LEGISLATIVO

Vereadores declaram publicamente apoio a Alexandre sobre lockdown

Por N. Fradique | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução
Vereadores durante sessão online nesta terça-feira, um dia após anuncio de lockdown em Franca
Vereadores durante sessão online nesta terça-feira, um dia após anuncio de lockdown em Franca
Durante a sessão da Câmara Municipal de Franca desta terça-feira, 25, parte dos vereadores reafirmou apoio ao prefeito Alexandre Ferreira (MDB) com relação ao decreto de lockdown anunciado na segunda-feira, 24. A medida de enfrentamento à crise da pandemia na cidade começa a valer a partir desta quinta-feira, 27, se entendendo até o próximo dia 10.
 
Alguns vereadores preferiram o silêncio na sessão virtual desta terça, mas vozes de parlamentares como de Gilson Pelizaro (PT), Donizete da Farmácia (MDB), Carlinho Petrópolis (PL), Della Motta (PODE), Pastor Palamoni (PSD), Kaká (PSDB) e Lurdinha Granzotte (PSL) não ficaram em cima do muro em relação à decisão do prefeito, se solidarizando com o chefe do Executivo.
 
O vereador Donizete da Farmácia acredita que foi uma decisão difícil de ser tomada pelo prefeito, uma vez que as pessoas já estão sofrendo com a pandemia há algum tempo. Ele chegou a chorar durante seu discurso. “Estou solidarizando com o prefeito nessa decisão difícil de ser tomada. Sei que ele vai sofrer críticas, mas precisava ser tomada. Me convenci ainda mais da necessidade de se tomar medidas mais duras após visita ao pronto-socorro, recentemente, e ver aquela situação. Pessoas sofrendo, desesperadas, precisando de um atendimento digno. Precisando de leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, disse o vereador. Nesta terça-feira, 49 pessoas aguardavam transferência para hospitais, no PS. Quarenta delas precisam de vagas de UTI, sendo nove intubadas.
 
“Deitei ontem e fiquei pensando nas pessoas que não têm dinheiro para fazer uma compra nesses 15 dias, comprar leite para seus filhos, dar um arroz. Esses 15 dias vão ser difíceis. É a fome, cara?... Graças a Deus temos condições de passar esses 15 dias, e quem não tem?”, completou Donizete, emocionado.
 
Pelizaro lembrou que desde sua posse, em janeiro, vem demostrando sua preocupação com a pandemia, e que um gestor precisa tomar decisões duras em determinado momento. “Todos meus pronunciamentos, desde que tomei posse, eu tive uma preocupação com a pandemia. Hoje estamos vivendo na pele o mesmo que Araraquara passou lá e a situação só foi controlada através de lockdown. Agora é a hora de ninguém largar a mão do outro. O remédio tem que ser amargo e não água com açúcar. O prefeito não está indo contra a economia e, sim, a favor da vida. Primeiro a pessoa precisa viver pra depois consumir. Gestor público está aí é para isso, para tomar medidas impopulares também.”
 
O petista aproveitou para criticar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que sempre aparece realizando aglomerações sem máscara. “Temos que fazer o que a ciência manda, porque a vacina não chega, por conta de um presidente genocida que não comprou vacinas. Não vamos deixar Franca virar uma Manaus.”
 
Kaká lembrou que não há vagas para pacientes com covid nem em hospitais particulares. “Muitos vão questionar, vão criticar a decisão do prefeito. Mas é por isso que as lideranças da cidade foram chamadas para opinar. Acho que o prefeito tomou a decisão correta, porque a crise na saúde é crítica. Nem atendimento pago em hospitais particulares está sendo possível.”
 
Carlinho Petrópolis pediu união e lembrou que já são mais de 600 famílias enlutadas na cidade. “A situação é muita preocupante e temos que ter união nesse momento. É cada um fazer sua parte. Já morreram mais de 600 pessoas. Ninguém queria isso (lockdown), mas é a alternativa para salvar vidas. A Câmara tem papel importante nesse processo e vamos juntos com o prefeito.”
 
Lurdinha Granzotte não escondeu que é contra o lockdown, mas disse que a situação exige medidas mais duras no combate à doença. “Todos sabem que eu sempre fui contra o lockdown, mas nesse momento não tem outra saída. Vamos pensar na vida. Não está fácil pra ninguém e para o prefeito não é fácil tomar esse tipo de decisão. Não sabemos o resultado disso (do lockdown) depois, mas tem que se tentar. Deixou minha solidariedade ao prefeito.”
 
Pastor Palamoni lembrou que desde o começo da pandemia a cidade vem adotando medidas contra a pandemia, mas pede maior conscientização da população. “Desde o ano passado, quando começou o isolamento social, foram feitas várias ações pedindo a conscientização das pessoas. Mas há pessoas que não aderem o uso de máscaras e ficam indo a festas. Não sou a favor do lockdown, mas nesse momento não tem outra alternativa. Não adianta ter dinheiro, mas não ter saúde. Se não houver uma atitude rígida agora, não saberemos o que pode ocorrer daqui a 15 dias. Agora é apoiar a decisão do prefeito para que nossa cidade reverta esse quadro que se apresenta.”
 
Della Motta também disse que não era a favor das medidas de fechar tudo, mas que apoia a decisão de Alexandre. “Não concordo com o lockdown, mas se todos cumprissem os protocolos não precisariam disso. Mas vou parabenizar o prefeito, porque não é fácil tomar uma decisão desse naipe. É o momento, porque temos que priorizar a vida.”
 
Marcelo Tidy (DEM), Zezinho Cabeleireiro (PP) e Ronaldo Carvalho (Cidadania) usaram da palavra na Tribuna, mas não deixaram claro em seus discursos se apoiam ou não o lockdown na cidade.
 
Projeto
No período da tarde, a Câmara aprovou projeto de lei do prefeito Alexandre Ferreira para a abertura de créditos adicionais no Orçamento Fiscal, no valor total de R$ 202.722,94, para pagamentos de despesas nas áreas da Educação e Segurança e Cidadania.

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