As crônicas de Roberto de Paula Barbosa chegaram-me espaçadamente, haja vista que me foram lidas à prestação – quatro ou cinco por dia.
A leitura quebrada compromete o julgamento, todavia houve compensação. Era como se eu houvesse aberto uma caixa de chocolate e fosse saboreando gostosamente alguns pedacinhos todo dia, prolongando o prazer da degustação.
Ao final das leituras, estou convencido de que o meu amigo Roberto ainda não é um Rubem Braga, mas sabe falar do cotidiano, passado e presente, de modo a tocar a alma da gente.
Há três aspectos em suas crônicas que desejo ressaltar.
O primeiro deles é que, muito raramente, o livro de estreia de um escritor figurará no mesmo pedestal alcançado por suas demais obras, mas nele é possível perceber o fôlego para a subida. É o que acontece neste caso.
Em segundo lugar, em decorrência da primeira observação, destaco que o conjunto dos textos revela já a existência de um estilo próprio - virtude imprescindível em quem se pretenda escritor.
Em seguida, desperta-me a atenção uma característica presente na quase totalidade dos textos: um humor sadio que dá leveza às reflexões mais profundas e aos relatos mais sérios e dolorosos.
Tudo isso revela a fotografia de um escritor iniciante, mas escritor de fato.
Não foram, porém, essas virtudes que principalmente me sensibilizaram. O que mais mexeu com a minha emoção foram os retratos que o livro revela de nossa velha Franca: lugares, ruas, pessoas... e até meu Chico Franco – imagens que me umedeceram os olhos.
Por tudo isso, cumprimento e abraço o companheiro de letras.
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