Em mais de uma hora de depoimento, a infectologista Luana Araújo afirmou por diversas vezes que o debate sobre o chamado tratamento precoce é "indevido, sem cabimento e sem lógica". E, segundo ela, isso não é uma questão de opinião, de ser contra ou a favor. "Não temos opinião, mas evidências, e elas são claríssimas, transparentes. Somos a favor de uma terapia precoce que exista. Quando ela não existe, não pode se tornar uma política de saúde pública", disse. Para Luana, o debate sobre o uso de cloroquina ou outros medicamentos sem comprovação científica para tratar covid-19 é "uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente".
"Quando disse, há um ano atrás, que estávamos na vanguarda da estupidez mundial, eu, infelizmente, ainda mantenho isso em vários aspectos. Porque nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento, é como se estivessemos discutindo de que borda da Terra plana vamos pular. Não tem lógica."
De acordo com Luana, o debate necessário é o que pode trazer soluções. "Precisamos desenvolver soluções, estratégias claras adaptadas ao nosso povo, ajudar o gestor a conseguir os resultados que ele precisa, porque desses resultados dependemos todos nós. E, ao invés disso, ficamos aqui discutindo algo que é ponto pacificado para o mundo inteiro. Esse é o perigo da nossa fragilidade e arrogância."
Luana retruca senador
"Eu reconheço o sacrifício e o esforço de todos os meus colegas, mas infelizmente, também reconheço a falta de informação que eles têm para embasar esse tipo de situação", respondeu Luana ao senador Eduardo Girão (Pode-CE) durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid no Senado.
Segundo a médica, no início da pandemia era natural que as autoridades envolvidas no combate à pandemia tenha buscado alternativas para o tratamento de pacientes acometidos pela covid-19, porém condena que, "depois de um anos de pandemia, de evidências acumuladas, dezenas de revisões sistemáticas e estudos bem-feitos", insistam em "algo que não tem valor e pode vulnerabilizar as pessoas".
"Com muita dor, devo dizer que os meus colegas médicos não estão com o embasamento correto para responder sobre isso uso de medicamentos para o tratamento precoce", completou Luana.
"O profissional tem direito de prescrever se ele quiser, mas ele precisa ser responsabilizado - e isso é para qualquer circunstância - sobre os resultados daquilo que ele faz. Se eu prescrevo qualquer coisa para o meu paciente e ele fica bom, digo que sou o máximo. Mas se ele morre, foi porque Deus quis. E não pode ser assim", argumentou Luana.
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