Porta de entrada para tratamento pelo SUS dos casos da covid-19 em Franca, o Pronto-socorro Municipal "Álvaro Azzuz" vive o colapso causado pelo descontrole da pandemia nas últimas semanas. Somente nesta terça-feira, 25, 49 pessoas aguardam no PS por vagas em hospitais públicos, sendo 40 esperando leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) - nove estão intubados - e 9 de enfermaria. Em imagens obtidas com exclusividade pelo GCN, é possível ver o caos que toma conta da ala interna do hospital, sem macas suficientes para todos e apenas um enfermeiro prestando atendimentos.
Os vídeos foram registrados no sábado, 22, pela paciente Patrícia Roberta Busqueiro, de 44 anos, que ficou durante cinco dias internada na ala covid do PS. No registro, ela mostra a ala em que estava abrigada, tendo pelo menos uma dezena de pacientes sentados em cadeiras de consultório e com as pernas esticadas em cadeiras de roda, devido à falta de macas.
A filha de Patrícia, Kélyni Busqueiro, de 24 anos, deu detalhes dos dias que a mãe esteve no pronto-socorro. Ela conta que no sábado, quando as imagens foram registradas, Patrícia a telefonou desesperada, com medo de morrer. “Sábado, ela surtou. Me ligou chorando muito, dizendo que não queria morrer lá. Disse que tinha visto algumas pessoas falecerem ali, na mesma sala, e que estava sem esperança nenhuma”, contou.
Neste mesmo sábado, de acordo com a filha, o pronto-socorro sofreu com uma queda de energia, durante uma chuva à tarde. Momentos depois, sua mãe precisou ser medicada, mas nenhum enfermeiro ou médico estava próximo. “Ficou algumas horas sem ninguém lá. Não tinha nem médico nem enfermeiro. Mas não durou muito, não, só algumas horas. Aí, como sempre, deu briga e acabaram voltando”, disse.
Kélyni diz ter tido acesso à ala covid do PS no primeiro dia de internação de sua mãe. A jovem relata um ambiente de verdadeiro caos, sem espaço para abrigar a todos e corredores sendo utilizados para internações. “Lá no fim, onde toma medicação, tem as macas para eles se deitarem e é onde estão internados com covid. Tem outras duas salas ao lado, em frente aos consultórios, que também estão lotadas. Então, para não ficar sem oxigênio, eles ficam internados em cadeiras de rodas”, detalhou.
Mesmo com todas as dificuldades e limitações, a jovem destaca o esforço dos profissionais que trabalham diariamente no pronto-socorro. “Eles não têm condições de atender a demanda de pessoas infectadas. Estão fazendo o que podem, mas são vidas em jogo”, finalizou.
A respeito da falta de equipamentos, a Prefeitura se limitou a dizer, na segunda-feira, que “novas macas e camas foram adquiridas e deverão ser destinadas para a antiga ala de atendimento clínico, no pronto-socorro, com previsão de acolhimento de pacientes ainda nesta semana”.
Já sobre a situação das pessoas acolhidas em cadeiras de rodas, além da falta de profissionais prestando atendimento, a Comunicação da Prefeitura disse, também na segunda-feira, que aguardava uma resposta da Secretaria de Saúde.
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