Aos 42 anos, Anderson Soares, socorrista e motorista do Samu, se prepara para uma nova etapa de sua vida. Depois de trabalhar por mais de 10 anos em uma fábrica de sapatos, Anderson também foi pedreiro por um longo período e hoje, depois de vivenciar a rotina de emergência do Corpo de Bombeiros e Samu, realiza o sonho de ingressar na faculdade de medicina.
Foi no atendimento às ocorrências que o amor pela área surgiu. “Comecei no Corpo de Bombeiros e fiquei bastante tempo. Fui treinado no atendimento de urgência e emergência, quando em 2016, o Samu chegou Franca. Desde então, passei a conhecer melhor o trabalho do médico e enfermeiro e como isso fazia diferença para o paciente”, disse Anderson.
Por não ter um ensino superior, o socorrista achava que se tornar um médico era, para ele, uma realidade impossível, mas aos poucos foi se livrando dessa barreira. “Uma vez uma coach foi conversar com a gente na Prefeitura e ela me fez enxergar que existia possibilidade de conseguir o que a gente quer, mesmo que fosse difícil. Foi nesse momento que eu levei em consideração que podia ter coragem de sonhar e arriscar a fazer o curso de medicina.”
A partir de então, Anderson dividiu seu tempo entre o trabalho, família e estudos. Como fazia o plantão no período noturno, à noite trabalhava e de dia estudava. Durante esse tempo, ganhou bolsa em cursos de vestibular, mas ainda assim, teve de se dedicar em casa para também poder cuidar do filho, já que a mulher trabalhava fora.
O esforço foi compensado pela aprovação na Faculdade Municipal de Medicina depois de dois anos de estudos, mas junto com ela, veio a preocupação em arcar com os custos do curso. Anderson foi contemplado pelo programa Bolsa Universidade, com uma bolsa parcial que divide o valor da mensalidade entre o município, a universidade e o aluno. Ainda assim, com a mulher desempregada por conta da pandemia e com apenas o salário do Samu, Anderson não consegue pagar uma das partes.
“A bolsa é parcial, mas mesmo assim, por conta da minha renda não ser o suficiente para pagar a faculdade e manter minha família, coloquei minha casa à venda. Não posso atrasar as parcelas, se não, perco a bolsa”, disse Anderson.
Vendo a situação do colega, estudantes de medicina criaram uma vaquinha para ajudar com os custos, pelo menos enquanto Anderson não vender a casa. “Estou surpreso e emocionado com o carinho de todas as turmas da faculdade, dos colegas de trabalho, dos professores do cursinho que concederam bolsa e contribuíram nessa campanha. Eu sempre busquei acreditar no melhor das pessoas e agora as pessoas acreditam em mim, então, só posso agradecer tudo isso.”
A casa à venda foi construída aos poucos pelo próprio Anderson, aos fins de semana. Enquanto trabalhava durante a semana, se dedicava à obra aos sábados e domingos. A expectativa é que com a venda e a vaquinha, ele consiga se manter na faculdade.
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Comentários
1 Comentários
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Jari 24/10/2023Eu também quero vaquinha pra começar a pagar faculdade de medicina ....se o povo ajudar