VIOLÊNCIA

Pandemia impulsiona casos de violência contra crianças e adolescentes em Franca

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Equipes do 1° e 2° Conselhos Tutelares de Franca, respectivamente
Equipes do 1° e 2° Conselhos Tutelares de Franca, respectivamente

Os impactos econômicos e sociais decorrentes da pandemia do coronavirus contribuíram para o aumento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. De janeiro a maio, 221 agressões foram registradas na área de cobertura do 2° Conselho Tutelar de Franca. No mesmo período do último ano, foram contabilizados 51 casos. O aumento é de 76,92%. A divisão somou 253 agressões durante todo 2020.

Também houve aumento na área de cobertura do 1° Conselho Tutelar. Em média, 90 agressões foram confirmadas no primeiro semestre de 2019 e 2020. A unidade computou 79 agressões apenas no primeiro trimestre de 2021. Quando somados os números de ambos os conselhos, Franca registrou 197 agressões contra crianças e adolescentes de janeiro a março. Mais de duas crianças foram vítimas de violência por dia no primeiro trimestre do ano.

Muitas vezes, o perigo está na própria casa. A assistente social Gláucia Machado Limonti, de 60 anos, estima um aumento de 20% nas agressões contra o público infanto-juvenil, em âmbito familiar, comparado com antes da pandemia. A falta de estrutura, aliado a problemas financeiros e vícios com drogas e álcool são os principais causadores, além do isolamento social, obrigando as famílias a passarem mais tempo em suas casas. 

A quebra de direitos está em alta. O 1° Conselho atendeu 685 casos de violação de direitos de crianças e adolescentes de janeiro a março de 2021. Em média, oito crianças e/ou adolescentes estavam em situação de risco ou vulnerabilidade por dia. 

Para realizar o atendimento em todas as regiões da cidade, o córrego dos Bagres divide as áreas de atuação de cada unidade. O 1° Conselho Tutelar atende as regiões Sul, parte da Leste e Centro. Enquanto o 2° atende Norte, Oeste e parte da Leste de Franca.

A divisão por áreas reflete em números. Segundo o conselheiro Iuri Timóteo, Franca expandiu nas regiões Leste e Oeste. O 2° Conselho atende mais pessoas e, consequentemente, mais casos. “Na realidade, Franca não pode crescer no lado Leste, lado de Ibiraci, de Minas, que é a nascente do rio Canoas. Ali é proibido ter loteamentos. A cidade cresceu nesses últimos anos toda no outro lado. Como aquela região teve um desenvolvimento bem maior em relação a loteamentos e de casas populares, cresceu muito mais e a demanda lá é muito maior."

Impactos causados pela violência
A professora Viviane Freire Bueno, do curso de psicologia da Universidade Cruzeiro do Sul, explica que a violência física torna as crianças e adolescentes inseguros e revoltadas. Esse resultado pode se perpetuar quando mais velhas. “O que esperamos de uma criança ou adolescente que aprende a ser agressivo é que no futuro seja um adulto agressivo.”

O isolamento social, impossibilitando a realização das atividades, fez com que as pessoas ficassem mais agressivas e, posteriormente, depressivas, diz a especialista. “Quando você é obrigado a conviver em um mesmo espaço, com as mesmas pessoas, o tempo todo, há um momento de não reconhecimento (...) Essa situação de pandemia fez com que as pessoas ficassem muito mais irritadas umas com as outras.”

“Em um primeiro momento, quando estamos em uma situação acuada, agimos de uma maneira ansiosa. Quando percebemos que não podemos lidar com essa situação, nós estramos em um estado de depressão. Como se aprendemos a ser desamparados”, completou.

Viviane aconselha a usar o tempo disponível durante o isolamento social para curtir a família e aprender. “Aproveitar o momento em que as famílias estão reunidas para realmente curtir. É importante a gente usar esse momento (de pandemia) para curtir a família, fazer jogos juntos, pinturas... Usar toda criatividade para que as pessoas trabalhem junto as crianças novas brincadeiras, aprendizados e leitura.”

Ajuda da população
Gláucia ressalta a importância da denúncia. Para o Conselho intervir, depende de alguém relatar o problema. “Há uma necessidade muito grande que façam as denúncias, porque o Conselho Tutelar trabalha através das queixas. As denúncias são anônimas. O denunciante pode ficar tranquilo que em momento algum vai perguntar alguma coisa sobre ele. Não há necessidade de falar nome e nem nada.”

“A criança e a adolescente estão aí sofrendo maus tratos, sendo negligenciadas, sendo violadas seus direitos e alguém precisa fazer alguma coisa, que é o Conselho Tutelar, mas depende do denunciante“, completou.

Formas de contato

1° Conselho Tutelar
Rua Manacá, 1724, Centro
Telefones: (16) 3701-9677e (16) 3721-4894
Plantão: (16) 99965-1201

2° Conselho Tutelar
Rua João Batista Borges, 651, no Jardim Milena
Telefones: (16) 3703-0295 e (16) 3703-0616
Plantão: (16) 99967-3547

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