Durante os primeiros sete dias de Franca em lockdown, 73 moradores da cidade morreram com diagnóstico da covid. Entre a quinta-feira da semana passada, 27 de maio, e essa quarta-feira, 2 de junho, é como se uma pessoa perdesse a batalha para o coronavírus a cada 2 horas e 18 minutos, em média.
O objetivo primeiro do lockdown é tirar as pessoas das ruas, para diminuir o contato e, assim, a disseminação do vírus. A queda no número de mortes é algo a ser colhido em mais tempo.
“É esperado que daqui a duas ou quatro semanas a gente tenha um efeito positivo, não nas mortes exatamente, porque demora mais tempo para refletir os benefícios do lockdown, mas na diminuição da quantidade de casos, isso nos dá um fôlego”, disse o médico Homero Rosa, da Vigilância Epidemiológica de Franca.
Apesar de ser em pouca medida, o índice de isolamento cresce dia após dia em Franca, desde que as medidas restritivas foram decretadas pelo prefeito Alexandre Ferreira (MDB).
Na quarta-feira, sétimo dia de lockdown em Franca, o isolamento atingiu 46% - o maior registro em um dia útil desde 16 de julho de 2020, uma quinta-feira. O índice ainda está longe do ideal e é pequeno levando em consideração que a cidade está fechada, mas a trajetória aponta um crescimento.
A ação da Vigilância Sanitária pode ser uma das explicações para o aumento na quantidade de pessoas que ficam em casa. Os agentes municipais, dentro do limite que a falta de pessoal impõe, têm deixado claro que não farão corpo mole para as empresas que insistem em tentar burlar as regras do lockdown.
Até uma vigia de cinco horas em frente a academia, a Vigilância, Polícia Militar e Guarda Civil Municipal já fizeram para autuar infratores das regras para tentar frear as mortes por covid-19.
“A gente precisa é de uma conscientização, de um bom senso e de uma compreensão. Nós entendemos o impacto econômico, nós entendemos o impacto social, mas aqui nossa preocupação é sanitária. A gente precisa controlar esta pandemia, porque não queremos estar assim em 2022”, disse a chefe da Vigilância Sanitária, Mariela Toscano.
Além da interdição das empresas, os vultosos valores que podem alcançar as multas também intimidam as infrações. Fontes ligadas à Prefeitura apontaram para penalidades a serem aplicadas superiores a R$ 100 mil, em alguns dos flagrantes registrados durante esta primeira metade do lockdown.
Na semana imediatamente anterior ao lockdown, a média de isolamento social ficou em 37,4%, que subiu a 42,6% entre 27 de maio e 2 de junho. A média móvel de mortes, que ainda sente os efeitos de semanas anteriores ao lockdown, também cresceu, passando de 8 para 10,4 óbitos diários.
A considerar a média móvel registrada na quinta-feira, 3 – primeiro dia da segunda semana de lockdown –, o índice já recuou ao nível de uma semana atrás, mas a covid ainda continua matando um morador de Franca a cada duas horas e dezoito minutos.
Nos hospitais, a situação segue a mesma com as Alas Covid da rede pública colapsadas e os hospitais particulares à beira da lotação.
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