Após ver aquilo, sentei-me, abri a segunda garrafa e completo o copo. Pensei que minha vontade mesmo era dar-lhe um tapa na cara para aprender a não dizer e não fazer besteira. Após meu questionamento de que aquela imagem postada era tão violenta quanto o uso da braçadeira, o retorno foi uma lástima: “bom acho que os neonazistas têm que sofrer igual antigamente para eles deixarem de lado esse pensamento idiota”.
A imagem era um homem sentado em uma mesa de bar, vestido de social, tomando uma cerveja, com uma braçadeira da suástica tendo seu cérebro dilacerado por uma tacada na cabeça de um outro homem “punk” de cabelo moicano espetado. No taco havia a frase “antifascista”.
O jovem tinha razão quanto ao pensamento idiota, entretanto o que assustava era um tranquilo garoto de dezesseis anos fazendo postagem desta dimensão. Legítimo o senso de “justiça”, sobretudo ser contrário ao fascismo. Todavia, sem nenhum conhecimento humanista, no que diz respeito ao enfrentamento da violência sem ser violento. Ou no mínimo civilizado de modo a não fazer o que de fato tem vontade – como eu tinha naquele momento de dar-lhe um tabefe na cara.
Imagino eu sentando em um café, tomando meu sagrado capuccino e minha água com gás, chega um jovem truculento dando-me na cabeça por escrever que sou a favor dos direitos humanos, que devemos respeitar o devido processo legal, por defender veementemente a constituição, a democracia e outras coisas. Claro, vestido com a camiseta do “Coiso”, com a mensagem no tacape “Vai pra cuba”. Cômico.
O diálogo, o debate sério, o respeito com quem pensa diferente devem sobrepor qualquer conduta de um desalmado. O grande lance da democracia é a liberdade, mas é preciso bom senso. Não devemos dar tijoladas nas pessoas por terem pensamento distinto do nosso. Contudo, não se deve também usar os símbolos do “bigodinho” em praça pública. É só observar a história.
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