SEQUELAS DO CORONAVÍRUS

'Meu corpo não é mais o mesmo': jovens relatam cansaço e perda de memória no pós-covid

Por Vinícius Nunes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo Pessoal
Rafael Carvalho, 18, contraiu coronavírus em maio deste ano e desenvolveu adversidades no pulmão após a doença
Rafael Carvalho, 18, contraiu coronavírus em maio deste ano e desenvolveu adversidades no pulmão após a doença
Apesar do que muitos pensam, o coronavírus também traz diversos problemas para crianças e jovens, principalmente sequelas. Perda de memória, cansaço excessivo, dor de cabeça, dificuldade para raciocinar, perda de paladar e olfato. Esses são problemas que esse público vem enfrentando após ter a doença.
 
Paola Moscardini, 43, mãe de Orlando, 13, garoto que pegou covid em janeiro de 2021, conta como a doença reagiu em seu filho: “Ele teve febre por três dias, muita tremedeira, diarreia, tosse e calafrios. Fiz o teste, pois estava com os sintomas, e depois de três dias ele também começou a tê-los, fizemos o teste nele e também deu positivo.” A mãe diz que, após a doença, o raciocínio de Orlando ficou mais lento e começou a esquecer das coisas com facilidade, esses problemas só acabaram após alguns meses.
 
Diferente da situação de Orlando, o padeiro Higor Prado, 19, contraiu o vírus em agosto de 2020 e as sequelas ainda não tiveram fim. “Quando fiquei doente, senti todos os sintomas possíveis que estavam falando na época, tive falta de ar, febre alta, minha garganta ficou horrível e fiquei com o corpo ruim, no geral. Mesmo após tudo isso passar, sinto que meu corpo não é o mesmo, não faço mais coisas que conseguia antigamente, eu tinha o costume de correr, corria quilômetros sem sentir nada, agora se corro a fadiga é grande.”
 
Segundo Prado, hoje ele enfrenta diversos problemas para trabalhar, diz se cansar mais rapidamente e que enfrenta constantes dores de cabeça, coisa que acontecia raramente. O jovem teve muita dificuldade na época de confirmar que estava infectado. Ele conta que fez três testes, porque houve divergência nos resultados. “No segundo teste, o resultado foi negativo, fiz um terceiro para ter certeza porque estava sentindo todos os sintomas e o primeiro ainda não havia saído. O último teste deu positivo, logo depois o primeiro saiu com o mesmo resultado.”
 
Além das dificuldades que cada um enfrenta, existe um medo de transmitir a doença para familiares. O estudante Rafael Carvalho, 18, ao sentir os primeiros sintomas da covid, se isolou. "Quando comecei a tossir, já me isolei no quarto, fiz isso por conta do meu irmão e padrasto. Meu irmãozinho tem alguns problemas no pulmão e isso me deixou muito preocupado, eu não havia nem feito o teste ainda."
 
O estudante contraiu o coronavírus no início de maio, mas ainda vem enfrentando problemas e está fazendo novos tipos de tratamentos. “Segundo minha médica, provavelmente fiquei com fibrose no pulmão, e hoje estou tendo que fazer um tipo de fisioterapia pulmonar, para tentar recuperá-lo. Bom, pelo menos, ao que ele era antes. Além disso, também ainda não recuperei meu paladar, o cansaço vem fácil e muitas vezes estou me perdendo nas conversas, os 'brancos' estão frequentes.”
 
Segundo o Boletim Epidemiológico divulgado pela Prefeitura, 1.926 pessoas de 10 a 19 anos contraíram o vírus até o primeiro dia de junho em Franca. Homero Rosa, médico da Vigilância Epidemiológica, conta que não há um grande número de casos nessa faixa etária, mas que esse público pode ser alvejado pelo vírus. “Como estamos avançando de uma forma mais rápida na vacinação no país, existe uma tendência de maior prevalência da transmissão ocorrer em pessoas não vacinadas ou que não foram infectadas, cada vez mais acometendo as populações mais jovens.”
 
O médico também adverte que o vírus pode vir a se tornar mais agressivo. “Como um vírus tem necessidade de sobrevivência e com as barreiras impostas principalmente pela vacinação, ele sofre mutações genéticas de tempos em tempos para tentar driblar esta situação e, com isso, tende a ter comportamento mais infectante e mais agressivo.”

Homero afirma que a melhor forma para reverter essa mutação é a vacinação de bloqueio, que tem como objetivo imunizar toda população no menor tempo possível.

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