MUDANÇA NO PERFIL

Covid mata mais jovens e adultos do que idosos em Franca

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Especialmente na última semana, os óbitos de pessoas com menos de 60 anos foram destaque nos registros epidemiológicos de Franca
Especialmente na última semana, os óbitos de pessoas com menos de 60 anos foram destaque nos registros epidemiológicos de Franca

Classificar apenas idosos e pessoas com comorbidades como grupo de risco da covid já não é mais aceitável. Com o avanço da doença e as novas variantes - que já é predominante em mais de 70% dos casos em Franca -, o perfil das vítimas mudou: em um levantamento de 15 dias, o número de pessoas com menos de 60 anos corresponde a 56,5% dos óbitos registrados.

Entre o dia 27 de maio e 10 de junho - período em que a cidade esteve em lockdown -, 115 francanos perderam a vida. Destes, 65 tinham menos de 60 anos. Além de não serem considerados idosos, foram confirmadas vítimas de 38, 29 e até 25 anos, muitas sem doenças pré-existentes.

Morte por faixa etária entre 27 de maio e 10 de junho
90 anos ou mais: 2 
80 a 89 anos: 10
70 a 79 anos: 13
60 a 69 anos: 25
Total idosos: 50

50 a 59 anos: 33
40 a 49 anos: 24
30 a 39 anos: 5
20 a 29 anos: 3
10 a 19 anos: 0
0 a 9 anos: 0
Total jovens e adultos: 65

Vacina, nova variante e sensação de imunidade
A mudança de perfil não somente significa o reflexo da vacinação, mas também um aumento significativo do número de óbitos. De acordo com o médico infectologista Bernardo Almeida, para manter o índice de internação e mortes em jovens igual ao de idosos, é necessária uma quantidade muito maior de infecção.

“É claramente um impacto vacinal. Como a população acima de 60 anos foi priorizada no início da campanha, elas passaram a ser protegidas. É um reflexo do benefício gerado das vacinas para a população mais idosa e acaba ocorrendo essa migração dos casos para os mais jovens. No caso da covid, de casa dez idosos infectados, dois iriam internar. Já as pessoas abaixo de 60 anos, de cada 100, ia ser cinco ou dez precisando de internação, é outra proporção. Para sustentar esse volume de óbitos, você precisa ter muito mais casos”, disse o infectologista.

Especialmente na última semana, as pessoas com menos de 60 anos foram destaque nos registros epidemiológicos de Franca. Na última terça-feira, 8, quando foram confirmadas sete vítimas, todas elas tinham 59 anos ou menos. No dia anterior, com 17 mortes contabilizadas – a segunda maior marca da pandemia, apenas três pessoas eram consideradas idosas. Já na quarta-feira, 9, de nove mortes, apenas uma era de francano com mais de 60 anos.

Para Almeida, a pressão no sistema de saúde se mantém justamente pelos jovens pensarem que não vão desenvolver a forma grave da doença e, assim, não tomarem os cuidados necessários. “As idades dos óbitos vão caindo por causa dessa proteção dos idosos e do não controle da circulação viral entre os mais jovens.”

O que piora ainda mais a situação é a circulação das variantes, que tem um potencial mais agressivo. Em Franca, já é predominante a chamada Gama, variante de Manaus, antes conhecida como P1 e com um grau de transmissão muito maior. “Já há dados suficientes para concluir que essa variante é mais transmissível, comparada à versão anterior que circulava. Ela aumenta as chances de reinfecção e tem alguns indícios, isso não está plenamente estabelecido, mas de que ela é mais grave, no sentido de aumentar a possibilidade de uma internação e óbito”, afirmou o infectologista.

Vacinação em Franca
Os dados do Governo do Estado de São Paulo apontam que mais de 135 mil doses foram aplicadas em Franca, sendo que cerca de 95 mil receberam a primeira dose e pouco mais de 40 mil pessoas foram totalmente imunizadas. Segundo o cronograma do município, idosos de 60 a 63 anos ainda não receberam a segunda dose da vacina, já que a vacinação para essa etapa contempla, atualmente, os de 64 anos ou mais.

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