Nesta segunda-feira, 17, a Frente Parlamentar de Enfrentamento à Covid da Câmara Municipal recebeu os antigos responsáveis pela Vigilância Sanitária e Epidemiológica, Caio Carvalho e Cleber Benedito, exonerados após sindicância preliminar da Prefeitura identificar 917 inconsistências na lista de vacinados. Aos vereadores, os ex-chefes admitiram ter vacinado parentes fora dos públicos-alvo com a “xepa” da vacina e alegaram que a Secretaria de Saúde, que sabia das sobras desde o dia 4 de fevereiro, não tinha definido a destinação para essas doses. Uma funcionária do Estado também teria vacinado parentes, caracterizando outro caso de fura-fila.
A existência dos "fura-filas" foi denunciada pelo portal GCN no dia 26 de abril.
O primeiro a ser ouvido nesta segunda-feira foi Caio, que afirmou ao vereador Marcelo Tidy (DEM) ter sido exonerado injustamente. Ele ainda disse que pelas doses terem um limite de horas para a aplicação, a fim de garantir a eficácia, “convidou” dois parentes próximos, ambos de 64 anos, antes da sua faixa etária entrar no Plano Nacional de Imunização, para serem imunizados.
Os vereadores presentes questionaram a moralidade da atitude e se a "xepa" - doses que sobram no frasco já aberto - não deveria ter sido disponibilizada à população em geral, e não aos parentes dos responsáveis pela Vigilância. Caio negou e disse que se as doses fossem oferecidas a todos, isso levaria ao caos, com uma demanda grande demais para ser atendida.
Cleber Benedito também foi “obrigado” a vacinar os familiares que já eram idosos. Benedito lembrou que essa imunização aconteceu no dia 9 de março, quando sobraram 24 doses que, segundo ele, poderiam ser pedidas. O ex-chefe da Vigilância Epidemiológica também afirmou que a responsável pela Vigilância Epidemiológica do DRS-VIII (Departamento Regional de Saúde) de Franca fez o mesmo com uma parente próxima, fora do cronograma estipulado.
Para Cleber, a decisão do prefeito Alexandre Ferreira (MDB) de exonerá-los foi porque vacinaram seus parentes. Ele também criticou a ordem dada pelo secretário de Saúde, Lucas de Souza. A recomendação da Secretaria era priorizar os profissionais de Saúde, enquanto a orientação oficial do DRS era vacinar os idosos.
O ex-responsável pela Vigilância Epidemiológica atribuiu a responsabilidade de toda a confusão à "desorganização" da Saúde, que sabia das xepas desde o dia 4 de fevereiro, mas, até então, não tinha criado nenhuma lista de espera oficial para a população, o que gerou uma “indefinição da questão”. Cleber, inclusive, desmentiu o relatório preliminar da sindicância aberta pela Prefeitura, que afirma que a determinação do secretário de Saúde não foi cumprida pela Vigilância Epidemiológica.
Cleber explicou que a vacinação da covid seguia os moldes da H1N1 – a qual não tinha recomendações sobre o que fazer com as sobras. Além disso, afirmou que esse modelo adotado fez com que a lista de vacinados tivesse tantas falhas, como profissionais de saúde com mais de 60 anos que foram classificados como idosos.
Prefeitura
Em nota, a Prefeitura afirmou ainda estar apurando o caso e não se posicionou quanto aos depoimentos. "A sindicância interna segue apurando os fatos. As medidas já tomadas pelo prefeito Alexandre Ferreira são exatamente para garantir a transparência e isenção nas apurações."
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