HOSPITAL DA CARIDADE

Alexandre descarta o Ima: 'pagaram gente da diretoria com dinheiro público'; hospital rebate

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes Sociais
O prefeito Alexandre Ferreira durante pronunciamento: Ima descartado como opção para hospital de campanha
O prefeito Alexandre Ferreira durante pronunciamento: Ima descartado como opção para hospital de campanha

O prefeito Alexandre Ferreira (MDB) descartou sábado, 29, qualquer possibilidade de uso da estrutura do Hospital da Caridade, do Ima (Instituto de Medicina do Além), para funcionar como hospital de campanha para tratar pacientes de covid. Segundo o prefeito, a falta de estrutura do local, que exigiria um grande investimento para ter condições de funcionamento, somado aos processos movidos pelo Ministério Público contra o hospital por conta de irregularidades no contrato mantido com o município durante o governo Gilson de Souza (DEM), tornam inviável a operação. O hospital negou as irregularidades em nota distribuída também ontem. 

Alexandre usou as redes sociais para postar o pronunciamento sobre o Ima. Disse que, no início do seu mandato, chegou a esboçar um plano para tentar aproveitar a estrutura do Hospital da Caridade. A ideia era fazer uma requisição temporária do prédio, uma espécie de "desapropriação provisória", com a prefeitura indenizando o Ima pelo tempo de uso. A iniciativa esbarrou em uma ação de improbidade movida contra o hospital. “Existe uma ação judicial contra o Hospital da Caridade, contra o prefeito anterior (Gilson de Souza) e contra o presidente do Hospital da Caridade da época, que foi quem assinou o contrato com a Prefeitura”, disse o prefeito no vídeo.

Ainda segundo Alexandre, além da ação judicial, o Ima apresentou problemas na prestação de contas à Prefeitura de Franca. “Apresentaram, por exemplo, nota fiscal de compra de cerveja. Até pagaram gente da diretoria com dinheiro público, coisa que é proibido. Aliás, o Tribunal de Contas do Estado continua fazendo toda investigação em relação a isso”, afirmou.

Pesou também na decisão do prefeito o tamanho do investimento necessário para transformar o Ima num hospital de campanha. "Hoje são necessários mais de R$ 10 milhões em equipamentos. Não existe equipamento e, de novo, nem rede de tubulação de gás", afirmou.

Irritado com os boatos que circulam em grupos de WhatsApp apontando que a falta de um alvará, responsabilidade da prefeitura, é que impediria o funcionamento do Ima, Alexandre classificou a versão como mentirosa. “O hospital de campanha não precisa de alvará. Então para com essa história que a Prefeitura que não quer dar o alvará? O hospital de campanha por lei não precisa de alvará”, disse.   


Resposta do Ima
O Ima rebateu as afirmações feitas por Alexandre poucas horas depois, em nota publicado em redes sociais. No texto, o hospital reconhece que o Ministério Público Federal propôs uma Ação Civil pedindo a devolução do valor recebido pela locação do espaço. Para o MP, o valor do aluguel do espaço ocupado pelo Hospital da Caridade já fazia parte do convênio estabelecido e a prefeitura teria pago duas vezes pelo mesmo serviço.

“O Hospital da Caridade, nesse processo, já apresentou manifestação prévia por escrito e oportunamente apresentará contestação e produzirá outras provas, antes que o processo seja concluído, no sentido de se provar que todo valor recebido do poder público municipal foi inteiramente destinado ao tratamento dos pacientes acometidos pela covid-19”, disse o Ima.    

O Hospital da Caridade repudiou as alegações feitas pelo prefeito sobre a compra de cerveja e uso do dinheiro público para pagar membros da diretoria, apesar de reconhecer que ambas as situações são reais. A cerveja adquirida com dinheiro público tinha como objetivo amaciar as carnes para o consumo. “A cerveja Caracu, no valor de R$ 6,98, tinha como único objetivo de sua utilização o de amaciar as carnes adquiridas, em sua maior parte, carnes de segunda linha”, traz a nota.

“Membros da diretoria não receberam nenhum pagamento pelo trabalho que desempenham na Diretoria do Hospital, mas pelas funções extras que cumularam durante o funcionamento do Hospital de Campanha, cujo trabalho foi efetivamente prestado e a não remuneração de funcionários implica também em enriquecimento ilícito por parte do Poder Público”, disse. Os valores que teriam sigo pagos, para quem e por qual período não foram especificados pelo prefeito Alexandre Ferreira nem pela nota oficial do Hospital da Caridade.

Por fim, o Hospital da Caridade insiste na versão que a falta do alvará estaria por trás das dificuldades de operação do hospital.

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