CAOS NO PS

'Vi uma pessoa numa cadeira de rodas, no oxigênio, chorando ao telefone. É desesperador'

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Kaique Castro/GCN
Em pé, sentados em cadeiras ou mesmo no chão, pacientes aguardam atendimento no PS
Em pé, sentados em cadeiras ou mesmo no chão, pacientes aguardam atendimento no PS
Um homem, no oxigênio, em uma cadeira de rodas, chorando com familiares ao telefone. Essa foi a cena vista pelo cortador Reinaldo Gomes, de 60 anos, na fila de atendimento do Pronto-socorro "Álvaro Azzuz", em Franca, na noite desta quarta-feira, 19. Reinaldo, a mulher e o filho testaram positivo para a covid-19 e estavam desde o meio-dia esperando atendimento no hospital. Além deles, dezenas de pessoas aguardam no PS. A situação é crítica e Franca, hoje, vive seu pior momento em toda pandemia.
 
"Vi uma pessoa em uma cadeira de rodas, com um tubo de oxigênio entre as pernas, chorando. É triste ver isso... Igual eu, que tenho três filhos e esposa, lá em casa três estão positivos, fico pensando o que vai ser disso. É muito triste", disse Reinaldo.
 
Quem passa pela avenida Chico Júlio, de longe vê a situação do pronto-socorro, que concentra o atendimento a pacientes com suspeita e confirmação do coronavírus. Dezenas de pacientes abarrotados, sentados no chão ou em pé, aguardando atendimento e a realização de testes para a covid.
 
"Eles estão falando que tem quatro médicos lá dentro. Chamam quatro pessoas, daí, depois de duas horas, chamam mais quatro. Ninguém passa a situação para nós. Estamos à base de dipirona para tirar a dor no corpo e a febre", disse a mulher do cortador, a professora Márcia Fernanda Borges, de 52 anos. 
 
Por volta das 18h30, alguns pacientes acionaram a Polícia Militar, que não tem muito o que fazer, já que o pronto-socorro está com sua capacidade praticamente 100% ocupada. 
 
"Tem gente desde as 10 horas esperando atendimento e até agora nada. Imagina a hora que eu vou ser atendido, que cheguei às 11h?  Está tudo errado. O sentimento é de revolta. Teve gente que precisou chamar a polícia para a mulher ser atendida", disse Erivelto Antonio Gabriel, de 43 anos.
 
O fluxo de pacientes entrando e saindo do pronto-socorro era grande, o que deixava ainda mais caótico o cenário. A última atualização da diretoria do PS apontou que 64 pessoas estavam internadas na unidade, aguardando transferência para hospitais. Destes, 29 precisavam de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). E o mais desesperador: sete já estavam intubados em estado grave.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários