MEIO MILHÃO DE VIDAS

'Há culpados e eles serão punidos', diz cúpula da CPI sobre mortes da covid

Por Amanda Pupo | Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min
Fernando Crispim/Amazônia Real
Sepultamentos de pessoas de baixa renda, no cemitério N.S. Aparecida, em Manaus (AM), há um ano
Sepultamentos de pessoas de baixa renda, no cemitério N.S. Aparecida, em Manaus (AM), há um ano

A cúpula e outros integrantes da CPI da Covid lamentaram a marca de 500 mil mortes provocadas pela covid-19 no Brasil, registrada neste sábado (19). Em nota, os senadores disseram assegurar que os responsáveis por esse quadro "devastador e desumano" pagarão por seus "erros, omissões, desprezos e deboches", e que os culpados serão "punidos exemplarmente". "Há culpados e eles, no que depender da CPI, serão punidos exemplarmente", afirmam a maioria dos membros da comissão. A declaração cita ainda que crimes contra a humanidade, morticínios e genocídios "não se apagam, nem prescrevem".

"Eles se eternizam e, antes da justiça Divina, eles se encontrarão com a justiça dos homens", diz a nota, assinada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD), pelo vice, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o relator, Renan Calheiros (MDB-AL), além de Tasso Jereissati (PSDB-CE), Otto Alencar (PSD-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Rogério Carvalho (PT-SE) e Eliziane Gama (Cidadania-MA). Nenhum governista assinou o documento.

Na sexta-feira, após dois meses de funcionamento, a CPI avançou para uma nova etapa ao transformar 14 testemunhas em investigados, sendo a maioria dos nomes ligada ao presidente Jair Bolsonaro. A lista de 14 pessoas foi anunciada pelo relator da CPI, e inclui o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga; o general Eduardo Pazuello, ex-titular da pasta; e o ex-chanceler Ernesto Araújo, além de integrantes do chamado "gabinete paralelo", núcleo de assessoramento do presidente na condução da pandemia. Renan também afirmou que avalia incluir o próprio presidente na relação, mas que a competência de a CPI para investigar o presidente diretamente ainda é analisada.

Na nota divulgada neste sábado, a maioria dos membros da comissão afirma que as 500 mil vidas perdidas poderiam ter sido poupadas com "bom senso, escolhas acertadas e respeito à ciência". "Nessa data dolorosamente trágica, quando o Brasil contabiliza 500 mil mortes, desejamos transmitir nossos mais profundos sentimentos ao País. Temos consciência que nenhuma palavra é suficiente para consolar e superar a dor das perdas de nossas famílias. São 500 mil sonhos interrompidos, 500 mil vidas ceifadas precocemente, 500 mil planos, desejos e projetos", dizem os senadores.

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