TRAGÉDIA DA COVID

ESTAMOS DE LUTO!

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Nós, jornalistas e profissionais do Portal GCN, estamos de luto. Não é um luto recente. Começou há mais de um ano, quando a pandemia já se anunciava como trágica. Desde então, todos os dias, acordamos sabendo que passaremos horas intermináveis contando algumas das histórias mais tristes das nossas vidas. Sem descanso. Sem trégua.
 
A notícia do lockdown, apesar de dura, surgiu como um alívio, um vislumbre de que esse momento pudesse, então, caminhar para o fim. Mas ver tantos carros nas ruas, gente passeando e programando encontros, redes sociais com grupos reunidos sem máscara a despeito das mortes que se multiplicam em ritmo jamais visto, foi capaz de congelar as nossas espinhas. O baixo índice de isolamento social, que apontou 41% ontem, em pleno lockdown, é uma amostra do tamanho do desafio que a cidade enfrenta.
 
Nesta sexta-feira, 28 de maio de 2021, chegamos a 656 histórias de francanos interrompidas – na sua grande maioria, muito antes da hora. Suas trajetórias não estarão mais registradas em nossas páginas. Suas conquistas, seus feitos, seus sonhos foram todos interrompidos por um vírus. 
 
A covid não é especialmente letal, não é particularmente contagiosa, nem é difícil de ser evitada. Mas a recusa de parcela dos brasileiros – muitos deles, francanos – de acatar as medidas mais elementares de proteção, como usar máscara, álcool gel e manter distanciamento social, somada à incompetência e perversidade de um governo federal que ignora rudimentos da ciência e, ainda por cima, não comprou vacinas quando podia, criaram as condições ideais para que o coronavírus mate. E ele tem matado, furiosamente.
 
Preferimos, um milhão de vezes, enfrentar críticas e xingamentos nas redes sociais proferidas por negacionistas que parecem não ter amor nem à própria vida do que continuar contando histórias como a da menina de 23 anos, mãe de três crianças, que nunca vai poder assistir seus filhos crescerem. Não os verá na juventude, não vai aconselhar nos momentos difíceis, não estará em seus casamentos, não será avó de seus netos. Ela é uma, de muitas vítimas.
 
Saber que, só hoje, mais 18 famílias tiveram o óbito de seus integrantes registrados, é aterrorizante. 
 
Há décadas, noticiamos uma grande tragédia, quando um ônibus de estudantes caiu na curva da morte, a caminho de Rifaina. Morreram 19 estudantes. É uma matéria que marcou a vida dos jornalistas da região, parou algumas cidades e chocou o Brasil. Autoridades agiram e a curva da morte ficou no passado. 
 
Mas só hoje, num único dia, perdemos mais um ônibus daqueles. Desde o começo da pandemia, é como se quase 35 ônibus idênticos tivessem despencado, sucessivamente, um depois do outro.
 
Por tudo que considere sagrado, belo, importante, relevante, divino, fique em casa. Se proteja. É só o que pedimos. Haverá prejuízos, possivelmente menos dinheiro ou bens. Mas, no fim, estaremos vivos. E, vivos, sempre poderemos recomeçar. Nos reerguer. Nos reinventar. Fique em casa, por tudo que seja importante neste mundo para você.
 
Por maior que seja a tristeza que tem consumido as nossas equipes, os nossos corações e almas, por mais agudas que as dificuldades que se apresentem, sabemos que isso nem minimamente se aproxima da angústia e exaustão dos profissionais de saúde que batalham nos corredores de hospitais, nas macas de enfermaria e nos leitos de UTI pela vida dos seus pacientes.
 
Muito menos, sequer representa a ínfima parte da dor que sentem as famílias que tiveram que sepultar essas 656 pessoas – 157 delas, apenas em maio – sem tempo para despedidas, sem um velório adequado, sem condições para um último adeus. É dor demais. São perdas demais.
 
Nossa solidariedade neste momento segue com toda a concentração possível aos profissionais da saúde, da limpeza à UTI. 
 
Às famílias, nossos mais profundos sentimentos de respeito e lamento. 
 
Nós estamos com vocês, nesse luto interminável. Estamos ao lado dos que conseguiram se recuperar, muitos deles ainda com sequelas. Estamos juntos com os profissionais de saúde, na sua luta inglória. 
 
Apoiamos, incondicionalmente, todas as medidas restritivas que a prefeitura de Franca adotou, ou precise adotar, pelo tempo que for necessário, convictos de que não existe chá, antiprotozoário ou vermífugo que sirva para coronavírus. Precisamos nos proteger, até que a pandemia seja controlada. Precisamos de vacinas, para superar esta tragédia. 
 
Até o final deste pesadelo, o Portal GCN estará, como não poderia ser diferente, de luto. Um luto expresso em todas as páginas, desde agora, até que a pandemia recue, os leitos voltem a ser suficientes, o pronto-socorro não acumule pessoas além do razoável. A mortandade tem que parar.
 
Fique em casa!

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