Nesta quarta-feira, 30, quem precisou acordar cedo teve de retirar os agasalhos, luvas e touca do guarda-roupa. Os termômetros marcavam 3,5?C e o frio sentido hoje não era registrado há 21 anos em Franca.
A última vez que vez tanto frio na cidade foi no dia 17 de julho de 2000, quando os termômetros marcaram 2,0ºC. A massa de ar polar que atinge o Sudeste fez com que as temperaturas despencassem. Além do frio e do vento gelado, geadas foram registradas em fazendas de café na zona rural de Franca.
Como grande parte dos trabalhadores francanos, Neidia Aparecida da Silva, de 47 anos, não pôde ficar abrigada em casa, tendo de sair de casa às 6h45 para trabalhar. O frio no campo era tão grande, que a trabalhadora precisou improvisar uma fogueira no meio das plantações, junto de seus colegas.
“Ontem estava muito frio, mas hoje está pior. Só fazendo uma fogueira e tomando um café quentinho para encarar o resto do dia de trabalho”, disse Neidia.
A geada registrada na zona Norte atingiu poucos lugares da região. O fenômeno em pés de café pode trazer um grande prejuízo ao cafeicultor durante a colheita e para a próxima temporada de plantações.
"A geada atrapalha a produção do café. Ainda mais agora no tempo de colheita. Se acontece agora, o pé de café pode morrer e, no ano seguinte, pode haver a queda na produção. Além disso, a geada pode atrapalhar na qualidade final da bebida", disse o responsável comercial pela Fazenda JC, que produz cafés especiais, Caio Villar, de 28 anos.
Se estava frio para os trabalhadores do campo, imagina para quem trabalha mexendo com água
Wallace Eurípedes da Silva, de 28 anos, socioproprietário de um lava-jato na avenida Elisa Versola Gosuen, tem o costume de abrir seu estabelecimento por volta das 7h30. Quando abriu o celular e viu a temperatura, tomou um belo susto.
"Acordei e olhei no celular, 4?C. Estava frio. Pra minimizar um pouco, usamos botas e luvas, porque - nossa! - a água estava tão gelada que na hora que batia na mão chegava a doer. Tem que gostar do serviço, porque é complicado. Mexendo com água o dia todo, imagina? O jato que a gente usa é forte, aí faz aquela brisa de água. Aí um fala para o outro: 'Tá jogando água em mim'. Estava difícil. Amanhã eu vou com duas calças e três meias, para tentar dar uma aquecida", disse, em tom de humor, o proprietário.
Apesar do frio, Wallace comemorou o aumento no número de clientes nesta semana. "O movimento deu uma aumentada. Acredito que o pessoal não quer colocar a mão para lavar carro. Aí estão trazendo para o lava-jato. O movimento cresceu bem."
O mecânico Leandro Aguiar Carrijo, de 38 anos, contou que não se lembrava de um dia tão frio como o desta quarta-feira. "Essa madrugada foi muito diferente. Estava muito frio. Usamos três cobertores. Deu nem vontade de levantar da cama (risos). Tá doido, não me recordo de um dia tão frio como essa madrugada", contou Leandro.
O desenvolvedor de software João Pedro Bijos, de 19 anos, sofreu para sair de casa. O carro não pegava. "Eu tive que dar partida no carro umas 20 vezes para ele ligar. Ainda assim, precisei colocar gasolina na injeção", contou o rapaz.
O frio registrado nesta quarta-feira deve permanecer no primeiro dia de julho na cidade. A previsão para amanhã é de mínima de 8ºC, de acordo com o Inmet. A temperatura máxima esperada é de 22?C. A possibilidade de geada foi descartada. De sexta a domingo, os termômetros devem ficar entre 10ºC e 24ºC, com céu aberto, sem chuva e baixa umidade do ar.
Às 21 horas desta quarta-feira, os termômetros já marcavam praticamente a mínima esperada para amanhã, com 8,1ºC. A máxima de hoje foi de apenas 17,7ºC, registrados por volta das 15 horas.
Às 21 horas desta quarta-feira, os termômetros já marcavam praticamente a mínima esperada para amanhã, com 8,1ºC. A máxima de hoje foi de apenas 17,7ºC, registrados por volta das 15 horas.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.