SUPERMERCADOS

Lockdown gera 'boom' de pedidos de delivery e preocupa comerciantes

Por Lucas Faleiros* | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Irmãos Patrocínio
Fila de carrinhos com pedidos dos clientes em uma das lojas da rede Irmãos Patrocínio
Fila de carrinhos com pedidos dos clientes em uma das lojas da rede Irmãos Patrocínio
Assim que o lockdown em Franca foi anunciado pelo prefeito Alexandre Ferreira (MDB), no dia 24 de maio, os telefones de supermercados, varejões, padarias e demais estabelecimentos do ramo começaram a tocar incessantemente. As medidas mais drásticas de isolamento social na cidade proporcionaram um verdadeiro “boom” nos serviços de delivery e essa explosão tem preocupado os comerciantes.
 
De acordo com administradores que atuam no ramo, o número grande de entregas pode causar um colapso no abastecimento. Recentemente, a Apas (Associação Paulista de Supermercados) entrou na Justiça para tentar liberar o funcionamento dos mercados durante o lockdown utilizando o mesmo argumento, mas não conseguiu – pelo menos em primeira instância.
 
De acordo com Ronnei Amorim Ribeiro, gerente do Irmãos Patrocínio, os supermercados da cidade não suportam o volume de pedidos que tem chegado durante a última semana. Ele conta que a rede de varejões costumava receber cerca de 50 a 60 solicitações diárias e, agora, recebe entre 4 mil e 6 mil, o que gerou a necessidade de reforçar a frota da empresa.
 
“Para restaurantes, lanchonetes e serviços que vendam produtos não essenciais, o delivery funciona muito bem. Mas, para quem vende produtos de uso essencial, fica impossível. O número de carros nossos na rua aumentou em dez vezes para tentar atender toda a população, mas ainda assim parece não ser suficiente. A cidade é muito populosa e precisamos fazer tudo em tempo recorde, já que existe limite de horário. O nosso sistema de vendas está congestionado e ainda temos pedidos para daqui três, quatro dias”, diz.
 
Ronnei afirma que as pessoas que têm menos condições financeiras podem começar a ter de lidar com a falta de alimentos. “Muita gente comprou para fazer estoque. Com isso, quem é mais humilde pode ficar sem. Pode vir a acontecer um colapso na cidade. Nós pedimos que as pessoas tenham muita calma e consciência na hora de comprar. O momento é delicado, a fila de espera é grande e a situação pode piorar. Só não paramos de receber pedidos por respeito à população. Não estamos visando lucro. Estamos pensando nas pessoas. É preciso ter empatia.”
 
Carlos Pereira, proprietário do Serv Pag Pereira, no Parque do Horto, diz que a situação está complicada e que tem faturado bem menos do que lucraria em uma situação corriqueira. 
 
“Está muito difícil. Só hoje, abri mais quatro canais de WhatsApp, mas ainda têm pessoas que insistem em fazer o pedido por ligação, o que demora muito. Fora que precisei contratar freelancer, entregador de moto. Estamos fazendo o nosso máximo e nem é pela venda, é pelos clientes. Se olhar faturamento, nem compensa. Tem muita despesa e estou vendendo 30% do que venderia com a loja aberta.”
 
Segundo ele, a maior dificuldade não é a entrega em si, mas o processo que a antecede. “O número de entregas aumentou de uma vez. Você sai de dez para 200 por dia, entende? É muita gente. E o problema maior nem é esse. É entregar tudo certo, nos gostos de cada pessoa, com todas as especificações. Às vezes nem o cliente especifica o que quer. O processo é demorado. Tem que anotar, separar, pôr no carrinho, passar no caixa e entregar. Acho que deveriam liberar pelo menos o drive-thru. Já facilitava”.
 
A gerente de E-commerce da Rede Savegnago, Vanessa Previdelli, também relata um aumento exponencial dos pedidos de delivery para os supermercados filiados. “Tivemos um aumento de 450% no volume de solicitações nos últimos dias. A maioria delas chegam por meio do nosso aplicativo e pelo site, mas também recebemos pelo telefone. Fizemos uma força-tarefa com empresas parceiras para atender tudo dentro do prazo durante o lockdown.”
 
Adilson Costa, gerente geral do Grupo Rafa’s Super Varejão, afirma que a equipe de funcionárias foi treinada para atender os clientes como se eles estivessem dentro da loja e que a empresa tem feito mais de 200 entregas por dia, “A escolha dos produtos tem que ser bem feita e a mercadoria bem embalada. Em cerca de uma hora, fazemos mais ou menos 15 entregas. Não tem nem como agendar horário. Além de tudo, precisamos contratar mais entregadores para lidar com o aumento de pedidos.”
 
*colaborou Denise Silva, editora do Portal GCN

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