entre os fatores da pandemia.
“Quanto mais estrutura hospitalar, melhor. Mas não podemos imaginar que isso seja o suficiente. É como se, para resolver o problema de congestionamento nós colocássemos mais ruas na cidade. Isso não resolve o trânsito. O ideal é que as pessoas não entrem em contato com o vírus, não adoeçam e não necessitem do sistema de saúde”, finalizou Malta.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.